Sábado, 30 de Maio, 2020
Tecnologia

Directiva europeia gera polémica sobre protecção de dados

O novo regulamento europeu sobre protecção de dados está a ser contestado pelos sindicatos dos editores de Imprensa franceses, em especial no capítulo referente à ePrivacy, que “só vai enfraquecer as empresas noticiosas e a difusão de uma Informação de qualidade, reforçando a hegemonia dos dirigentes mundiais da Web, sem trazer a protecção necessária dos internautas”. Pelo outro lado, a IAB e outras associações de publicidade têm feito uma campanha em que alertam contra as possíveis consequências de uma regulação tão restrita, com o fim da gratuitidade dos conteúdos e serviços e o ‘app-ocalipse’ do fim das aplicações móveis.

Os meios de comunicação online seriam os grandes prejudicados das novas normas, caso sejam aprovadas. Segundo o comunicado dos sindicatos de editores, o regulamento ePrivacy prevê que os internautas consintam na recolha de dados sobre os seus comportamentos na Internet, “não já em cada site consultado, mas de forma global, desde as suas ligações iniciais à Internet, pelas portas de entrada gerais, que são os navegadores ou os interfaces detidos pelos grandes actores tecnológicos mundiais; tal evolução não permite a cada internauta decidir, em consciência, sobre a relação que deseja manter com cada um dos sites que visita”. 

Mais adiante, o mesmo comunicado, de 20 de Outubro de 2017, afirma que “o projecto ePrivacy confia a gestão dos dados online exclusivamente aos dirigentes tecnológicos mundiais, que hoje captam 79% do mercado da publicidade digital e 85% do seu crescimento, entregando-lhes as chaves da Internet europeia e do seu modelo económico”. (...) 

Por seu lado, Pierre Calmar, director-geral do grupo de publicidade Dentsu Aegis Network, assina em Le Monde um artigo afirmando que os editores europeus estão errados quando pensam que a protecção dos dados pessoais será a arma que os vai proteger das grandes plataformas tecnológicas, nomeadamente Facebook e Google, e têm uma reacção paradoxal ao exigirem regulamentos que deveriam reduzir a dominação desses concorrentes, enquanto “constroem as suas próprias plataformas de dados mutualizadas (Alliance Gravity ou Skyline), para tentarem oferecer ao mercado publicitário verdadeiras soluções de marketing orientado”. (...)

 

Mais informação em Media-tics, que contém o link para o comunicado, e em Le Monde e The Guardian;

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas