Terça-feira, 11 de Dezembro, 2018
Media

Turbulência na estrutura dirigente da Altice acentua papel de gestor português

O director executivo da Altice, Michel Combes, demitiu-se (ou foi demitido) do seu cargo, voltando o lugar a ser ocupado por Dexter Goei. O próprio patrão do grupo, Patrick Drahi, substitui este no lugar de chairman, ficando Dennis Okhuijsen como CEO da Altice para a Europa. Nos termos do comunicado da empresa, “esta nova estrutura representa um retorno à organização central que criou o sucesso do Grupo Altice; fornecerá uma liderança directa e clara das operações europeias para alcançar o seu potencial e continuar a apoiar a Altice EUA”. Nesta movimentação tem um papel importante o gestor português Armando Pereira.

Segundo o Jornal de Negócios, horas depois de conhecida esta reorganização, as acções da Altice estavam a reagir em alta na abertura da bolsa em Amesterdão, mas voltaram a cair durante o dia.

Como conta o Público, “no final de Setembro, corria pela imprensa francesa que o francês Michel Combes se sentia desconfortável com o regresso de Armando Pereira à empresa de que foi co-fundador (a Altice); Pereira chegou a ser presidente da PT. Na altura, fontes não identificadas ouvidas pelo jornal La Tribune admitiam a possibilidade de Michel Combes estar de saída do grupo. A Altice rejeitava tal cenário ‘por completo’.” 

Segundo Le Monde, foi Patrick Drahi quem tomou agora “decisões radicais”, começando por “cortar uma cabeça”  - a de Michel Combes, que era ao mesmo tempo director-geral da Altice e PDG da SFR, a sua filial em pior situação. 

“Patrick Drahi, que tinha progressivamente desaparecido do organigrama da Altice, regressa ao comando com o título de presidente. Mesmo sabendo que, na realidade, este homem de negócios esteve sempre a manobrar no seio do grupo.” (...) 

“Há outra nomeação considerada espectacular, a de Armando Pereira, co-accionista e co-fundador da Altice com Patrick Drahi. Este homem na sombra, que se tinha aliado ao empreendedor nos anos 1990, torna-se o director operacional da actividade de telecomunicações do grupo.” (...) 

Citando ainda Le Monde:

“Em Setembro, Armando Pereira, que tinha claramente más relações com Michel Combes, assumiu a direcção da SFR, na sequência da partida de Michel Paulin. (...) Desde o seu regresso, Pereira não desmente a sua reputação. Rolam cabeças sem aviso prévio. Segundo as nossas informações, o chefe da actividade ‘grande público’, Jean-Pascal Van Overbeke, soube, à sua chegada de férias, que estava despedido.” (...) 

Esta análise de Le Monde, que descreve em pormenor os movimentos dos últimos anos da Altice, nem todos bem sucedidos, termina deixando a pergunta sobre se Patrick Drahi conseguirá, desta vez, voltar a subir a encosta: 

“A médio termo, o grupo não tem problemas de tesouraria, mas a queda em bolsa [refere-se ao período do Verão] não passa sem consequências. Nos Estados Unidos, Patrick Drahi sonhava alargar o seu território. A baixa do título encarece o preço de qualquer aquisição, enquanto os investidores vão certamente reflectir duas vezes antes de lhe emprestarem novamente dinheiro.” 

 

Mais informação no Público, bem como no Jornal de Negócios e Le Monde

Connosco
Estratégia mediática da China usa "barcos emprestados" para "autenticar" a propaganda... Ver galeria

Durante décadas, a estratégia de imagem da China foi defensiva, de resposta, e apontada sobretudo à sua audiência interna. O efeito mais visível era o desaparecimento de conteúdos: revistas estrangeiras com páginas arrancadas, ou as emissões da BBC que ficavam escuras quando tratavam de temas sensíveis, como o Tibete, Taiwan ou o massacre de Tienanmen.

Mas nos últimos anos a China desenvolveu uma estratégia mais sofisticada e assertiva, apontada às audiências internacionais. E Pequim está a fazê-lo com grande investimento financeiro  - que inclui cobertura jornalística patrocinada.

Um dos exemplos mais ostensivos é agora a contratação de jornalistas ocidentais para a China Global Television Network  - o ramo internacional da Televisão Central da China -  com estúdios em Chiswick, Londres. O objectivo deste esforço é, nas palavras do Presidente Xi Jinping, “contar bem a história da China”. E não faltam candidatos. A informação consta de uma reportagem extensa, em The Guardian.

Jornais perdem publicidade e a democracia qualidade Ver galeria

A receita proveniente da publicidade nos diários impressos está a desaparecer num movimento que parece inexorável. Acontece em todos os mercados, e nomeadamente no dos EUA, que pode servir de aviso aos outros: neste caso, a receita da publicidade de todos os diários foi de 13.330 milhões de dólares em 2016, de 9.760 neste ano de 2018, quase a acabar, e será de apenas 4.400 milhões em 2022, segundo a mais recente projecção da eMarketer.

Na Espanha, e segundo os dados da InfoAdex sobre os nove primeiros meses de 2018, regista-se uma queda generalizada de 6,1% no investimento na Imprensa escrita, depois de onze anos de descida sem fim. O balanço é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics, que conclui: “A desinformação instala-se à vontade e é urgente fazer qualquer coisa. Não abandonemos os editores, ou a qualidade da democracia irá pelo mesmo ralo por onde se escoa a conta de resultados dos meios de comunicação.”

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


ver mais >
Opinião
O Presidente Marcelo é um dos poucos políticos portugueses com legitimidade para colocar a questão dos apoios do estado à produção jornalística porque ele é produtor e produto do sistema mediático.A sua biografia confunde-se com a liberdade de imprensa e a pergunta que Marcelo faz é, para ele, uma questão de consciência presidencial.Dito isto, pergunto:O que diríamos nós se fosse Donald Trump a...
Perante a bem conhecida e infelizmente bem real crise da comunicação social o Presidente da República questionou, há dias, se o Estado não tem a obrigação de intervir. Para Marcelo Rebelo de Sousa há uma "situação de emergência", que já constitui um problema democrático e de regime. A crise está longe de ser apenas portuguesa: é mundial. E tem sobretudo a ver com o facto de cada vez mais...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...