Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Media

Primeira experiência de jornais digitais em Portugal fez agora 20 anos

O primeiro órgão de comunicação social exclusivamente online à partida, em Portugal, nasceu há exactamente 20 anos; chamava-se então Canal de Negócios. A edição impressa apareceu dois meses depois, em Janeiro de 1998, e ainda como semanário. “O Negócios nasce como um site que tem um jornal”  -  conta Pedro Santos Guerreiro, um dos fundadores. “Foi o primeiro em Portugal, e julgo que o único até hoje, que fez este percurso.” Três grandes diários generalistas (Jornal de Notícias, Público, Diário de Notícias) lançaram as suas edições online ao longo de 1995, o semanário Expresso em 1997 e o Correio da Manhã no ano seguinte. Em Julho de 1999 apareceu o Diário Digital, publicação exclusivamente online.

Esta cronologia, que aqui citamos do Jornal de Negócios, foi compilada por Hélder Bastos, professor da Universidade do Porto, no livro publicado em 2011:
"Da implementação à estagnação: os primeiros doze anos de ciberjornalismo em Portugal".

Olhando para trás, “os media portugueses foram-se adaptando, como puderam, à era digital, que sempre andou muito mais depressa do que eles nas duas últimas décadas”, disse ao Negócios Hélder Bastos, doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa. “Em geral, a adaptação foi lenta e inadequada em termos de meios (sobretudo humanos e financeiros), de conteúdos e de linguagens”, acrescentou.


“No final de 1996, data em que também nasceu a TSF Online, "o mercado de trabalho na área dos novos media era ainda muito incipiente. A maior parte dos diários nem sequer tinha jornalistas a tempo inteiro nas suas edições electrónicas”, relembra o professor no mesmo livro. 

“O virar do milénio foi marcado por uma fase de euforia, com os grupos de media a mergulharem praticamente todos os títulos de informação na Internet, mas também a lançarem novas ofertas digitais. O Diário Digital, lançado em Julho de 1999, é um dos exemplos”. 

Esteve online durante 17 anos. Como conta o seu fundador, Luís Delgado, “os primeiros dez a doze anos correram muito bem mas, a partir do momento em que os grandes grupos de media começaram a apostar no online, começou a haver dificuldades”, nomeadamente na distribuição das receitas publicitárias. “O bolo começou a ser dividido por muitos.” (...) 

“Com o foco no online, as vendas dos jornais foram caindo. As receitas publicitárias digitais não eram suficientes para sustentar todos os projectos que foram nascendo, o que levou a que, a partir do ano 2000, as empresas começassem a reduzir o número de trabalhadores e, em alguns casos, a fechar.” (...) 

Nestes seus 20 anos de vida, o Jornal de Negócios conheceu sete directores: o primeiro foi José Diogo Madeira, até Março de 2000, depois Rui Borges durante um ano e meio e, até Outubro de 2002, novamente José Diogo Madeira. O jornal passou então para a direcção de Sérgio Figueiredo, até Fevereiro de 2007, e a partir desta data para Pedro Santos Guerreiro. Em 2013 foi Helena Garrido a assumir essa função, e Raul Vaz a partir de 2016, sendo substituído em Novembro de 2017 por André Veríssimo.

 

Mais informação no artigo citado, do Jornal de Negócios, cujos fundadores contam também a história em vídeo

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...