Segunda-feira, 22 de Janeiro, 2018
Media

Menos desempregados e mais independentes precários entre os jornalistas em Espanha

Tem estado a descer o número de jornalistas desempregados em Espanha, que se situa neste momento em 7.137 profissionais, mas continua ainda 57% acima do que era em 2008. Tem aumentado, por outro lado, o número dos jornalistas em regime autónomo (freelance), que já representa um quarto do total de trabalhadores, sabendo-se que a sua situação é, cada vez mais, “forçada pelo mercado e menos uma escolha individual”. Estes dados são do Relatório anual da Profissão Jornalística em Espanha, agora divulgado pela Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O estudo foi apresentado, na sede da APM, pela sua presidente, Victoria Prego, que o define como um instrumento de extraordinária utilidade como “radiografia do estado da profissão no nosso país”, além de revelar alguns “problemas e disfunções que não se vêem”. 

Por exemplo, esta edição de 2017 tem como novidade um estudo específico sobre a presença das mulheres no ofício, que é maioritária, de dois terços do total, mas vai diminuindo à medida que nos aproximamos dos postos dirigentes das empresas. E há mais indicadores: 

“É superior o número de desempregadas, são menos as que trabalham con contrato e mais as o fazem em regime freelance, e é também maior a percentagem de mulheres a receberem menos.” 

Curiosamente, no terreno da comunicação empresarial e institucional a situação é inversa, estando em maioria as que ocupam postos de responsabilidade (52%), perante 48% de homens. No desemprego encontram-se 64% de mulheres e 35% de homens. 

Segundo Luis Palacio, que conduziu o Relatório, “a discriminação da mulher no mundo do jornalismo é um facto, não esquecendo que se passa dentro de um processo de deterioração profissional que afecta tanto mulheres como homens”. (...)

“Os jornalistas autónomos (freelance) estão mais presentes nos media nativos digitais, revistas impressas e as nas edições digitais dos meios convencionais, e os contratados encontram-se mais na televisão, nos diários impressos e nas rádios”  - explicou ainda. 

“A percentagem desses jornalistas autónomos a receberem menos de mil euros por mês aumentou em quase dez pontos percentuais no último ano, e já vai acima dos 45%. No entanto, a percentagem dos que estão na comunicação empresarial e institucional baixou para os 33%.” 

Apesar da descida no desemprego, as perspectivas não são animadoras. O exercício económico de 2017 “não vai bem, e começam a abrir-se negociações para novas reduções, tanto de salários como de pessoal”. 

A precariedade tem também consequências sobre a credibilidade dos profissionais e dos meios de comunicação. Entre os próprios jornalistas, 75% são de opinião que a sociedade tem uma imagem negativa deles. Aprofundando os motivos apontados, aparecem o sensacionalismo e o fazer da informação um espectáculo, seguidos pela falta de rigor e de qualidade da informação, e dos interesses dos grupos. 

A respeito de pressões sobre os jornalistas, o Relatório verifica também o aumento desta prática e dos que dizem que as sofrem com frequência. 

 

Mais informação no texto da APM, que inclui os links para os vários modos de adquirir o texto completo do Relatório de 2017

Connosco
Quatro congressos de jornalistas e gestores de Media em Portugal Ver galeria

Vão decorrer este ano, em Lisboa e Cascais, quase em simultâneo, quatro importantes encontros internacionais de jornalistas, directores e proprietários de media, ou ainda de especialistas nas novas tecnologias digitais aplicadas à comunicação. O título que os agrupa todos é Media Summit, e os dois mais concorridos trazem ao nosso País, cada um deles, perto de um milhar de participantes. Entre o final de Maio e o princípio de Junho, os grandes nomes de referência dos jornais e agências de Imprensa, os Repórteres sem Fronteiras como o Consórcio Internacional de Jornalistas, as plataformas das redes sociais como os representantes da Federação Internacional de Jornalistas, vão poder, pela proximidade física entre todos os eventos, avaliar problemas diversos ou comuns e, eventualmente, marcar encontros entre si.

António Lobo Xavier em Janeiro no novo ciclo de jantares-debate do CPI Ver galeria

O novo ciclo de jantares-debate,  promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o  Grémio Literário, subordinado ao tema genérico O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções” prossegue  no próximo dia 24 de Janeiro, sendo orador convidado António Lobo Xavier, advogado, político e conselheiro de Estado designado por Marcelo Rebelo de Sousa.  

António Bernardo Aranha da Gama Lobo Xavier, de seu nome completo, nasceu em Coimbra em 1959, e é um prestigiado advogado, ligado desde a juventude ao CDS-PP, com uma intervenção política regular e respeitada, designadamente, no programa televisivo “Quadratura do Círculo”, no qual participa desde 2004.


O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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