Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

A verdade e a confiança nos Media debatida pelos Provedores na Índia

“Se não confia nele, por que havia de pagá-lo?”  - resumiu Rasmus Kleis Nielsen, director de pesquisa do Reuters Institute, sobre o problema da fiabilidade dos media. As questões das notícias falsas e da confiança dos leitores nos meios de comunicação estiveram em destaque na conferência anual da ONO – Organisation of News Ombudsmen, que reuniu na Índia, em Outubro, os Ombudsmen (Provedores dos Media) de 15 países. Uma das sessões foi dedicada ao documento produzido pela UNESCO sobre a cobertura jornalística de actos de terrorismo. Presentes no encontro, dirigentes da Ethical Journalism Network e do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo trouxeram ao debate os dados revelados pelos inquéritos mais recentes sobre estas matérias.

O ponto onde se cruzam todas estas questões é a consciência de uma crise onde se misturam as notícias deliberadamente falsas, a desinformação e o seu impacto sobre a liberdade de expressão, com a quebra de confiança nos media e a necessidade de uma nova ética jornalística. 

O Prof. Rasmus Nielsen fez a pergunta acima citada à luz das conclusões do mais recente Reuters Digital News Report, baseado num inquérito levado a cabo em 36 países, e já referido noutro local deste site

Apenas um quarto (24%) dos que responderam acham que as redes sociais estão a fazer bom trabalho na distinção entre facto e ficção, comparados com os 40% que preferem os meios noticiosos. “Dados qualitativos sugerem que os utentes sentem que a falta de regras e os algoritmos virais encorajam a proliferação rápida da baixa qualidade e das fake news.” 

Outro dos presentes, Pratik Sinha, o fundador e editor de Alt News, um site de fact checking, contou que o serviço de mensagens WhatsApp tem muita procura na Índia, em parte pelo baixo preço dos telemóveis, mas o que isto significa é que as pessoas “têm acesso à propaganda mas não têm meios de a verificar”. (...) 

Na sessão dedicada ao manual da UNESCO sobre a cobertura de actos de terrorismo foi citado o jurista francês Antoine Garapon: 

“Os media estão apanhados num dilema infernal. Por um lado, o seu eco pode tornar as vítimas nos mensageiros involuntários da busca de glória dos seus próprios carrascos; por outro lado, a auto-censura pode ser interpretada como capitulação. O medo pode conduzir ao sacrifício de liberdades duramente conquistadas e acabar por reduzir a diferença entre estados democráticos e autoritários  - precisamente aquilo que os terroristas pretendem.”

 

O texto citado, na íntegra, na Ethical Journalism Network, que contém os links para os documentos The Trust Factor (apresentado nesta conferência) e Terrorism and the Media, da UNESCO

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
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