Sábado, 25 de Maio, 2019
Estudo

Portugueses lêem menos jornais e livros mas frequentam mais museus e cinema

Jornais, revistas e outras publicações periódicas perderam, em 2016, 28% de circulação total em relação ao ano anterior, registando-se também uma quebra de 17,6% nos exemplares vendidos. Houve ainda uma diminuição de 22,3% nas tiragens e de 2,7% no número de publicações. Estes dados são revelados pelas estatísticas do sector da Cultura, divulgados pelo INE, que confirmam, por outro lado, subidas na assistência a espectáculos ao vivo (mais 18,8%), idas ao cinema e visitas a museus, mas com menor preferência pela leitura de livros. 

Segundo os números apurados pelo Instituto Nacional de Estatística, “em 2016 existiam 1.271 publicações periódicas, com 420,5 milhões de exemplares de tiragem total e 322,2 milhões de exemplares de circulação total, dos quais foram vendidos 192,9 milhões de exemplares”. (…) 

“Os jornais representavam 34,9% do total de publicações, concentrando 76% do número de edições, 74,1% da tiragem total, 74,9% da circulação total e 73% dos exemplares vendidos. Por seu lado, as revistas correspondiam a 48,6% dos títulos, 18,9% das edições, 23,6% da tiragem total, 22,1% da circulação total e 25,5% da circulação paga.” (…) 

Quanto ao suporte, a maior parte (61,1%) das publicações periódicas em causa saiu em papel, estando em simultâneo no meio digital (38,9%). O INE destaca que “este tipo de suporte de difusão [digital] tem vindo a ganhar uma importância crescente”, passando de uma representatividade de 19,4% em 2007, para 30,7% em 2011 e para 38% em 2015. (…) 

No que diz respeito aos espectáculos ao vivo, foram mais 18,8% os portugueses que assistiram a, pelo menos, um evento deste género. No total, em 2016 foram 14,8 milhões os residentes em Portugal que assistiram a espectáculos ao vivo, o que fez as receitas de bilheteira subirem 42,6%, para os 85 milhões de euros. 

Com tendência crescente está também o número de visitantes de museus que, no ano passado, subiu 1,9 milhões, para os 15,5 milhões de visitantes. Destes, o INE destaca que 1,5 milhões foram visitantes estrangeiros. Em rota crescente temos ainda o sector cinematográfico. No ano passado, 15 milhões de portugueses foram ao cinema pelo menos uma vez, o que se traduz num aumento de 3% face ao ano anterior, ficando as receitas de bilheteiras nos 77,2 milhões de euros. 

Em termos de percentagem da população portuguesa, 67,2% dos portugueses assistiu, em 2016, a pelo menos um espectáculo ao vivo, 46,4% visitou, pelo menos uma vez, museus, monumentos ou galerias de arte, e 45,6% respondeu ter ido, pelo menos, uma vez ao cinema. 

O que recolhe menor preferência é mesmo a leitura de livros: só 38,8% dos portugueses respondeu ter lido pelo menos uma obra literária em 2016. 

 

Mais informação no Observador , cuja imagem, da Lusa, aqui reproduzimos

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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