null, 26 de Maio, 2019
Media

Menos desempregados e mais independentes precários entre os jornalistas em Espanha

Tem estado a descer o número de jornalistas desempregados em Espanha, que se situa neste momento em 7.137 profissionais, mas continua ainda 57% acima do que era em 2008. Tem aumentado, por outro lado, o número dos jornalistas em regime autónomo (freelance), que já representa um quarto do total de trabalhadores, sabendo-se que a sua situação é, cada vez mais, “forçada pelo mercado e menos uma escolha individual”. Estes dados são do Relatório anual da Profissão Jornalística em Espanha, agora divulgado pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O estudo foi apresentado, na sede da APM, pela sua presidente, Victoria Prego, que o define como um instrumento de extraordinária utilidade como “radiografia do estado da profissão no nosso país”, além de revelar alguns “problemas e disfunções que não se vêem”. 

Por exemplo, esta edição de 2017 tem como novidade um estudo específico sobre a presença das mulheres no ofício, que é maioritária, de dois terços do total, mas vai diminuindo à medida que nos aproximamos dos postos dirigentes das empresas. E há mais indicadores: 

“É superior o número de desempregadas, são menos as que trabalham con contrato e mais as o fazem em regime freelance, e é também maior a percentagem de mulheres a receberem menos.” 

Curiosamente, no terreno da comunicação empresarial e institucional a situação é inversa, estando em maioria as que ocupam postos de responsabilidade (52%), perante 48% de homens. No desemprego encontram-se 64% de mulheres e 35% de homens. 

Segundo Luis Palacio, que conduziu o Relatório, “a discriminação da mulher no mundo do jornalismo é um facto, não esquecendo que se passa dentro de um processo de deterioração profissional que afecta tanto mulheres como homens”. (...)

“Os jornalistas autónomos (freelance) estão mais presentes nos media nativos digitais, revistas impressas e as nas edições digitais dos meios convencionais, e os contratados encontram-se mais na televisão, nos diários impressos e nas rádios”  - explicou ainda. 

“A percentagem desses jornalistas autónomos a receberem menos de mil euros por mês aumentou em quase dez pontos percentuais no último ano, e já vai acima dos 45%. No entanto, a percentagem dos que estão na comunicação empresarial e institucional baixou para os 33%.” 

Apesar da descida no desemprego, as perspectivas não são animadoras. O exercício económico de 2017 “não vai bem, e começam a abrir-se negociações para novas reduções, tanto de salários como de pessoal”. 

A precariedade tem também consequências sobre a credibilidade dos profissionais e dos meios de comunicação. Entre os próprios jornalistas, 75% são de opinião que a sociedade tem uma imagem negativa deles. Aprofundando os motivos apontados, aparecem o sensacionalismo e o fazer da informação um espectáculo, seguidos pela falta de rigor e de qualidade da informação, e dos interesses dos grupos. 

A respeito de pressões sobre os jornalistas, o Relatório verifica também o aumento desta prática e dos que dizem que as sofrem com frequência. 

 

Mais informação no texto da APM, que inclui os links para os vários modos de adquirir o texto completo do Relatório de 2017

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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