Segunda-feira, 22 de Outubro, 2018
Estudo

Portugueses lêem menos jornais e livros mas frequentam mais museus e cinema

Jornais, revistas e outras publicações periódicas perderam, em 2016, 28% de circulação total em relação ao ano anterior, registando-se também uma quebra de 17,6% nos exemplares vendidos. Houve ainda uma diminuição de 22,3% nas tiragens e de 2,7% no número de publicações. Estes dados são revelados pelas estatísticas do sector da Cultura, divulgados pelo INE, que confirmam, por outro lado, subidas na assistência a espectáculos ao vivo (mais 18,8%), idas ao cinema e visitas a museus, mas com menor preferência pela leitura de livros. 

Segundo os números apurados pelo Instituto Nacional de Estatística, “em 2016 existiam 1.271 publicações periódicas, com 420,5 milhões de exemplares de tiragem total e 322,2 milhões de exemplares de circulação total, dos quais foram vendidos 192,9 milhões de exemplares”. (…) 

“Os jornais representavam 34,9% do total de publicações, concentrando 76% do número de edições, 74,1% da tiragem total, 74,9% da circulação total e 73% dos exemplares vendidos. Por seu lado, as revistas correspondiam a 48,6% dos títulos, 18,9% das edições, 23,6% da tiragem total, 22,1% da circulação total e 25,5% da circulação paga.” (…) 

Quanto ao suporte, a maior parte (61,1%) das publicações periódicas em causa saiu em papel, estando em simultâneo no meio digital (38,9%). O INE destaca que “este tipo de suporte de difusão [digital] tem vindo a ganhar uma importância crescente”, passando de uma representatividade de 19,4% em 2007, para 30,7% em 2011 e para 38% em 2015. (…) 

No que diz respeito aos espectáculos ao vivo, foram mais 18,8% os portugueses que assistiram a, pelo menos, um evento deste género. No total, em 2016 foram 14,8 milhões os residentes em Portugal que assistiram a espectáculos ao vivo, o que fez as receitas de bilheteira subirem 42,6%, para os 85 milhões de euros. 

Com tendência crescente está também o número de visitantes de museus que, no ano passado, subiu 1,9 milhões, para os 15,5 milhões de visitantes. Destes, o INE destaca que 1,5 milhões foram visitantes estrangeiros. Em rota crescente temos ainda o sector cinematográfico. No ano passado, 15 milhões de portugueses foram ao cinema pelo menos uma vez, o que se traduz num aumento de 3% face ao ano anterior, ficando as receitas de bilheteiras nos 77,2 milhões de euros. 

Em termos de percentagem da população portuguesa, 67,2% dos portugueses assistiu, em 2016, a pelo menos um espectáculo ao vivo, 46,4% visitou, pelo menos uma vez, museus, monumentos ou galerias de arte, e 45,6% respondeu ter ido, pelo menos, uma vez ao cinema. 

O que recolhe menor preferência é mesmo a leitura de livros: só 38,8% dos portugueses respondeu ter lido pelo menos uma obra literária em 2016. 

 

Mais informação no Observador , cuja imagem, da Lusa, aqui reproduzimos

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

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O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

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Trump contra o jornalismo
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Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
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