Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
Estudo

Jornalismo de investigação em crise por falta de suporte financeiro

“Podíamos pensar que não devia haver discussão a respeito da importância do jornalismo de investigação. Mas o colapso da base financeira do jornalismo nestes últimos 15 anos causou muitas vítimas, e uma das principais foi o campo da investigação. (...) O jornalismo de investigação passou a ser visto, cada vez mais, como um desperdício de tempo, custoso e ineficiente.” Esta reflexão faz parte da síntese de apresentação do novo relatório produzido pelo Global Investigative Journalism Network, que desmente o preconceito e demonstra o verdadeiro impacto do jornalismo de investigação, bem como o seu contributo essencial para uma vida democrática saudável.

“A revolução digital não está apenas a dilacerar, está de facto a destruir os modelos de negócio que produziram quase todo o jornalismo de qualidade neste quarto de século depois do Watergate”  -  afirma Richard Tofel, presidente da ProPublica, em texto publicado na Harvard Law Today. Este problema é particularmente agudo no que diz respeito à reportagem de investigação. 

“Cada vez mais, as empresas noticiosas sentem-se coagidas a investir os seus recursos numa cobertura rápida e frenética [fast and furious, no original], onde acham que vão obter mais proveito pelo dinheiro gasto [more bang for the buck, no original].” (...)

A verdade é que, como foi revelado na Stanford University, “se avaliarmos o custo da produção de grandes reportagens pelo valor em dólares dos resultados sociais produzidos, então o valor desse jornalismo é extraordinário. ‘Cada dólar gasto numa reportagem pode gerar centenas de dólares de lucro’ – escreve o economista James Hamilton no seu livro de 2016, Democracy’s Detectives.” 

Preet Bharara, que era em Setembro de 2016 o US Attorney [Procurador Público] do Distrito Sul de Nova Iorque, reconheceu a importância do jornalismo de investigação no seu próprio combate à corrupção naquela cidade: 

“Grande parte do melhor trabalho que os investigadores e vigilantes legais conseguem fazer vem do trabalho que os jornalistas fazem. Eu exortaria qualquer pessoa com capacidade para apoiar o jornalismo de investigação a investir dinheiro nele, porque é dinheiro bem gasto e é bom para o público.” (...) 

O texto que citamos, do GIJN, afirma ainda: 

“O jornalismo de investigação ilumina. Aponta um foco aos cantos mais escuros do comportamento humano, das empresas e dos governos. Revela os secredos que os malfeitores gostariam que continuassem ocultos. E desencadeia acção correctiva  -  das pessoas, das agências e das instituições que podem corrigir os males que ele expõe.” (...) 

O relatório agora apresentado revela que é possível “medir quantitativamente o impacto do jornalismo”, embora os instrumentos acessíveis “não sejam tão directos como a medição das audiências ou do tráfego de websites”: 

“Há muito a fazer nesta área, e tanto este como outros projectos semelhantes são apenas passos nessa direcção. Mas muito progresso tem sido feito em poucos anos. O que temos descoberto leva-nos a concluir que o impacto do jornalismo de investigação pode de facto ser avaliado, e que a sua influência é em proporção muito maior que o seu custo.” (...) 

 

O artigo citado, na íntegra, no GIJN, e o relatório Investigative Impact

Connosco
Quando os repórteres são os heróis que nos fazem falta Ver galeria

Parece excessivo declarar que os repórteres são os heróis do nosso tempo, como vem no título do texto que aqui citamos. Quem o diz não é um jornalista, mas um historiador. E explica porquê, e de que repórteres está a falar. Trata-se daqueles que assumem riscos e perdem a vida para investigar a verdade do que sucede à nossa volta  - e esse tipo de reportagem de investigação “é um pedacinho microscópico dessa coisa a que chamamos media”.

Os repórteres que “correm riscos pela verdade” fazem-no por todos nós, incluindo pelos soldados que vamos ou não enviar para a frente de batalha. O único modo de avaliarmos as guerras em que nos envolvemos é tendo repórteres “com a coragem e a capacidade de irem lá fazer reportagem”. Esta reflexão é do historiador norte-americano Timothy Snyder, que citamos da Global Investigative Journalism Network.

O jornalismo com mais “clics” pode não ser o mais lido Ver galeria

Pode acontecer que o melhor jornalismo nem seja o que é mais lido. Não gostamos de ouvir esta notícia, mas foi disto e de outras coisas parecidas que se falou no XXI Laboratorio de Periodismo da APM, o debate periódico sobre temas de actualidade que, na sua edição de Abril de 2017, teve por tema “O que lêem e o que não lêem os leitores”. O encontro decorreu na sede da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  e foi moderado por Nemésio Rodríguez, vice-presidente da APM e actual presidente da FAPE – Federación de las Asociaciones de Periodistas de España.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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O Poder do Dever
Luís Queirós
No passado dia 14 de março, Maria Joana Raposo Marques Vidal foi falar ao Grémio Literário no ciclo que ali decorre sob o tema: "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. Na sua longa  intervenção  falou  do Ministério Público e de Justiça e ajudou os leigos na matéria - como...
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24
Abr
Social Media Week New York 2018
09:00 @ Sheraton Times Square, Nova Iorque
24
Abr
Social Media Strategies Summit Chicago 2018
22:00 @ Union League Club, Chicago
25
Abr
8º Congresso Nacional de "Periodismo Autónomo y Freelance: ‘La revolución audiovisual’"
09:00 @ Sala de Conferências da Faculdade de Ciências de Informação, Universidade de Madrid
28
Abr
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa