Sexta-feira, 15 de Dezembro, 2017
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Em tempo de “sobreinformação” o problema é saber distinguir e ponderar

No contexto actual de “sobreinformação”, em que abundam as notícias falsas, “o nosso principal problema não é o de ter informação, mas sim o de saber distinguir, e para distinguir é preciso saber ponderar”, o que significa “avaliar o peso, o volume e a solvência de cada uma das partes”. A reflexão é do jornalista espanhol Fernando González Urbaneja, ex-presidente da Asociación de la Prensa de Madrid, em palestra para estudantes de Jornalismo, proferida na Universidade San Pablo CEU, sob o título de “A autorregulação da profissão jornalística, o Código Deontológico e a Comissão de Queixas”.

É precisamente neste momento que a nossa profissão “precisa de artesãos, de profissionais preparados, experimentados, independentes e livres, o que quer dizer, de jornalistas”  - afirmou. 

Fernando Urbaneja defendeu a ideia de que o jornalismo deve ser exercido de forma profissional, assente na busca diligente da verdade, verificando sempre, com transparência e com cepticismo. 

Sobre a exigência da ética profissional, declarou que o irrita que nem todos os meios tenham o seu manual de ética ou livro de estilo, que “devia fazer parte dos contratos”.  

Sobre a autorregulação, afirmou que tem três problemas, ou exigências:

  1. – “que os autorregulados queiram autorregular-se”;
  2. – “que haja uma entidade externa, independente, que determine como se exerce essa autorregulação”;
  3. – “e que as decisões desta entidade tenham consequências, mesmo que seja só a consequência de se tornar pública e conhecida”.

 

González Urbaneja descreveu sucintamente a história que levou à actual Comissão de Arbitragem, Queixas e Deontologia, que é formada “por juristas com reputação e experiência em matéria de liberdade de expressão, dois catedráticos universitários com formação jurídica e em matéria deontológica, pessoas da sociedade civil e dois jornalistas; de tal modo que não houvesse maioria nem de juristas nem de jornalistas”. 

Apesar de ser o seu impulsionador, confessa-se céptico quanto ao êxito da referida Comissão, “porque nenhum dos autorregulados quer ser autorregulado; só lhes interessa quando lhes convém”.

 

O texto citado, no site da APM, com a qual mantemos um acordo de parceria

Connosco
Novo presidente da ERC abstém-se de comentar “dossier” Altice - TVI Ver galeria

Tomou posse, na Assembleia da República, o novo Conselho Regulador da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, tendo como presidente o juiz-conselheiro Sebastião Póvoas. Instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre a questão sensível da compra da Media Capital pela Altice, o magistrado afirmou: “Eu não conheço os dossiers, tomei agora posse; são dossiers complexos e eu venho de uma área em que só nos pronunciamos depois de ler, consultar, ouvir e estudar, e é assim que vou fazer.” O parecer que competia à ERC tornar público, sobre esta matéria, não chegou a ser dado por falta de acordo entre os três membros que estavam em funções até agora.

O "jornalismo - espectáculo" que condena inocentes na praça pública Ver galeria

A investigação de suspeitos de qualquer conduta ilícita ou criminal é realizada pelas autoridades judiciais, que procuram provas para instrução de processo. Tendo conhecimento dessas condutas, também os meios de comunicação fazem a necessária investigação, para apuramento dos factos e posterior publicação. Uns e outros vão cruzar-se no mesmo terreno  - contidos, de ambos os lados, pelo cumprimento da lei e pela deontologia profissional. Mas o pior pode acontecer quando agentes da autoridade e repórteres se juntam para fazer “jornalismo do espectáculo”. A jornalista Nereide Beirão parte do ocorrido em 1994, com o caso que ficou conhecido como Escola Base, em São Paulo. Descreve o que sucedeu e acrescenta o exemplo de mais alguns casos da mesma natureza. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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