Sábado, 17 de Novembro, 2018
Tecnologia

Directiva europeia gera polémica sobre protecção de dados

O novo regulamento europeu sobre protecção de dados está a ser contestado pelos sindicatos dos editores de Imprensa franceses, em especial no capítulo referente à ePrivacy, que “só vai enfraquecer as empresas noticiosas e a difusão de uma Informação de qualidade, reforçando a hegemonia dos dirigentes mundiais da Web, sem trazer a protecção necessária dos internautas”. Pelo outro lado, a IAB e outras associações de publicidade têm feito uma campanha em que alertam contra as possíveis consequências de uma regulação tão restrita, com o fim da gratuitidade dos conteúdos e serviços e o ‘app-ocalipse’ do fim das aplicações móveis.

Os meios de comunicação online seriam os grandes prejudicados das novas normas, caso sejam aprovadas. Segundo o comunicado dos sindicatos de editores, o regulamento ePrivacy prevê que os internautas consintam na recolha de dados sobre os seus comportamentos na Internet, “não já em cada site consultado, mas de forma global, desde as suas ligações iniciais à Internet, pelas portas de entrada gerais, que são os navegadores ou os interfaces detidos pelos grandes actores tecnológicos mundiais; tal evolução não permite a cada internauta decidir, em consciência, sobre a relação que deseja manter com cada um dos sites que visita”. 

Mais adiante, o mesmo comunicado, de 20 de Outubro de 2017, afirma que “o projecto ePrivacy confia a gestão dos dados online exclusivamente aos dirigentes tecnológicos mundiais, que hoje captam 79% do mercado da publicidade digital e 85% do seu crescimento, entregando-lhes as chaves da Internet europeia e do seu modelo económico”. (...) 

Por seu lado, Pierre Calmar, director-geral do grupo de publicidade Dentsu Aegis Network, assina em Le Monde um artigo afirmando que os editores europeus estão errados quando pensam que a protecção dos dados pessoais será a arma que os vai proteger das grandes plataformas tecnológicas, nomeadamente Facebook e Google, e têm uma reacção paradoxal ao exigirem regulamentos que deveriam reduzir a dominação desses concorrentes, enquanto “constroem as suas próprias plataformas de dados mutualizadas (Alliance Gravity ou Skyline), para tentarem oferecer ao mercado publicitário verdadeiras soluções de marketing orientado”. (...)

 

Mais informação em Media-tics, que contém o link para o comunicado, e em Le Monde e The Guardian;

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
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