Sábado, 30 de Maio, 2020
Estudo

Redes sociais ganham em Espanha vantagem na informação sobre os “media” tradicionais

A televisão em Espanha perdeu globalmente três pontos percentuais na sua audiência, enquanto as redes sociais ganharam treze, verificando-se que a população menor de 34 anos utiliza aquelas redes como primeira fonte de informação.

Ainda que a televisão continue a ser a principal fonte de informação em Espanha, a importância das redes sociais tem vindo a aumentar progressivamente, segundo apurou a Encuesta de Impacto del Periodismo, relativa ao ano em curso, conforme revela um estudo realizado para a Asociación de la Prensa de Madrid (APM), com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Ao serem questionados acerca de como haviam recebido a informação de actualidade na ultima semana, 75% dos espanhóis citava a televisão em primeiro lugar, enquanto 48% das noticias lhes chegavam através das redes sociais.

Em comparação com os dados do ano passado, a televisão perdeu terreno. É importante, aliás, realçar que, para os segmentos mais jovens da população – 15 a 24 e 25 a 34 anos – as redes sociais representam o essencial do seu espaço informativo.

Depois da televisão e das redes sociais os espanhóis informam-se, sobretudo, em publicações digitais (42%), rádio (41%) e jornais (25%).

O referido estudo da APM também indaga acerca da atitude dos espanhóis na hora de se informarem.

Ficou a saber-se, assim, que 77% respondeu que procura, pessoalmente, a informação de actualidade nos media tradicionais, ao mesmo tempo que 23% escolhem as redes sociais (Facebook e WhatsApp).

O estudo foi realizado telefonicamente, entre 2 e 14 de Outubro, com uma amostra certificada de 1002 pessoas, representativa do conjunto da sociedade espanhola, residente na península, Baleares e Canárias.

Este fenómeno de transferência de consumidores de informação para as redes sociais e outros meios digitais, não é novo, e em Portugal também tem vindo a progredir de uma forma arrasadora para a imprensa escrita, que não tem sabido reconfigurar-se para segurar os seus leitores, oferecendo-lhes contrapartidas qualitativas que não constam, obviamente, na lógica das redes sociais.


Por outro lado, tem-se verificado, e Portugal não é excepção, que os jornalistas acabam reféns do jogo das redes sociais, amplificando-as, enquanto perdem autonomia e iniciativa.

 

Imagem recolhida no instituto de estudos de mercado Cision

 

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas