Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Estudo

Redes sociais ganham em Espanha vantagem na informação sobre os “media” tradicionais

A televisão em Espanha perdeu globalmente três pontos percentuais na sua audiência, enquanto as redes sociais ganharam treze, verificando-se que a população menor de 34 anos utiliza aquelas redes como primeira fonte de informação.

Ainda que a televisão continue a ser a principal fonte de informação em Espanha, a importância das redes sociais tem vindo a aumentar progressivamente, segundo apurou a Encuesta de Impacto del Periodismo, relativa ao ano em curso, conforme revela um estudo realizado para a Asociación de la Prensa de Madrid (APM), com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Ao serem questionados acerca de como haviam recebido a informação de actualidade na ultima semana, 75% dos espanhóis citava a televisão em primeiro lugar, enquanto 48% das noticias lhes chegavam através das redes sociais.

Em comparação com os dados do ano passado, a televisão perdeu terreno. É importante, aliás, realçar que, para os segmentos mais jovens da população – 15 a 24 e 25 a 34 anos – as redes sociais representam o essencial do seu espaço informativo.

Depois da televisão e das redes sociais os espanhóis informam-se, sobretudo, em publicações digitais (42%), rádio (41%) e jornais (25%).

O referido estudo da APM também indaga acerca da atitude dos espanhóis na hora de se informarem.

Ficou a saber-se, assim, que 77% respondeu que procura, pessoalmente, a informação de actualidade nos media tradicionais, ao mesmo tempo que 23% escolhem as redes sociais (Facebook e WhatsApp).

O estudo foi realizado telefonicamente, entre 2 e 14 de Outubro, com uma amostra certificada de 1002 pessoas, representativa do conjunto da sociedade espanhola, residente na península, Baleares e Canárias.

Este fenómeno de transferência de consumidores de informação para as redes sociais e outros meios digitais, não é novo, e em Portugal também tem vindo a progredir de uma forma arrasadora para a imprensa escrita, que não tem sabido reconfigurar-se para segurar os seus leitores, oferecendo-lhes contrapartidas qualitativas que não constam, obviamente, na lógica das redes sociais.


Por outro lado, tem-se verificado, e Portugal não é excepção, que os jornalistas acabam reféns do jogo das redes sociais, amplificando-as, enquanto perdem autonomia e iniciativa.

 

Imagem recolhida no instituto de estudos de mercado Cision

 

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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