null, 24 de Março, 2019
Media

Turbulência na estrutura dirigente da Altice acentua papel de gestor português

O director executivo da Altice, Michel Combes, demitiu-se (ou foi demitido) do seu cargo, voltando o lugar a ser ocupado por Dexter Goei. O próprio patrão do grupo, Patrick Drahi, substitui este no lugar de chairman, ficando Dennis Okhuijsen como CEO da Altice para a Europa. Nos termos do comunicado da empresa, “esta nova estrutura representa um retorno à organização central que criou o sucesso do Grupo Altice; fornecerá uma liderança directa e clara das operações europeias para alcançar o seu potencial e continuar a apoiar a Altice EUA”. Nesta movimentação tem um papel importante o gestor português Armando Pereira.

Segundo o Jornal de Negócios, horas depois de conhecida esta reorganização, as acções da Altice estavam a reagir em alta na abertura da bolsa em Amesterdão, mas voltaram a cair durante o dia.

Como conta o Público, “no final de Setembro, corria pela imprensa francesa que o francês Michel Combes se sentia desconfortável com o regresso de Armando Pereira à empresa de que foi co-fundador (a Altice); Pereira chegou a ser presidente da PT. Na altura, fontes não identificadas ouvidas pelo jornal La Tribune admitiam a possibilidade de Michel Combes estar de saída do grupo. A Altice rejeitava tal cenário ‘por completo’.” 

Segundo Le Monde, foi Patrick Drahi quem tomou agora “decisões radicais”, começando por “cortar uma cabeça”  - a de Michel Combes, que era ao mesmo tempo director-geral da Altice e PDG da SFR, a sua filial em pior situação. 

“Patrick Drahi, que tinha progressivamente desaparecido do organigrama da Altice, regressa ao comando com o título de presidente. Mesmo sabendo que, na realidade, este homem de negócios esteve sempre a manobrar no seio do grupo.” (...) 

“Há outra nomeação considerada espectacular, a de Armando Pereira, co-accionista e co-fundador da Altice com Patrick Drahi. Este homem na sombra, que se tinha aliado ao empreendedor nos anos 1990, torna-se o director operacional da actividade de telecomunicações do grupo.” (...) 

Citando ainda Le Monde:

“Em Setembro, Armando Pereira, que tinha claramente más relações com Michel Combes, assumiu a direcção da SFR, na sequência da partida de Michel Paulin. (...) Desde o seu regresso, Pereira não desmente a sua reputação. Rolam cabeças sem aviso prévio. Segundo as nossas informações, o chefe da actividade ‘grande público’, Jean-Pascal Van Overbeke, soube, à sua chegada de férias, que estava despedido.” (...) 

Esta análise de Le Monde, que descreve em pormenor os movimentos dos últimos anos da Altice, nem todos bem sucedidos, termina deixando a pergunta sobre se Patrick Drahi conseguirá, desta vez, voltar a subir a encosta: 

“A médio termo, o grupo não tem problemas de tesouraria, mas a queda em bolsa [refere-se ao período do Verão] não passa sem consequências. Nos Estados Unidos, Patrick Drahi sonhava alargar o seu território. A baixa do título encarece o preço de qualquer aquisição, enquanto os investidores vão certamente reflectir duas vezes antes de lhe emprestarem novamente dinheiro.” 

 

Mais informação no Público, bem como no Jornal de Negócios e Le Monde

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O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

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Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

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Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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