Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Prémio

Editora indiana de vídeo no "Washington Post" eleita Jornalista do Mês

Nikita Mandhani, uma jovem indiana que se formou na escola de jornalismo da Northwestern University, nos Estados Unidos, e trabalha como editora de reportagem vídeo no Washington Post e na Apple News, vai voltar ao seu país no princípio do ano. Entende que nem a Índia, nem outros países da Ásia do Sul, são retratados “com a luz correcta” pelas publicações internacionais que tem lido, e deseja dar o seu contributo nesta área. Começou como técnica de software, na Índia, mas hoje reconhece: “A vida como engenheira de computadores era mais estável, e é mais fácil encontrar emprego. Ser jornalista é duro, mas tem muito mais graça.” Foi escolhida como a Jornalista do Mês, em Novembro, pela International Journalists’ Network, que a entrevistou. 

O caminho que fez vai, de certo modo, em sentido contrário ao que parece importante na cultura corrente. Nikita Mandhani já escrevia num blog enquanto trabalhava numa empresa multinacional e, ao fim de dois anos, decidiu que jornalismo era o que queria fazer no resto na sua vida. Especializou-se na reportagem vídeo e, ainda durante o mestrado, foi sendo enviada a vários locais, nos Estados Unidos, mais tarde também à Alemanha. 

O trabalho que fazia tratava sobretudo das experiências dos imigrantes e refugiados nos Estados Unidos. As duas peças que a tornaram conhecida foram uma reportagem que fez para uma publicação indiana, sobre a Marcha das Mulheres de 2017, em Washington, e uma outra, para a NBC Asia, sobre os indianos de confissão muçulmana na América. 

Quando lhe perguntam porque se especializou no vídeo em vez de no jornalismo escrito, Nikita Mandhani responde que, enquanto estudava, se apercebeu do muito que um vídeo “pode conseguir em sete minutos”: 

“Eu queria tornar-me capaz de contar histórias desse modo. Comecei a concentrar-me no vídeo, mas nunca deixei de escrever. Tenho feito trabalho freelance porque quero continuar a escrever.” (…) 

Sobre que conselho tem para outros jornalistas, diz: 

“É muito importante ser curioso. Questionem todas as coisas. A minha curiosidade tem-me ajudado muito e continua a trazer-me ideias para reportagens. E também nunca parem. Têm de continuar sempre. Desenvolvam as forças que têm. E é difícil, muito difícil. Posso dizer isto porque trabalhei noutro campo. A vida como engenheira de computadores era mais estável, e é mais fácil encontrar emprego. Ser jornalista é duro, mas tem muito mais graça.” 


A entrevista com Nikita Mandhani, na International Journalists’ Network

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O perigo instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

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“Ou seja, é preciso parar de pensar exclusivamente como jornalista e incorporar a lógica dos negócios.”

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