Sábado, 25 de Maio, 2019
Novas iniciativas

Jornalistas franceses voluntários na formação de jovens para os Media

Cerca de cem jornalistas de Le Monde e da Agência France-Presse vão envolver-se num trabalho voluntário de educação sobre os media e a Informação, dirigido ao público jovem, sobretudo do ensino secundário. Estão previstas, durante o ano lectivo, pelo menos 300 intervenções em todo o território francês. O objectivo é suscitar espírito crítico entre os jovens e, mais do que despertar vocações para o jornalismo, fazer deles “cidadãos esclarecidos, capazes de discernir as informações e imagens que recebem todos os dias, duvidar das fontes de publicação e compreender o interesse do pluralismo da Imprensa”.

O jornal Le Monde aderiu, em Maio de 2017, à convenção que já agregava, com o Ministério da Educação, o Clemi – Centro de Educação para os Media e a Informação  - que organiza há 30 anos a Semana da Imprensa e dos Media na Escola -  e a Agência France-Presse. É por meio da associação Entre les Lignes, em ligação com a rede do Clemi, que são organizados os ateliers nos estabelecimentos de ensino. 

Segundo Le Monde, “desde há vários meses que, perante uma procura crescente, por parte do pessoal docente e dos educadores, Entre les Lignes propõe igualmente formações profissionais dirigidas a estes públicos, nomeadamente sobre a temática das teorias de conspiração”. (…) 

Nas palavras de Jérôme Fenoglio, director de Le Monde, “decifrar o modo como se fabrica a informação e tornar mais transparente o trabalho do jornalista fazem parte das missões do Monde. É uma maneira de abrir as portas da redacção do jornal aos professores e ao público jovem. Temos orgulho neste envolvimento, e no facto de contribuirmos para a educação sobre os media, por meio da associação Entre les Lignes, ao lado do Clemi e da AFP”. 

Também Michèle Léridon, directora de Informação da AFP, afirma: 

“Na hora das fake news e de uma propensão crescente para o ‘conspiracionismo’, é crucial desenvolver o espírito crítico do público jovem e ensiná-lo a formar a sua própria opinião a partir de informações verificadas.” (…) 

 

Mais informação em Le Mondeas imagens são de acções de formação do Clemi

 

 

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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