Quarta-feira, 18 de Julho, 2018
Opinião

Belmiro de Azevedo e a independência

por Francisco Sarsfield Cabral

Morreu um dos grandes empresários portugueses do Portugal democrático, posterior ao 25 de Abril. De origem humilde, tornou-se um dos homens mais ricos do país.

Nesta terra onde secularmente predomina a dependência em relação ao Estado, nomeadamente da parte de empresários e gestores, Belmiro era um homem ferozmente independente, que quase tinha gosto em colocar o Estado em tribunal. O seu “império” empresarial, que criou milhares de empregos, nada ficou a dever a favores de políticos, bem pelo contrário – basta pensar na OPA lançada em 2006 por Belmiro sobre a PT, frustrada pelo poder político (primeiro-ministro Sócrates). Tivesse ele ganho e a PT não teria chegado à desgraça presente. 

Em 1990 surgiu, por iniciativa de destacados jornalistas, um diário que iria dar um impulso decisivo à melhoria da qualidade da Imprensa nacional: o Público. Mas esse grupo de jornalistas precisava de apoio empresarial – por isso recorreu a Belmiro de Azevedo, que aceitou.

 

Ao contrário do que tantas vezes se vê, em Portugal e no mundo, o proprietário do Público jamais interferiu na linha editorial do seu jornal. Posso testemunhá-lo pessoalmente, não apenas como leitor do Público desde o primeiro número, mas também como director que fui daquele jornal durante breves meses – mas que chegaram para confirmar a nula interferência editorial do seu proprietário.

 

Creio que esta era uma atitude inteligente de Belmiro de Azevedo. Percebeu que, para o seu jornal ter prestígio e autoridade – como aconteceu -, precisava de o livrar de quaisquer suspeitas de ser um instrumento para os fins empresariais, ou outros, do seu proprietário. Portugal deve a Belmiro de Azevedo ter tantos anos financiado um jornal como o Público, sem dele se servir para os seus negócios.

 

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Aumentam assinaturas pagas de meios digitais com algumas surpresas... Ver galeria

As assinaturas pagas são a “tábua de salvação” dos jornais digitais, mas cobrar pelas notícias, neste terreno, é uma estratégia difícil de implementar. Muitos meios de comunicação hesitam em dar este passo, pelo receio de perderem leitores. No entanto, dezenas de outros tiveram êxito, seguindo estratégias diferentes e, também, com diversos graus de sucesso. A FIPP  - Federação Internacional da Imprensa Periódica -  editou recentemente o seu primeiro Global Digital Subscription Snapshot, que permite consultar a tabela com os principais meios online, comparar os seus números de assinantes e preços cobrados e, assim, obter ideias úteis para os que procuram chegar ao desejado equilíbrio financeiro sem terem de perder público.

Como captar audiência e ser fiel ao bom jornalismo Ver galeria

A crise que tem atingido os meios de comunicação, nos últimos anos, com a queda constante das receitas da publicidade e a dependência incerta da adesão dos leitores, tem conduzido editores e jornalistas a apostarem sobretudo nesta segunda direcção. Reatar relações de confiança e construir “audiências leais em torno de um jornalismo de qualidade”, parece ser o único caminho sólido, mesmo que não seja fácil. Os fundamentos da próxima geração de modelos sustentáveis de receita para os media “serão contribuições directas da sua audiência, apoiados por altos níveis de compromisso dos leitores”.

Portanto, uma espécie de “contrato social”, pelo lado do meio de comunicação e dos seus jornalistas, e uma espécie de “conversão pessoal”, pelo lado dos leitores. É esta a linha desenvolvida por um recente estudo do Tow Center for Digital Journalism, da Universidade de Columbia, nos EUA, aqui comentado em artigo publicado na 36ª edição de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

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