Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

A Imprensa francesa surpreende com aumento de vendas

Os jornais franceses tiveram uma subida constante das suas vendas durante os primeiros nove meses do ano. Le Monde vai à frente, com o maior crescimento, de 6,55% (e uma tiragem que já chegou aos 284 mil exemplares), seguido por Le Figaro (+ 3,18%) e L’Equipe (+ 3,15%). Quanto à leitura nos respectivos sites, Le Figaro liderava em Outubro, com mais de 108 milhões de visitas, seguido por Le Monde, com 105,4 milhões. Estes números contrastam com os da vizinha Espanha, onde os seis diários de maior tiragem registavam, em Setembro, uma quebra de 10,4% nas suas vendas, em comparação com o período homólogo de 2016.

Esta situação surpreendente suscita perguntas. Segundo Philippe Rincé, director executivo do observatório da Imprensa ACPM-OJD, os bons resultados em França “devem-se fundamentalmente ao facto de 2017 ter sido um ano bom para as notícias, e em que houve uma mudança da impressão para o digital”. 

“A Espanha também viveu um período de máximo interesse pela actualidade, devido à situação na Catalunha, mas os diários não conseguiram  que se traduzisse em vendas.” 

Segundo Media-tics, que aqui citamos, “os media franceses souberam aproveitar este interesse dos cidadãos pelos acontecimentos nacionais e internacionais; além disso, demonstraram capacidade de exploração do digital, algo que ainda não conseguiram os meios tradicionais em Espanha”. 

Lemonde.fr vai chegar ao final do ano com 160 mil assinantes exclusivamente no digital. Este ramo de negócio tornou-se o mais rentável do grupo. O diário da tarde, como também Le Figaro e Les Echos, oferecem preços muito atraentes que ajudam a recrutar novos assinantes digitais.” (...) 

“A sua estratégia de diferenciar-se dos competidores com conteúdos exclusivos tem dado frutos: a recente publicação da investigação dos Paradise Papers permitiu-lhe triplicar numa semana o número de assinantes digitais, em comparação com uma semana normal.” 


Mais informação em Media-tics

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Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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