Sábado, 17 de Novembro, 2018
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Em tempo de “sobreinformação” o problema é saber distinguir e ponderar

No contexto actual de “sobreinformação”, em que abundam as notícias falsas, “o nosso principal problema não é o de ter informação, mas sim o de saber distinguir, e para distinguir é preciso saber ponderar”, o que significa “avaliar o peso, o volume e a solvência de cada uma das partes”. A reflexão é do jornalista espanhol Fernando González Urbaneja, ex-presidente da Asociación de la Prensa de Madrid, em palestra para estudantes de Jornalismo, proferida na Universidade San Pablo CEU, sob o título de “A autorregulação da profissão jornalística, o Código Deontológico e a Comissão de Queixas”.

É precisamente neste momento que a nossa profissão “precisa de artesãos, de profissionais preparados, experimentados, independentes e livres, o que quer dizer, de jornalistas”  - afirmou. 

Fernando Urbaneja defendeu a ideia de que o jornalismo deve ser exercido de forma profissional, assente na busca diligente da verdade, verificando sempre, com transparência e com cepticismo. 

Sobre a exigência da ética profissional, declarou que o irrita que nem todos os meios tenham o seu manual de ética ou livro de estilo, que “devia fazer parte dos contratos”.  

Sobre a autorregulação, afirmou que tem três problemas, ou exigências:

  1. – “que os autorregulados queiram autorregular-se”;
  2. – “que haja uma entidade externa, independente, que determine como se exerce essa autorregulação”;
  3. – “e que as decisões desta entidade tenham consequências, mesmo que seja só a consequência de se tornar pública e conhecida”.

 

González Urbaneja descreveu sucintamente a história que levou à actual Comissão de Arbitragem, Queixas e Deontologia, que é formada “por juristas com reputação e experiência em matéria de liberdade de expressão, dois catedráticos universitários com formação jurídica e em matéria deontológica, pessoas da sociedade civil e dois jornalistas; de tal modo que não houvesse maioria nem de juristas nem de jornalistas”. 

Apesar de ser o seu impulsionador, confessa-se céptico quanto ao êxito da referida Comissão, “porque nenhum dos autorregulados quer ser autorregulado; só lhes interessa quando lhes convém”.

 

O texto citado, no site da APM, com a qual mantemos um acordo de parceria

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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