Segunda-feira, 22 de Outubro, 2018
Fórum

Como as redes sociais podem fracturar o modo de viver em sociedade

Dois ex-executivos de topo do Facebook fizeram críticas públicas ao modo como as redes sociais se tornaram perigosas, condicionando as reacções dos seus utentes. Chamath Palihapitiya, que foi vice-presidente para o crescimento de utilizadores, disse que os ciclos viciosos de reacções alimentados por esse mesmo incentivo “estão a destruir a forma como a sociedade funciona”, programando as pessoas sem que estas se apercebam. Sean Parker, que foi o primeiro presidente do Facebook, afirmou que a plataforma “explora uma vulnerabilidade na psicologia humana” ao criar essa compulsão de validação social, e declara-se hoje uma espécie de “objector de consciência” contra o uso das redes sociais. 

Numa intervenção que teve na Stanford Business School, em Novembro, Chamath Palihapitiya afirmou sentir hoje “uma enorme culpa” pelo papel que teve no desenvolvimento dessas ferramentas, que não promovem “discurso cívico, nem cooperação”, mas sim “desinformação e desconfiança”. 

Já não se trata só de anúncios russos:  

“Isto é um problema global. Está a corroer as fundações do modo como as pessoas se comportam umas com as outras.” 

Segundo The Guardian, “a empresa só recentemente reconheceu ter vendido anúncios a russos que procuravam semear divisão entre os eleitores americanos durante a eleição de 2016”.  

Palihapitiya recordou o ocorrido no estado indiano de Jharkhand, na Primavera, “quando mensagens falsas pelo WhatsApp, advertindo contra um grupo de raptores, levaram ao linchamento de sete pessoas; o WhatsApp é propriedade do Facebook”.

“Eu não posso controlá-los”  - disse ainda, referindo-se aos seus antigos patrões. “Posso controlar a minha decisão, e é por isso que não uso essa porcaria. Posso controlar as decisões dos meus filhos, e é por isso que eles não estão autorizados a usar essa porcaria.” 

Apelou aos seus ouvintes indagando, mesmo que tenham sido envolvidos de modo não intencional, se não é tempo de decidirem “quanto da sua independência intelectual” estão ainda dispostos a abdicar. 

O Facebook respondeu aos comentários de Palihapityia notando que ele já não trabalha na empresa desde há seis anos, que ela era muito diferente nessa altura e que, “à medida que crescemos, compreendemos que cresceram também as nossas responsabilidades”: 

“Tomamos muito a sério o nosso papel e esforçamo-nos por melhorar”  - afirmou a sua porta-voz Susan Glick.

A empresa disse também que tem estado a investigar o impacto dos seus produtos sobre o “bem-estar” e referiu que o seu CEO, Mark Zuckerberg, “manifestou disponibilidade para reduzir o lucro afim de se voltar para assuntos como a interferência externa sobre as eleições”. 

 

Mais informação no DN – Media e em The Guardian, cuja imagem, de Niall Carson/PA, aqui incluímos

E um vídeo humorístico de Natal sobre este mesmo tema

 

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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