Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

... e Murdoch faz diagnóstico optimista à saúde dos seus jornais

Rupert Murdoch, fundador e director executivo da News Corp, falou dos media do grupo sublinhando a boa forma dos três grandes jornais “nacionais”: The Wall Street Journal, nos Estados Unidos, The Times, em Londres, e The Australian, no seu país natal. Quanto aos outros, embora muitos continuem viáveis, admitiu que lutam pela sobrevivência. E um dos principais problemas vem da publicidade digital, que foi “extremamente danosa para a Imprensa”. Estas declarações foram proferidas durante a reunião anual da News Corp, em Los Angeles, onde Murdoch e os seus dois filhos, Lachlan e James, foram reconduzidos nos cargos. 

Em resposta à pergunta sobre se o grupo tem em projecto mais aquisições, respondeu claramente que não: “Já temos as mãos suficientemente ocupadas mantendo viáveis os nossos jornais.” 

Além dos citados acima, a News Corp publica os jornais australianos Daily Telegraph, Herald Sun and Courier Mail  - bem como o New York Post e, no Reino Unido, The Sun

“Os resultados do primeiro trimestre do ano fiscal revelaram que as receitas do ramo noticioso da News Corp aumentaram 2% em relação ao ano anterior. As receitas da publicidade impressa permaneceram estáveis, enquanto as do digital registaram uma pequena subida.” 

“As operações digitais representaram 27% do total das receitas trimestrais. The Wall Street Journal viu crescer as assinaturas 13,3%, chegando aos 2,2 milhões. Os assinantes exclusivamente digitais subiram para um milhão e 318 mil.” (…)

 

Mais informação em Media-tics e The Guardian

 

 

 

 

 

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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