Sexta-feira, 22 de Fevereiro, 2019
Estudo

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada...

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

A obra é de dois docentes de ciência política, Brigitte Le Grignou e Erik Neveu, e vai ser apresentada numa próxima “Quinta-feira do Acrimed”, a de 7 de Dezembro. O texto que citamos, do site deste Observatório dos Media em França, recolhe estractos de dois parágrafos que servem para “abrir o apetite” aos estudiosos ou leitores mais interessados por esta temática. 

“Se o tempo passado diante do televisor vai baixando ligeiramente desde a década de 2010, este meio de comunicação, descrito como estando em fase terminal, mobiliza ainda, em média, cerca de quatro horas de atenção por dia, em França  - sem falar da televisão vista noutros ecrãs. Um belo boletim de saúde para uma moribunda!” (...) 

Quando se diz que “toda a gente fala dela”, trata-se em primeiro lugar dos profissionais da televisão, que naturalmente fazem ouvir a sua voz, e cujas contribuições “oferecem uma versão pouco crítica, muitas vezes encantada ou heróica, do seu trabalho”. É o caso do “papel central dos jornalistas políticos em tempo de campanha, onde a eleição ‘se faz’ nos estúdios”. (...)

“Desde a sua aparição nos lares americanos, nos anos de 1950, a televisão foi objecto de uma quantidade de discursos proféticos, promocionais ou de denúncia, sobre os seus supostos benefícios para a harmonia familiar ou os seus perigos para a saúde.” (...) 

Houve, mais tarde, livros inteiros sobre a sua influência nefasta para a democracia e a reflexão, por vezes com regresso a raciocínios pobres, usando analogias vagas, como a do “sistema romano do pão e circo”, ou a “redução a comportamentos reflexos dos nossos aparelhos cerebrais e dos nossos sistemas nervosos esgotados”. (...) 

O texto de apresentação deste livro, que citamos do Acrimed, conclui: 

“Nota-se deste modo que os intelectuais dos media, ocupantes quase permanentes dos estúdios de televisão, são pouco críticos  - a menos que seja para se queixarem de já não serem mais vezes convidados -  de um meio que é a condição da sua existência. Os discursos de denúncia encontram, assim, mais reflexo na Imprensa escrita, nos debates radiofónicos, ou em redes intelectuais ligadas ao mundo da escola, onde se defende uma ‘televisão pedagógica’ contra a da estupidez ou da vulgaridade.” (...) 

 

O texto na íntegra, no site de Acrimed, que publica também uma recensão mais desenvolvida do livro apresentado

Connosco
Jorge Soares em Fevereiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

Prossegue a 27  Fevereiro o ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, promovido pelo CPI, em parceria com o CNC e o Grémio Literário, tendo como orador convidado o Prof. Jorge Soares, que preside ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, desde 2016, preenchendo o lugar deixado vago por morte de João Lobo Antunes.  

Director do Programa Gulbenkian Inovar em Saúde, da Fundação Calouste Gulbenkian, Jorge Soares já fazia parte daquele Conselho, antes de ser eleito para a sua presidência .

O seu currículo é vasto. Presidiu também à  Comissão Externa para Avaliação da Qualidade do Ensino, e, mais tarde,  assumiu a vice-presidência da Comissão de Ética da Fundação Champalimaud, e, a partir de 2016, foi presidente da Comissão Nacional dos Centros de Referência. É Perito Nacional na União Europeia do 3rd Programme “EuropeAgainst Cancer” .

Expressiva manifestação em Bratislava evocando jornalista morto Ver galeria
“Esperamos respostas tão breve quanto possível, porque ainda há muitas questões”  - afirmou.
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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