Segunda-feira, 22 de Janeiro, 2018
Fórum

Como as redes sociais podem fracturar o modo de viver em sociedade

Dois ex-executivos de topo do Facebook fizeram críticas públicas ao modo como as redes sociais se tornaram perigosas, condicionando as reacções dos seus utentes. Chamath Palihapitiya, que foi vice-presidente para o crescimento de utilizadores, disse que os ciclos viciosos de reacções alimentados por esse mesmo incentivo “estão a destruir a forma como a sociedade funciona”, programando as pessoas sem que estas se apercebam. Sean Parker, que foi o primeiro presidente do Facebook, afirmou que a plataforma “explora uma vulnerabilidade na psicologia humana” ao criar essa compulsão de validação social, e declara-se hoje uma espécie de “objector de consciência” contra o uso das redes sociais. 

Numa intervenção que teve na Stanford Business School, em Novembro, Chamath Palihapitiya afirmou sentir hoje “uma enorme culpa” pelo papel que teve no desenvolvimento dessas ferramentas, que não promovem “discurso cívico, nem cooperação”, mas sim “desinformação e desconfiança”. 

Já não se trata só de anúncios russos:  

“Isto é um problema global. Está a corroer as fundações do modo como as pessoas se comportam umas com as outras.” 

Segundo The Guardian, “a empresa só recentemente reconheceu ter vendido anúncios a russos que procuravam semear divisão entre os eleitores americanos durante a eleição de 2016”.  

Palihapitiya recordou o ocorrido no estado indiano de Jharkhand, na Primavera, “quando mensagens falsas pelo WhatsApp, advertindo contra um grupo de raptores, levaram ao linchamento de sete pessoas; o WhatsApp é propriedade do Facebook”.

“Eu não posso controlá-los”  - disse ainda, referindo-se aos seus antigos patrões. “Posso controlar a minha decisão, e é por isso que não uso essa porcaria. Posso controlar as decisões dos meus filhos, e é por isso que eles não estão autorizados a usar essa porcaria.” 

Apelou aos seus ouvintes indagando, mesmo que tenham sido envolvidos de modo não intencional, se não é tempo de decidirem “quanto da sua independência intelectual” estão ainda dispostos a abdicar. 

O Facebook respondeu aos comentários de Palihapityia notando que ele já não trabalha na empresa desde há seis anos, que ela era muito diferente nessa altura e que, “à medida que crescemos, compreendemos que cresceram também as nossas responsabilidades”: 

“Tomamos muito a sério o nosso papel e esforçamo-nos por melhorar”  - afirmou a sua porta-voz Susan Glick.

A empresa disse também que tem estado a investigar o impacto dos seus produtos sobre o “bem-estar” e referiu que o seu CEO, Mark Zuckerberg, “manifestou disponibilidade para reduzir o lucro afim de se voltar para assuntos como a interferência externa sobre as eleições”. 

 

Mais informação no DN – Media e em The Guardian, cuja imagem, de Niall Carson/PA, aqui incluímos

E um vídeo humorístico de Natal sobre este mesmo tema

 

Connosco
Quatro congressos de jornalistas e gestores de Media em Portugal Ver galeria

Vão decorrer este ano, em Lisboa e Cascais, quase em simultâneo, quatro importantes encontros internacionais de jornalistas, directores e proprietários de media, ou ainda de especialistas nas novas tecnologias digitais aplicadas à comunicação. O título que os agrupa todos é Media Summit, e os dois mais concorridos trazem ao nosso País, cada um deles, perto de um milhar de participantes. Entre o final de Maio e o princípio de Junho, os grandes nomes de referência dos jornais e agências de Imprensa, os Repórteres sem Fronteiras como o Consórcio Internacional de Jornalistas, as plataformas das redes sociais como os representantes da Federação Internacional de Jornalistas, vão poder, pela proximidade física entre todos os eventos, avaliar problemas diversos ou comuns e, eventualmente, marcar encontros entre si.

António Lobo Xavier em Janeiro no novo ciclo de jantares-debate do CPI Ver galeria

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António Bernardo Aranha da Gama Lobo Xavier, de seu nome completo, nasceu em Coimbra em 1959, e é um prestigiado advogado, ligado desde a juventude ao CDS-PP, com uma intervenção política regular e respeitada, designadamente, no programa televisivo “Quadratura do Círculo”, no qual participa desde 2004.


O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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