Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
Media

Menos desempregados e mais independentes precários entre os jornalistas em Espanha

Tem estado a descer o número de jornalistas desempregados em Espanha, que se situa neste momento em 7.137 profissionais, mas continua ainda 57% acima do que era em 2008. Tem aumentado, por outro lado, o número dos jornalistas em regime autónomo (freelance), que já representa um quarto do total de trabalhadores, sabendo-se que a sua situação é, cada vez mais, “forçada pelo mercado e menos uma escolha individual”. Estes dados são do Relatório anual da Profissão Jornalística em Espanha, agora divulgado pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O estudo foi apresentado, na sede da APM, pela sua presidente, Victoria Prego, que o define como um instrumento de extraordinária utilidade como “radiografia do estado da profissão no nosso país”, além de revelar alguns “problemas e disfunções que não se vêem”. 

Por exemplo, esta edição de 2017 tem como novidade um estudo específico sobre a presença das mulheres no ofício, que é maioritária, de dois terços do total, mas vai diminuindo à medida que nos aproximamos dos postos dirigentes das empresas. E há mais indicadores: 

“É superior o número de desempregadas, são menos as que trabalham con contrato e mais as o fazem em regime freelance, e é também maior a percentagem de mulheres a receberem menos.” 

Curiosamente, no terreno da comunicação empresarial e institucional a situação é inversa, estando em maioria as que ocupam postos de responsabilidade (52%), perante 48% de homens. No desemprego encontram-se 64% de mulheres e 35% de homens. 

Segundo Luis Palacio, que conduziu o Relatório, “a discriminação da mulher no mundo do jornalismo é um facto, não esquecendo que se passa dentro de um processo de deterioração profissional que afecta tanto mulheres como homens”. (...)

“Os jornalistas autónomos (freelance) estão mais presentes nos media nativos digitais, revistas impressas e as nas edições digitais dos meios convencionais, e os contratados encontram-se mais na televisão, nos diários impressos e nas rádios”  - explicou ainda. 

“A percentagem desses jornalistas autónomos a receberem menos de mil euros por mês aumentou em quase dez pontos percentuais no último ano, e já vai acima dos 45%. No entanto, a percentagem dos que estão na comunicação empresarial e institucional baixou para os 33%.” 

Apesar da descida no desemprego, as perspectivas não são animadoras. O exercício económico de 2017 “não vai bem, e começam a abrir-se negociações para novas reduções, tanto de salários como de pessoal”. 

A precariedade tem também consequências sobre a credibilidade dos profissionais e dos meios de comunicação. Entre os próprios jornalistas, 75% são de opinião que a sociedade tem uma imagem negativa deles. Aprofundando os motivos apontados, aparecem o sensacionalismo e o fazer da informação um espectáculo, seguidos pela falta de rigor e de qualidade da informação, e dos interesses dos grupos. 

A respeito de pressões sobre os jornalistas, o Relatório verifica também o aumento desta prática e dos que dizem que as sofrem com frequência. 

 

Mais informação no texto da APM, que inclui os links para os vários modos de adquirir o texto completo do Relatório de 2017

Connosco
As “Histórias Proibidas” dos jornalistas assassinados voltam a ser lidas Ver galeria

Em Outubro de 2017, a jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava as ligações políticas perigosas da corrupção na ilha de Malta, foi morta num atentado à bomba. Hoje, uma equipa de 45 jornalistas, de 18 órgãos de comunicação de todo o mundo, está a trabalhar no Projecto Daphne, uma série de artigos que possam completar a sua investigação. Este projecto inscreve-se na missão de Forbidden Stories, cujo fundador, o realizador francês Laurent Richard, reafirmou em artigo recente em The Guardian: “Vocês mataram o mesageiro, mas não conseguirão matar a mensagem.”

Jornalismo de investigação é a melhor arma contra a propaganda Ver galeria

O combate à desinformação online tornou-se o tema incontornável de todos os encontros de jornalistas. Mas um dos painéis realizados na mais recente edição do Festival Internacional de Jornalismo, em Perugia, Itália, escutou intervenções que sugerem uma atitude menos confrontacional. A ideia é que resulta melhor investir num jornalismo de investigação no terreno, mesmo que tome mais tempo, do que tentar a batalha sempre perdida de aguentar o ritmo de produção das grandes máquinas de propaganda. Falaram neste sentido vozes experimentadas, de jornalistas como Galina Timchenko, russa, fundadora e directora do website Meduza, e Natalia Anteleva, georgiana, co-fundadora e editora de Coda Story.

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Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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8º Congresso Nacional de "Periodismo Autónomo y Freelance: ‘La revolución audiovisual’"
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Abr
Google Analytics para Jornalistas
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