Segunda-feira, 22 de Outubro, 2018
Media

Primeira experiência de jornais digitais em Portugal fez agora 20 anos

O primeiro órgão de comunicação social exclusivamente online à partida, em Portugal, nasceu há exactamente 20 anos; chamava-se então Canal de Negócios. A edição impressa apareceu dois meses depois, em Janeiro de 1998, e ainda como semanário. “O Negócios nasce como um site que tem um jornal”  -  conta Pedro Santos Guerreiro, um dos fundadores. “Foi o primeiro em Portugal, e julgo que o único até hoje, que fez este percurso.” Três grandes diários generalistas (Jornal de Notícias, Público, Diário de Notícias) lançaram as suas edições online ao longo de 1995, o semanário Expresso em 1997 e o Correio da Manhã no ano seguinte. Em Julho de 1999 apareceu o Diário Digital, publicação exclusivamente online.

Esta cronologia, que aqui citamos do Jornal de Negócios, foi compilada por Hélder Bastos, professor da Universidade do Porto, no livro publicado em 2011:
"Da implementação à estagnação: os primeiros doze anos de ciberjornalismo em Portugal".

Olhando para trás, “os media portugueses foram-se adaptando, como puderam, à era digital, que sempre andou muito mais depressa do que eles nas duas últimas décadas”, disse ao Negócios Hélder Bastos, doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa. “Em geral, a adaptação foi lenta e inadequada em termos de meios (sobretudo humanos e financeiros), de conteúdos e de linguagens”, acrescentou.


“No final de 1996, data em que também nasceu a TSF Online, "o mercado de trabalho na área dos novos media era ainda muito incipiente. A maior parte dos diários nem sequer tinha jornalistas a tempo inteiro nas suas edições electrónicas”, relembra o professor no mesmo livro. 

“O virar do milénio foi marcado por uma fase de euforia, com os grupos de media a mergulharem praticamente todos os títulos de informação na Internet, mas também a lançarem novas ofertas digitais. O Diário Digital, lançado em Julho de 1999, é um dos exemplos”. 

Esteve online durante 17 anos. Como conta o seu fundador, Luís Delgado, “os primeiros dez a doze anos correram muito bem mas, a partir do momento em que os grandes grupos de media começaram a apostar no online, começou a haver dificuldades”, nomeadamente na distribuição das receitas publicitárias. “O bolo começou a ser dividido por muitos.” (...) 

“Com o foco no online, as vendas dos jornais foram caindo. As receitas publicitárias digitais não eram suficientes para sustentar todos os projectos que foram nascendo, o que levou a que, a partir do ano 2000, as empresas começassem a reduzir o número de trabalhadores e, em alguns casos, a fechar.” (...) 

Nestes seus 20 anos de vida, o Jornal de Negócios conheceu sete directores: o primeiro foi José Diogo Madeira, até Março de 2000, depois Rui Borges durante um ano e meio e, até Outubro de 2002, novamente José Diogo Madeira. O jornal passou então para a direcção de Sérgio Figueiredo, até Fevereiro de 2007, e a partir desta data para Pedro Santos Guerreiro. Em 2013 foi Helena Garrido a assumir essa função, e Raul Vaz a partir de 2016, sendo substituído em Novembro de 2017 por André Veríssimo.

 

Mais informação no artigo citado, do Jornal de Negócios, cujos fundadores contam também a história em vídeo

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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