Segunda-feira, 22 de Outubro, 2018
Media

Internet substitui-se à rede terrestre na distribuição do sinal de TV

“A televisão já não pode entender-se como uma oferta de canais que emitem uma programação mais ou menos variada, baseando-se em estudos de mercado ou na sua própria concorrência. A televisão, agora, é uma oferta de conteúdos, não de canais.” A reflexão é de Miguel Ángel Ossorio Veja, que resume a evolução recente da captação de TV desde as antigas antenas, passando pelas parabólicas, depois pelo cabo e chegando à Net: “Vemos a televisão pela Internet porque o canal que nos dá acesso aos conteúdos é, precisamente, a Rede. (…) Temos um descodificador de uma empresa tecnológica que os faz chegar até nós por meio do router. A minha nova antena é o router.” 

O que interessa ao autor, especializado no jornalismo digital, é apontar as consequências desse desenvolvimento tecnológico sobre a própria natureza da televisão. Por exemplo, sobre a passagem do modelo analógico ao digital (TDT), sublinha que ela pouca repercussão teve junto de si por total “falta de interesse em ver conteúdos enlatados, repetidos ou directamente irrelevantes”.  

Define essa tecnologia como “um caminho médio entre a limitação do sistema tradicional e a infinidade da Rede”, sustentado ainda por algum “romantismo oculto”, mas opina:  

“Com a televisão estamos avisados: nada será como agora. Mas pode ser que já seja demasiado tarde quando dermos conta disso. De facto, talvez já seja demasiado tarde. E alguns já se deram conta disso.”  

A sua conclusão é que a “sobrevivência económica da actual televisão está vinculada a um modelo obsoleto”, embora ainda seja menos mau do que ver a TV em directo:  

“Há quase uma década que não vejo televisão pela antena que está no terraço da minha casa, porque encontrei na Web os meus canais favoritos (ou na app) os conteúdos que quero ver, e posso vê-los onde quiser e quando quiser. Por mim, podiam deitar abaixo a antena que há no meu prédio. Mas eu prefiro deixá-la para os pássaros lá pousarem.”  


O texto na íntegra, em Media-tics

 

 

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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