null, 26 de Maio, 2019
Media

Primeira experiência de jornais digitais em Portugal fez agora 20 anos

O primeiro órgão de comunicação social exclusivamente online à partida, em Portugal, nasceu há exactamente 20 anos; chamava-se então Canal de Negócios. A edição impressa apareceu dois meses depois, em Janeiro de 1998, e ainda como semanário. “O Negócios nasce como um site que tem um jornal”  -  conta Pedro Santos Guerreiro, um dos fundadores. “Foi o primeiro em Portugal, e julgo que o único até hoje, que fez este percurso.” Três grandes diários generalistas (Jornal de Notícias, Público, Diário de Notícias) lançaram as suas edições online ao longo de 1995, o semanário Expresso em 1997 e o Correio da Manhã no ano seguinte. Em Julho de 1999 apareceu o Diário Digital, publicação exclusivamente online.

Esta cronologia, que aqui citamos do Jornal de Negócios, foi compilada por Hélder Bastos, professor da Universidade do Porto, no livro publicado em 2011:
"Da implementação à estagnação: os primeiros doze anos de ciberjornalismo em Portugal".

Olhando para trás, “os media portugueses foram-se adaptando, como puderam, à era digital, que sempre andou muito mais depressa do que eles nas duas últimas décadas”, disse ao Negócios Hélder Bastos, doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa. “Em geral, a adaptação foi lenta e inadequada em termos de meios (sobretudo humanos e financeiros), de conteúdos e de linguagens”, acrescentou.


“No final de 1996, data em que também nasceu a TSF Online, "o mercado de trabalho na área dos novos media era ainda muito incipiente. A maior parte dos diários nem sequer tinha jornalistas a tempo inteiro nas suas edições electrónicas”, relembra o professor no mesmo livro. 

“O virar do milénio foi marcado por uma fase de euforia, com os grupos de media a mergulharem praticamente todos os títulos de informação na Internet, mas também a lançarem novas ofertas digitais. O Diário Digital, lançado em Julho de 1999, é um dos exemplos”. 

Esteve online durante 17 anos. Como conta o seu fundador, Luís Delgado, “os primeiros dez a doze anos correram muito bem mas, a partir do momento em que os grandes grupos de media começaram a apostar no online, começou a haver dificuldades”, nomeadamente na distribuição das receitas publicitárias. “O bolo começou a ser dividido por muitos.” (...) 

“Com o foco no online, as vendas dos jornais foram caindo. As receitas publicitárias digitais não eram suficientes para sustentar todos os projectos que foram nascendo, o que levou a que, a partir do ano 2000, as empresas começassem a reduzir o número de trabalhadores e, em alguns casos, a fechar.” (...) 

Nestes seus 20 anos de vida, o Jornal de Negócios conheceu sete directores: o primeiro foi José Diogo Madeira, até Março de 2000, depois Rui Borges durante um ano e meio e, até Outubro de 2002, novamente José Diogo Madeira. O jornal passou então para a direcção de Sérgio Figueiredo, até Fevereiro de 2007, e a partir desta data para Pedro Santos Guerreiro. Em 2013 foi Helena Garrido a assumir essa função, e Raul Vaz a partir de 2016, sendo substituído em Novembro de 2017 por André Veríssimo.

 

Mais informação no artigo citado, do Jornal de Negócios, cujos fundadores contam também a história em vídeo

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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