Segunda-feira, 22 de Outubro, 2018
Estudo

Jornalismo de investigação em crise por falta de suporte financeiro

“Podíamos pensar que não devia haver discussão a respeito da importância do jornalismo de investigação. Mas o colapso da base financeira do jornalismo nestes últimos 15 anos causou muitas vítimas, e uma das principais foi o campo da investigação. (...) O jornalismo de investigação passou a ser visto, cada vez mais, como um desperdício de tempo, custoso e ineficiente.” Esta reflexão faz parte da síntese de apresentação do novo relatório produzido pelo Global Investigative Journalism Network, que desmente o preconceito e demonstra o verdadeiro impacto do jornalismo de investigação, bem como o seu contributo essencial para uma vida democrática saudável.

“A revolução digital não está apenas a dilacerar, está de facto a destruir os modelos de negócio que produziram quase todo o jornalismo de qualidade neste quarto de século depois do Watergate”  -  afirma Richard Tofel, presidente da ProPublica, em texto publicado na Harvard Law Today. Este problema é particularmente agudo no que diz respeito à reportagem de investigação. 

“Cada vez mais, as empresas noticiosas sentem-se coagidas a investir os seus recursos numa cobertura rápida e frenética [fast and furious, no original], onde acham que vão obter mais proveito pelo dinheiro gasto [more bang for the buck, no original].” (...)

A verdade é que, como foi revelado na Stanford University, “se avaliarmos o custo da produção de grandes reportagens pelo valor em dólares dos resultados sociais produzidos, então o valor desse jornalismo é extraordinário. ‘Cada dólar gasto numa reportagem pode gerar centenas de dólares de lucro’ – escreve o economista James Hamilton no seu livro de 2016, Democracy’s Detectives.” 

Preet Bharara, que era em Setembro de 2016 o US Attorney [Procurador Público] do Distrito Sul de Nova Iorque, reconheceu a importância do jornalismo de investigação no seu próprio combate à corrupção naquela cidade: 

“Grande parte do melhor trabalho que os investigadores e vigilantes legais conseguem fazer vem do trabalho que os jornalistas fazem. Eu exortaria qualquer pessoa com capacidade para apoiar o jornalismo de investigação a investir dinheiro nele, porque é dinheiro bem gasto e é bom para o público.” (...) 

O texto que citamos, do GIJN, afirma ainda: 

“O jornalismo de investigação ilumina. Aponta um foco aos cantos mais escuros do comportamento humano, das empresas e dos governos. Revela os secredos que os malfeitores gostariam que continuassem ocultos. E desencadeia acção correctiva  -  das pessoas, das agências e das instituições que podem corrigir os males que ele expõe.” (...) 

O relatório agora apresentado revela que é possível “medir quantitativamente o impacto do jornalismo”, embora os instrumentos acessíveis “não sejam tão directos como a medição das audiências ou do tráfego de websites”: 

“Há muito a fazer nesta área, e tanto este como outros projectos semelhantes são apenas passos nessa direcção. Mas muito progresso tem sido feito em poucos anos. O que temos descoberto leva-nos a concluir que o impacto do jornalismo de investigação pode de facto ser avaliado, e que a sua influência é em proporção muito maior que o seu custo.” (...) 

 

O artigo citado, na íntegra, no GIJN, e o relatório Investigative Impact

Connosco
Jornalista e historiador de Macau vencem Prémio de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia Ver galeria

O Júri dos Prémios de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, instituídos pelo Jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, escolheu, por unanimidade, na primeira categoria, o trabalho "Ler sem limites", da jornalista Catarina Brites Soares, publicado no semanário Plataforma, em Macau.

Na categoria Ensaio, atribuída este ano pela primeira vez, foi distinguido o original do historiador António Aresta, de Macau, intitulado "Miguel Torga: um poeta português em Macau".

Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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Opinião
Volta e meia defrontamo-nos com a expressão “cord-cutting”, em referência à alteração de comportamentos nos espectadores de televisão. Que quer isto dizer? Muito simplesmente a expressão indica a decisão de deixar de ter um serviço de televisão paga por cabo, para passar a ver TV somente através de streaming – seja na Netflix, na Amazon ou numa das outras plataformas que começam a...

Na edição de 15 de Setembro o Expresso inseria como manchete, ao alto da primeira página, o seguinte titulo: “Acordo à vista para manter a PGR”. Como se viu, o semanário, habitualmente tido por bem informado, falhou redondamente.

Seria de esperar, em tal contexto, que se retratasse na edição seguiste. E fê-lo, ao publicar uma nota editorial a que chamou “O Expresso errou”.

Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
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