null, 26 de Maio, 2019
Prémio

Editora indiana de vídeo no "Washington Post" eleita Jornalista do Mês

Nikita Mandhani, uma jovem indiana que se formou na escola de jornalismo da Northwestern University, nos Estados Unidos, e trabalha como editora de reportagem vídeo no Washington Post e na Apple News, vai voltar ao seu país no princípio do ano. Entende que nem a Índia, nem outros países da Ásia do Sul, são retratados “com a luz correcta” pelas publicações internacionais que tem lido, e deseja dar o seu contributo nesta área. Começou como técnica de software, na Índia, mas hoje reconhece: “A vida como engenheira de computadores era mais estável, e é mais fácil encontrar emprego. Ser jornalista é duro, mas tem muito mais graça.” Foi escolhida como a Jornalista do Mês, em Novembro, pela International Journalists’ Network, que a entrevistou. 

O caminho que fez vai, de certo modo, em sentido contrário ao que parece importante na cultura corrente. Nikita Mandhani já escrevia num blog enquanto trabalhava numa empresa multinacional e, ao fim de dois anos, decidiu que jornalismo era o que queria fazer no resto na sua vida. Especializou-se na reportagem vídeo e, ainda durante o mestrado, foi sendo enviada a vários locais, nos Estados Unidos, mais tarde também à Alemanha. 

O trabalho que fazia tratava sobretudo das experiências dos imigrantes e refugiados nos Estados Unidos. As duas peças que a tornaram conhecida foram uma reportagem que fez para uma publicação indiana, sobre a Marcha das Mulheres de 2017, em Washington, e uma outra, para a NBC Asia, sobre os indianos de confissão muçulmana na América. 

Quando lhe perguntam porque se especializou no vídeo em vez de no jornalismo escrito, Nikita Mandhani responde que, enquanto estudava, se apercebeu do muito que um vídeo “pode conseguir em sete minutos”: 

“Eu queria tornar-me capaz de contar histórias desse modo. Comecei a concentrar-me no vídeo, mas nunca deixei de escrever. Tenho feito trabalho freelance porque quero continuar a escrever.” (…) 

Sobre que conselho tem para outros jornalistas, diz: 

“É muito importante ser curioso. Questionem todas as coisas. A minha curiosidade tem-me ajudado muito e continua a trazer-me ideias para reportagens. E também nunca parem. Têm de continuar sempre. Desenvolvam as forças que têm. E é difícil, muito difícil. Posso dizer isto porque trabalhei noutro campo. A vida como engenheira de computadores era mais estável, e é mais fácil encontrar emprego. Ser jornalista é duro, mas tem muito mais graça.” 


A entrevista com Nikita Mandhani, na International Journalists’ Network

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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