Segunda-feira, 22 de Janeiro, 2018
Media

O desgaste, a servidão ao poder e a autocensura nos Media gregos

O último relatório anual dos Repórteres sem Fronteiras atribui à Grécia o 88º lugar, em termos de liberdade de Imprensa, numa lista de 180 países. Este mau diagnóstico não é novidade, mas a demonstração de um desgaste prolongado: “Sete longos anos de crise deixaram à vista as raízes precárias dos meios de comunicação gregos, e revelaram a frágil e por vezes disfuncional estrutura das empresas, com pesos como a forte dependência do poder político (os media como correias de transmissão dos partidos).” Em 2016, a venda de jornais diários teve uma quebra de cerca de 16%. É este o início de uma avaliação assinada por María Antonia Sánchez-Vallejo, especializada sobre a Grécia no El País, e publicada na revista Cuadernos de Periodistas nº 34, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Segundo a autora, “a debilidade do sector é tal que alguns dos media fundados nos anos 90 por empresários mediáticos inopinados, no calor de uma ‘bolha’ desenvolvimentista que depressa se desfez, foram embargados ou estão à beira da ruína, especialmente no sector do audiovisual. A servidão do poder, de qualquer sinal, e o funcionamento de empresas um tanto ‘amadoras’ dominaram esta travessia do deserto que ainda não terminou”. (...) 

“Dantes privilegiada, pela poderosa representatividade do seu sindicato, boas condições laborais e baixa percentagem de desemprego, e hoje condenada ao subemprego  - quando há, com ordenados de 500 euros nos meios digitais -  a classe dos jornalistas é o perfeito reflexo de uma realidade feita em cacos a partir de 2010, ano em que foi negociado o primeiro resgate.”

“Seguir-se-iam mais dois, até desenhar um panorama em que todos os sectores da sociedade grega  - e o dos media não é precisamente uma excepção -  ficaram desvalorizados, como demonstram a perda de mais de 25% do PIB, desde essa altura, e uma quebra que chega quase aos 60% nos salários.” (...) 

María Antonia Sánchez-Vallego recorda como, “por exigências do memorando e dos seus conhecidos cortes, em Junho de 2013 o Governo de Atenas (então composto por conservadores, sociais-democratas e um pequeno partido de centro-esquerda) fechou, da noite para o dia, a radiotelevisão pública, uma entidade ‘paquidérmica’ com quase 2.700 empregados  - reaberta dois anos depois pelo Governo do Syriza, em cumprimento das suas promessas eleitorais”. (...) 

“A uma maior precariedade de suportes e receitas sucedeu, como é evidente, uma menor pluralidade de Informação, uma maior concentração dos meios sobreviventes e uma notável (auto) censura, com escandalosos episódios políticos, administrativos ou judiciais contra alguns informadores. A narrativa da crise, isto é, a articulação de um discurso pró-troika ou anti-austeridade, segundo os casos (em suma, direita contra esquerda), não foi alheia à decantação dos media (e dos seus consumidores) e à tímida reorganização de alguns deles no infinito umbral de possibilidades da Rede.” (...) 

“A agonia de títulos como Eleutheros Typos (de centro-direita) ou Eleutherotypia (de centro-esquerda) prolongou-se durante anos, com suspensão de pagamento aos seus trabalhadores, até que ambos se viram obrigados a fechar. Da equipa do Eleutherotypia saiu há dois anos o Efimerida ton Syntakton (Diário dos redactores), um colectivo experimental em regime de cooperativa que, de momento, goza de alguma saúde, tanto na sua edição impressa como na digital, embora os críticos vejam nisso a mão oculta do Governo (o diário H Afyí, órgão do Syriza, continua aberto, apesar de vender apenas 4.000 exemplares, recordam os críticos).” (...)

  

O artigo de María Antónia Sánchez-Vallejo, na íntegra, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Quatro congressos de jornalistas e gestores de Media em Portugal Ver galeria

Vão decorrer este ano, em Lisboa e Cascais, quase em simultâneo, quatro importantes encontros internacionais de jornalistas, directores e proprietários de media, ou ainda de especialistas nas novas tecnologias digitais aplicadas à comunicação. O título que os agrupa todos é Media Summit, e os dois mais concorridos trazem ao nosso País, cada um deles, perto de um milhar de participantes. Entre o final de Maio e o princípio de Junho, os grandes nomes de referência dos jornais e agências de Imprensa, os Repórteres sem Fronteiras como o Consórcio Internacional de Jornalistas, as plataformas das redes sociais como os representantes da Federação Internacional de Jornalistas, vão poder, pela proximidade física entre todos os eventos, avaliar problemas diversos ou comuns e, eventualmente, marcar encontros entre si.

António Lobo Xavier em Janeiro no novo ciclo de jantares-debate do CPI Ver galeria

O novo ciclo de jantares-debate,  promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o  Grémio Literário, subordinado ao tema genérico O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções” prossegue  no próximo dia 24 de Janeiro, sendo orador convidado António Lobo Xavier, advogado, político e conselheiro de Estado designado por Marcelo Rebelo de Sousa.  

António Bernardo Aranha da Gama Lobo Xavier, de seu nome completo, nasceu em Coimbra em 1959, e é um prestigiado advogado, ligado desde a juventude ao CDS-PP, com uma intervenção política regular e respeitada, designadamente, no programa televisivo “Quadratura do Círculo”, no qual participa desde 2004.


O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Como será o ano de 2018 para os mídia e a actividade publicitária? Vamos então brincar às bolas de cristal. Em primeiro lugar as estações de televisão generalistas estão a perder espectadores e estas quedas são mais rápidas do que se pensava. A culpa, já se sabe, é da internet – que é a razão para todas as crises de mídia do mundo. Explicando melhor, a culpa é do...
Jornalismo melhor ou pior em Portugal?
Francisco Sarsfield Cabral
Esta interrogação vem a propósito de um recente artigo de João Miguel Tavares no Público, refutando afirmações de Pacheco Pereira no mesmo jornal sobre a qualidade do jornalismo no nosso país. Pacheco Pereira sempre foi crítico dos jornalistas portugueses e dos seus métodos de trabalho. Há anos, quando era deputado do PSD, procurou isolar o mais possível, no Parlamento, os deputados dos jornalistas que ali...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...
Se 2016 foi o ano em que se tornou evidente o impacto do Facebook e da Google nos meios de comunicação social tradicionais em termos de perda de receita publicitária, então 2017 foi quando se tornou impossível ignorar outros impactos. O ano que agora começa pode acelerar essas tendências ou testemunhar uma intensificação dos esforços recentes para as contrariar. No Reino Unido, o Parlamento deu ao Facebook e ao Twitter...
Gostaria de felicitar a Assembleia da República pela organização desta Conferência sobre a agência portuguesa de notícias – LUSA. Três razões justificam, só por si, a iniciativa. Passo a enunciá-las. Primeira razão: a LUSA é hoje, e de longe, o principal fornecedor de conteúdos para os órgãos de comunicação social portugueses. Cerca de 70% do material informativo que...
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