Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
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O público alvo das redes sociais começa agora aos seis anos

As crianças são agora o público alvo das grandes empresas tecnológicas. O Facebook acaba de lançar uma versão, destinada aos menores entre os seis e os doze anos, da sua plataforma de mensagens Messenger. A sua concorrente principal, Google, já tinha chegado primeiro, há dois anos, suscitando várias polémicas. Estes novos serviços chamam-se, respectivamente, Messenger Kids e YouTube Kids, e procuram instalar-se “neste mercado ainda pouco explorado pelos gigantes de Silicon Valley, nomedamente por causa de uma regulação mais restrita”.

De momento. Messenger Kids só está disponível nos Estados Unidos, no sistema iOS da Apple. A aplicação permite debater com os amigos e partilhar fotos e vídeos. A empresa promete que não será possível partilhar “conteúdos violentos ou de carácter sexual”. Assegura também ter seleccionado manualmente a biblioteca de imagens GIF “para evitar animações menos adequadas”. 

Segundo Le Monde, que aqui citamos:

“A aplicação distingue-se também pelo seu processo de inscrição: uma nova conta só pode ser criada por um adulto já inscrito no Facebook. A Messenger Kids ‘confere mais controlo aos pais’, como explica o responsável pelo produto, Loren Cheng. As crianças não podem, por exemplo, acrescentar contactos ou aceitar pedidos externos. Terão de ser os pais a fazê-lo. Mas estes não poderão ler, à distância, as conversas dos seus filhos.” (...) 

“A aplicação suscita polémica desde o lançamento. ‘Por que devem os pais confiar que o Facebook vai agir no interesse dos seus filhos?’  - interroga-se Jim Steyer, director da organização Common Sense Media? ‘Não é possível saber o que eles vão fazer mais tarde com os dados que recolhem’  - acrescenta Kristen Strader, do think tank Public Citizen. No dia 7 de Dezembro, dois senadores democratas enviaram uma mensagem à empresa para lhe darem conta das suas preocupações e pedirem mais pormenores.” 

Quanto à YouTube Kids, da Google, tem sido objecto de queixas apresentadas à Federal Trade Commission, a agência federal responsável pelas questões do consumo: “Há associações que a criticam, nomeadamente por ter difundido vídeos criados pela McDonalds ou a Coca-Cola, sem os apresentar claramento como publicidade.” (...) 

“O potencial é imenso, agora que as audiências das cadeias de televisão especializadas estão em grande recuo. Mais de 40% por jovens dos sete aos doze anos, nos Estados Unidos, vêem vários vídeos todos os dias na plataforma da Google. Em Agosto, ela assinou um contrato com a Mattel, fabricante de brinquedos, por dezenas de milhões de dólares.” (...)

 

Mais informação em Le Monde  e OpenSolutions, que cita a Exame Informática

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O perigo instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

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