Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Tecnologia

Directiva europeia gera polémica sobre protecção de dados

O novo regulamento europeu sobre protecção de dados está a ser contestado pelos sindicatos dos editores de Imprensa franceses, em especial no capítulo referente à ePrivacy, que “só vai enfraquecer as empresas noticiosas e a difusão de uma Informação de qualidade, reforçando a hegemonia dos dirigentes mundiais da Web, sem trazer a protecção necessária dos internautas”. Pelo outro lado, a IAB e outras associações de publicidade têm feito uma campanha em que alertam contra as possíveis consequências de uma regulação tão restrita, com o fim da gratuitidade dos conteúdos e serviços e o ‘app-ocalipse’ do fim das aplicações móveis.

Os meios de comunicação online seriam os grandes prejudicados das novas normas, caso sejam aprovadas. Segundo o comunicado dos sindicatos de editores, o regulamento ePrivacy prevê que os internautas consintam na recolha de dados sobre os seus comportamentos na Internet, “não já em cada site consultado, mas de forma global, desde as suas ligações iniciais à Internet, pelas portas de entrada gerais, que são os navegadores ou os interfaces detidos pelos grandes actores tecnológicos mundiais; tal evolução não permite a cada internauta decidir, em consciência, sobre a relação que deseja manter com cada um dos sites que visita”. 

Mais adiante, o mesmo comunicado, de 20 de Outubro de 2017, afirma que “o projecto ePrivacy confia a gestão dos dados online exclusivamente aos dirigentes tecnológicos mundiais, que hoje captam 79% do mercado da publicidade digital e 85% do seu crescimento, entregando-lhes as chaves da Internet europeia e do seu modelo económico”. (...) 

Por seu lado, Pierre Calmar, director-geral do grupo de publicidade Dentsu Aegis Network, assina em Le Monde um artigo afirmando que os editores europeus estão errados quando pensam que a protecção dos dados pessoais será a arma que os vai proteger das grandes plataformas tecnológicas, nomeadamente Facebook e Google, e têm uma reacção paradoxal ao exigirem regulamentos que deveriam reduzir a dominação desses concorrentes, enquanto “constroem as suas próprias plataformas de dados mutualizadas (Alliance Gravity ou Skyline), para tentarem oferecer ao mercado publicitário verdadeiras soluções de marketing orientado”. (...)

 

Mais informação em Media-tics, que contém o link para o comunicado, e em Le Monde e The Guardian;

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital...
E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
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“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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01
Ago
Composição Fotográfica
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Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set