Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
Media

Internet substitui-se à rede terrestre na distribuição do sinal de TV

“A televisão já não pode entender-se como uma oferta de canais que emitem uma programação mais ou menos variada, baseando-se em estudos de mercado ou na sua própria concorrência. A televisão, agora, é uma oferta de conteúdos, não de canais.” A reflexão é de Miguel Ángel Ossorio Veja, que resume a evolução recente da captação de TV desde as antigas antenas, passando pelas parabólicas, depois pelo cabo e chegando à Net: “Vemos a televisão pela Internet porque o canal que nos dá acesso aos conteúdos é, precisamente, a Rede. (…) Temos um descodificador de uma empresa tecnológica que os faz chegar até nós por meio do router. A minha nova antena é o router.” 

O que interessa ao autor, especializado no jornalismo digital, é apontar as consequências desse desenvolvimento tecnológico sobre a própria natureza da televisão. Por exemplo, sobre a passagem do modelo analógico ao digital (TDT), sublinha que ela pouca repercussão teve junto de si por total “falta de interesse em ver conteúdos enlatados, repetidos ou directamente irrelevantes”.  

Define essa tecnologia como “um caminho médio entre a limitação do sistema tradicional e a infinidade da Rede”, sustentado ainda por algum “romantismo oculto”, mas opina:  

“Com a televisão estamos avisados: nada será como agora. Mas pode ser que já seja demasiado tarde quando dermos conta disso. De facto, talvez já seja demasiado tarde. E alguns já se deram conta disso.”  

A sua conclusão é que a “sobrevivência económica da actual televisão está vinculada a um modelo obsoleto”, embora ainda seja menos mau do que ver a TV em directo:  

“Há quase uma década que não vejo televisão pela antena que está no terraço da minha casa, porque encontrei na Web os meus canais favoritos (ou na app) os conteúdos que quero ver, e posso vê-los onde quiser e quando quiser. Por mim, podiam deitar abaixo a antena que há no meu prédio. Mas eu prefiro deixá-la para os pássaros lá pousarem.”  


O texto na íntegra, em Media-tics

 

 

Connosco
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Em Outubro de 2017, a jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava as ligações políticas perigosas da corrupção na ilha de Malta, foi morta num atentado à bomba. Hoje, uma equipa de 45 jornalistas, de 18 órgãos de comunicação de todo o mundo, está a trabalhar no Projecto Daphne, uma série de artigos que possam completar a sua investigação. Este projecto inscreve-se na missão de Forbidden Stories, cujo fundador, o realizador francês Laurent Richard, reafirmou em artigo recente em The Guardian: “Vocês mataram o mesageiro, mas não conseguirão matar a mensagem.”

Jornalismo de investigação é a melhor arma contra a propaganda Ver galeria

O combate à desinformação online tornou-se o tema incontornável de todos os encontros de jornalistas. Mas um dos painéis realizados na mais recente edição do Festival Internacional de Jornalismo, em Perugia, Itália, escutou intervenções que sugerem uma atitude menos confrontacional. A ideia é que resulta melhor investir num jornalismo de investigação no terreno, mesmo que tome mais tempo, do que tentar a batalha sempre perdida de aguentar o ritmo de produção das grandes máquinas de propaganda. Falaram neste sentido vozes experimentadas, de jornalistas como Galina Timchenko, russa, fundadora e directora do website Meduza, e Natalia Anteleva, georgiana, co-fundadora e editora de Coda Story.

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Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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