Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
Media

Russos e americanos em conflito aberto sobre o acesso aos seus Media

As autoridades russas interditaram o acesso a vários media dos Estados Unidos, considerados como “agentes do estrangeiro”, nomeadamente a rádio Voice of America e a Radio Free Europe / Radio Liberty, financiadas pelo Congresso norte-americano, e outros meios que lhes estão ligados. Esta medida é a retaliação pela recente recusa, pelo mesmo Congresso, da creditação da estação Russia Today, que o Kremlin considerou “extremamente decepcionante e infundada”.

Segundo Le Monde, que aqui citamos, o Presidente Vladimir Putin tinha promulgado uma lei que permite classificar qualquer meio de comunicação estrangeiro operando na Rússia como “agente do estrangeiro”, precisamente em resposta à obrigação que foi feita à cadeia Russia Today, controlada pelo Estado russo, de se registar sob esta categoria nos Estados Unidos.

Agora, os deputados russos decidiram, por 413 votos a favor e um contra, a aplicação desta lei às referidas emissoras.

 

“Muito criticada pelas organizações não-governamentais Human Rights Watch e Amnistia Internacional, a lei russa obriga as referidas entidades, nomeadamente, a dar informação às autoridades sobre os fundos que recebem do estrangeiro e a precisar nos seus documentos que são classificadas nesta categoria.”

 

Ainda segundo Le Monde, a Russia Today France, versão francesa da referida estação, vai começar a emitir ainda “antes do Natal”. Será então acessível pela Internet, mas também pela Bouygues Telecom e, provavelmente, pela Free, com a qual as negociações estão adiantadas. “A SFR e a Orange dizem continuar ‘em discussão’: a cadeia emblemática do soft power russo ainda levanta desconfiança.”

 

O diário francês recorda que, no final de Maio, quando o Presidente Putin era recebido com grande pompa em Versalhes, Xenia Fedorova, a presidente da RT France, interpelou Emmanuel Macron sobre o motivo por que os seus jornalistas não tinham acesso à sede do movimento En Marche! A resposta do Presidente francês foi:

 

Russia Today e Sputnik não se têm comportado como órgãos de Imprensa e como jornalistas, mas têm-se comportado como órgãos de influência, de propaganda, e de propaganda enganadora, nem mais nem menos.”

 

 

Mais informação em Le Monde

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Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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