Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
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Em tempo de “sobreinformação” o problema é saber distinguir e ponderar

No contexto actual de “sobreinformação”, em que abundam as notícias falsas, “o nosso principal problema não é o de ter informação, mas sim o de saber distinguir, e para distinguir é preciso saber ponderar”, o que significa “avaliar o peso, o volume e a solvência de cada uma das partes”. A reflexão é do jornalista espanhol Fernando González Urbaneja, ex-presidente da Asociación de la Prensa de Madrid, em palestra para estudantes de Jornalismo, proferida na Universidade San Pablo CEU, sob o título de “A autorregulação da profissão jornalística, o Código Deontológico e a Comissão de Queixas”.

É precisamente neste momento que a nossa profissão “precisa de artesãos, de profissionais preparados, experimentados, independentes e livres, o que quer dizer, de jornalistas”  - afirmou. 

Fernando Urbaneja defendeu a ideia de que o jornalismo deve ser exercido de forma profissional, assente na busca diligente da verdade, verificando sempre, com transparência e com cepticismo. 

Sobre a exigência da ética profissional, declarou que o irrita que nem todos os meios tenham o seu manual de ética ou livro de estilo, que “devia fazer parte dos contratos”.  

Sobre a autorregulação, afirmou que tem três problemas, ou exigências:

  1. – “que os autorregulados queiram autorregular-se”;
  2. – “que haja uma entidade externa, independente, que determine como se exerce essa autorregulação”;
  3. – “e que as decisões desta entidade tenham consequências, mesmo que seja só a consequência de se tornar pública e conhecida”.

 

González Urbaneja descreveu sucintamente a história que levou à actual Comissão de Arbitragem, Queixas e Deontologia, que é formada “por juristas com reputação e experiência em matéria de liberdade de expressão, dois catedráticos universitários com formação jurídica e em matéria deontológica, pessoas da sociedade civil e dois jornalistas; de tal modo que não houvesse maioria nem de juristas nem de jornalistas”. 

Apesar de ser o seu impulsionador, confessa-se céptico quanto ao êxito da referida Comissão, “porque nenhum dos autorregulados quer ser autorregulado; só lhes interessa quando lhes convém”.

 

O texto citado, no site da APM, com a qual mantemos um acordo de parceria

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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