Sexta-feira, 15 de Dezembro, 2017
Media

Primeira experiência de jornais digitais em Portugal fez agora 20 anos

O primeiro órgão de comunicação social exclusivamente online à partida, em Portugal, nasceu há exactamente 20 anos; chamava-se então Canal de Negócios. A edição impressa apareceu dois meses depois, em Janeiro de 1998, e ainda como semanário. “O Negócios nasce como um site que tem um jornal”  -  conta Pedro Santos Guerreiro, um dos fundadores. “Foi o primeiro em Portugal, e julgo que o único até hoje, que fez este percurso.” Três grandes diários generalistas (Jornal de Notícias, Público, Diário de Notícias) lançaram as suas edições online ao longo de 1995, o semanário Expresso em 1997 e o Correio da Manhã no ano seguinte. Em Julho de 1999 apareceu o Diário Digital, publicação exclusivamente online.

Esta cronologia, que aqui citamos do Jornal de Negócios, foi compilada por Hélder Bastos, professor da Universidade do Porto, no livro publicado em 2011:
"Da implementação à estagnação: os primeiros doze anos de ciberjornalismo em Portugal".

Olhando para trás, “os media portugueses foram-se adaptando, como puderam, à era digital, que sempre andou muito mais depressa do que eles nas duas últimas décadas”, disse ao Negócios Hélder Bastos, doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa. “Em geral, a adaptação foi lenta e inadequada em termos de meios (sobretudo humanos e financeiros), de conteúdos e de linguagens”, acrescentou.


“No final de 1996, data em que também nasceu a TSF Online, "o mercado de trabalho na área dos novos media era ainda muito incipiente. A maior parte dos diários nem sequer tinha jornalistas a tempo inteiro nas suas edições electrónicas”, relembra o professor no mesmo livro. 

“O virar do milénio foi marcado por uma fase de euforia, com os grupos de media a mergulharem praticamente todos os títulos de informação na Internet, mas também a lançarem novas ofertas digitais. O Diário Digital, lançado em Julho de 1999, é um dos exemplos”. 

Esteve online durante 17 anos. Como conta o seu fundador, Luís Delgado, “os primeiros dez a doze anos correram muito bem mas, a partir do momento em que os grandes grupos de media começaram a apostar no online, começou a haver dificuldades”, nomeadamente na distribuição das receitas publicitárias. “O bolo começou a ser dividido por muitos.” (...) 

“Com o foco no online, as vendas dos jornais foram caindo. As receitas publicitárias digitais não eram suficientes para sustentar todos os projectos que foram nascendo, o que levou a que, a partir do ano 2000, as empresas começassem a reduzir o número de trabalhadores e, em alguns casos, a fechar.” (...) 

Nestes seus 20 anos de vida, o Jornal de Negócios conheceu sete directores: o primeiro foi José Diogo Madeira, até Março de 2000, depois Rui Borges durante um ano e meio e, até Outubro de 2002, novamente José Diogo Madeira. O jornal passou então para a direcção de Sérgio Figueiredo, até Fevereiro de 2007, e a partir desta data para Pedro Santos Guerreiro. Em 2013 foi Helena Garrido a assumir essa função, e Raul Vaz a partir de 2016, sendo substituído em Novembro de 2017 por André Veríssimo.

 

Mais informação no artigo citado, do Jornal de Negócios, cujos fundadores contam também a história em vídeo

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

O "jornalismo - espectáculo" que condena inocentes na praça pública Ver galeria

A investigação de suspeitos de qualquer conduta ilícita ou criminal é realizada pelas autoridades judiciais, que procuram provas para instrução de processo. Tendo conhecimento dessas condutas, também os meios de comunicação fazem a necessária investigação, para apuramento dos factos e posterior publicação. Uns e outros vão cruzar-se no mesmo terreno  - contidos, de ambos os lados, pelo cumprimento da lei e pela deontologia profissional. Mas o pior pode acontecer quando agentes da autoridade e repórteres se juntam para fazer “jornalismo do espectáculo”. A jornalista Nereide Beirão parte do ocorrido em 1994, com o caso que ficou conhecido como Escola Base, em São Paulo. Descreve o que sucedeu e acrescenta o exemplo de mais alguns casos da mesma natureza. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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