Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Media

Imprensa nas mãos de grupos financeiros "proletariza" jornalistas

“Um jornal, hoje, não pode viver sem se pôr de joelhos diante da Google”. Foi esta a síntese de Casimiro García Abadillo, director de El Independiente, na comemoração do centenário do jornal El Sol. Disse ainda que as quedas da tiragem e da receita publicitária, desde a chegada da Internet, trouxeram uma “debilidade financeira” que permitiu que os grandes jornais fossem apropriados pela banca e outros grupos empresariais. Outra consequência foi a perda de emprego para muitos profissionais e uma desvalorização salarial que “proletarizou [a profissão] até limites insuportáveis”. A reportagem é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Durante a mesa-redonda, que teve como moderadora a presidente da APM, Victoria Prego, Casimiro García Abadillo sublinhou ainda que, “diante desta avalanche de subjectivismo e de populismo, temos que voltar à essência: à verdade, à importância e à exclusividade das informações”. 

Segundo afirmou, o papel dos jornalistas e dos media é o de “sermos o mais possível fiéis à realidade, independentemente do que pensemos”: 

“Se não recuperarmos o bom jornalismo, estamos condenados a uma sociedade absolutamente intransigente e controlada por pessoas absolutamente ocultas.” E citou os valores do El Sol, cujo centenário era celebrado na sessão, como “os valores de um grande jornalismo que não deve nunca morrer”. 

No mesmo sentido, o jornalista José Antonio Zarzalegos, ex-director de El Correo e do ABC, falou da “perda de capacidades intelectuais e éticas” na profissão: 

“Os media perderam, e foi-lhes arrebatada, a capacidade de prescrição e de prospecção.” 

Esta perda da capacidade de prescição e prospecção é patente, como disse, nas últimas eleições nos EUA, no triunfo do Brexit ou no referendo colombiano para ratificar o acordo do governo do Presidente Santos com as FARC. 

No caso de Espanha, citou a questão da Catalunha e o processo soberanista, que está “sustentado em ‘pós-verdades’ que se ligam com o pior dos populismos, onde os media, por acção ou por omissão, desempenharam e continuam a desempenhar um papel pouco brilhante”. (...) 


Mais informação no artigo da APM

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