Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Media

Menos desempregados e mais independentes precários entre os jornalistas em Espanha

Tem estado a descer o número de jornalistas desempregados em Espanha, que se situa neste momento em 7.137 profissionais, mas continua ainda 57% acima do que era em 2008. Tem aumentado, por outro lado, o número dos jornalistas em regime autónomo (freelance), que já representa um quarto do total de trabalhadores, sabendo-se que a sua situação é, cada vez mais, “forçada pelo mercado e menos uma escolha individual”. Estes dados são do Relatório anual da Profissão Jornalística em Espanha, agora divulgado pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O estudo foi apresentado, na sede da APM, pela sua presidente, Victoria Prego, que o define como um instrumento de extraordinária utilidade como “radiografia do estado da profissão no nosso país”, além de revelar alguns “problemas e disfunções que não se vêem”. 

Por exemplo, esta edição de 2017 tem como novidade um estudo específico sobre a presença das mulheres no ofício, que é maioritária, de dois terços do total, mas vai diminuindo à medida que nos aproximamos dos postos dirigentes das empresas. E há mais indicadores: 

“É superior o número de desempregadas, são menos as que trabalham con contrato e mais as o fazem em regime freelance, e é também maior a percentagem de mulheres a receberem menos.” 

Curiosamente, no terreno da comunicação empresarial e institucional a situação é inversa, estando em maioria as que ocupam postos de responsabilidade (52%), perante 48% de homens. No desemprego encontram-se 64% de mulheres e 35% de homens. 

Segundo Luis Palacio, que conduziu o Relatório, “a discriminação da mulher no mundo do jornalismo é um facto, não esquecendo que se passa dentro de um processo de deterioração profissional que afecta tanto mulheres como homens”. (...)

“Os jornalistas autónomos (freelance) estão mais presentes nos media nativos digitais, revistas impressas e as nas edições digitais dos meios convencionais, e os contratados encontram-se mais na televisão, nos diários impressos e nas rádios”  - explicou ainda. 

“A percentagem desses jornalistas autónomos a receberem menos de mil euros por mês aumentou em quase dez pontos percentuais no último ano, e já vai acima dos 45%. No entanto, a percentagem dos que estão na comunicação empresarial e institucional baixou para os 33%.” 

Apesar da descida no desemprego, as perspectivas não são animadoras. O exercício económico de 2017 “não vai bem, e começam a abrir-se negociações para novas reduções, tanto de salários como de pessoal”. 

A precariedade tem também consequências sobre a credibilidade dos profissionais e dos meios de comunicação. Entre os próprios jornalistas, 75% são de opinião que a sociedade tem uma imagem negativa deles. Aprofundando os motivos apontados, aparecem o sensacionalismo e o fazer da informação um espectáculo, seguidos pela falta de rigor e de qualidade da informação, e dos interesses dos grupos. 

A respeito de pressões sobre os jornalistas, o Relatório verifica também o aumento desta prática e dos que dizem que as sofrem com frequência. 

 

Mais informação no texto da APM, que inclui os links para os vários modos de adquirir o texto completo do Relatório de 2017

Connosco
Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O Presidente Marcelo é um dos poucos políticos portugueses com legitimidade para colocar a questão dos apoios do estado à produção jornalística porque ele é produtor e produto do sistema mediático.A sua biografia confunde-se com a liberdade de imprensa e a pergunta que Marcelo faz é, para ele, uma questão de consciência presidencial.Dito isto, pergunto:O que diríamos nós se fosse Donald Trump a...
Perante a bem conhecida e infelizmente bem real crise da comunicação social o Presidente da República questionou, há dias, se o Estado não tem a obrigação de intervir. Para Marcelo Rebelo de Sousa há uma "situação de emergência", que já constitui um problema democrático e de regime. A crise está longe de ser apenas portuguesa: é mundial. E tem sobretudo a ver com o facto de cada vez mais...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...