Sábado, 25 de Maio, 2019
Estudo

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada...

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

A obra é de dois docentes de ciência política, Brigitte Le Grignou e Erik Neveu, e vai ser apresentada numa próxima “Quinta-feira do Acrimed”, a de 7 de Dezembro. O texto que citamos, do site deste Observatório dos Media em França, recolhe estractos de dois parágrafos que servem para “abrir o apetite” aos estudiosos ou leitores mais interessados por esta temática. 

“Se o tempo passado diante do televisor vai baixando ligeiramente desde a década de 2010, este meio de comunicação, descrito como estando em fase terminal, mobiliza ainda, em média, cerca de quatro horas de atenção por dia, em França  - sem falar da televisão vista noutros ecrãs. Um belo boletim de saúde para uma moribunda!” (...) 

Quando se diz que “toda a gente fala dela”, trata-se em primeiro lugar dos profissionais da televisão, que naturalmente fazem ouvir a sua voz, e cujas contribuições “oferecem uma versão pouco crítica, muitas vezes encantada ou heróica, do seu trabalho”. É o caso do “papel central dos jornalistas políticos em tempo de campanha, onde a eleição ‘se faz’ nos estúdios”. (...)

“Desde a sua aparição nos lares americanos, nos anos de 1950, a televisão foi objecto de uma quantidade de discursos proféticos, promocionais ou de denúncia, sobre os seus supostos benefícios para a harmonia familiar ou os seus perigos para a saúde.” (...) 

Houve, mais tarde, livros inteiros sobre a sua influência nefasta para a democracia e a reflexão, por vezes com regresso a raciocínios pobres, usando analogias vagas, como a do “sistema romano do pão e circo”, ou a “redução a comportamentos reflexos dos nossos aparelhos cerebrais e dos nossos sistemas nervosos esgotados”. (...) 

O texto de apresentação deste livro, que citamos do Acrimed, conclui: 

“Nota-se deste modo que os intelectuais dos media, ocupantes quase permanentes dos estúdios de televisão, são pouco críticos  - a menos que seja para se queixarem de já não serem mais vezes convidados -  de um meio que é a condição da sua existência. Os discursos de denúncia encontram, assim, mais reflexo na Imprensa escrita, nos debates radiofónicos, ou em redes intelectuais ligadas ao mundo da escola, onde se defende uma ‘televisão pedagógica’ contra a da estupidez ou da vulgaridade.” (...) 

 

O texto na íntegra, no site de Acrimed, que publica também uma recensão mais desenvolvida do livro apresentado

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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