Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
Media

A verdade e a confiança nos Media debatida pelos Provedores na Índia

“Se não confia nele, por que havia de pagá-lo?”  - resumiu Rasmus Kleis Nielsen, director de pesquisa do Reuters Institute, sobre o problema da fiabilidade dos media. As questões das notícias falsas e da confiança dos leitores nos meios de comunicação estiveram em destaque na conferência anual da ONO – Organisation of News Ombudsmen, que reuniu na Índia, em Outubro, os Ombudsmen (Provedores dos Media) de 15 países. Uma das sessões foi dedicada ao documento produzido pela UNESCO sobre a cobertura jornalística de actos de terrorismo. Presentes no encontro, dirigentes da Ethical Journalism Network e do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo trouxeram ao debate os dados revelados pelos inquéritos mais recentes sobre estas matérias.

O ponto onde se cruzam todas estas questões é a consciência de uma crise onde se misturam as notícias deliberadamente falsas, a desinformação e o seu impacto sobre a liberdade de expressão, com a quebra de confiança nos media e a necessidade de uma nova ética jornalística. 

O Prof. Rasmus Nielsen fez a pergunta acima citada à luz das conclusões do mais recente Reuters Digital News Report, baseado num inquérito levado a cabo em 36 países, e já referido noutro local deste site

Apenas um quarto (24%) dos que responderam acham que as redes sociais estão a fazer bom trabalho na distinção entre facto e ficção, comparados com os 40% que preferem os meios noticiosos. “Dados qualitativos sugerem que os utentes sentem que a falta de regras e os algoritmos virais encorajam a proliferação rápida da baixa qualidade e das fake news.” 

Outro dos presentes, Pratik Sinha, o fundador e editor de Alt News, um site de fact checking, contou que o serviço de mensagens WhatsApp tem muita procura na Índia, em parte pelo baixo preço dos telemóveis, mas o que isto significa é que as pessoas “têm acesso à propaganda mas não têm meios de a verificar”. (...) 

Na sessão dedicada ao manual da UNESCO sobre a cobertura de actos de terrorismo foi citado o jurista francês Antoine Garapon: 

“Os media estão apanhados num dilema infernal. Por um lado, o seu eco pode tornar as vítimas nos mensageiros involuntários da busca de glória dos seus próprios carrascos; por outro lado, a auto-censura pode ser interpretada como capitulação. O medo pode conduzir ao sacrifício de liberdades duramente conquistadas e acabar por reduzir a diferença entre estados democráticos e autoritários  - precisamente aquilo que os terroristas pretendem.”

 

O texto citado, na íntegra, na Ethical Journalism Network, que contém os links para os documentos The Trust Factor (apresentado nesta conferência) e Terrorism and the Media, da UNESCO

Connosco
Quando os repórteres são os heróis que nos fazem falta Ver galeria

Parece excessivo declarar que os repórteres são os heróis do nosso tempo, como vem no título do texto que aqui citamos. Quem o diz não é um jornalista, mas um historiador. E explica porquê, e de que repórteres está a falar. Trata-se daqueles que assumem riscos e perdem a vida para investigar a verdade do que sucede à nossa volta  - e esse tipo de reportagem de investigação “é um pedacinho microscópico dessa coisa a que chamamos media”.

Os repórteres que “correm riscos pela verdade” fazem-no por todos nós, incluindo pelos soldados que vamos ou não enviar para a frente de batalha. O único modo de avaliarmos as guerras em que nos envolvemos é tendo repórteres “com a coragem e a capacidade de irem lá fazer reportagem”. Esta reflexão é do historiador norte-americano Timothy Snyder, que citamos da Global Investigative Journalism Network.

O jornalismo com mais “clics” pode não ser o mais lido Ver galeria

Pode acontecer que o melhor jornalismo nem seja o que é mais lido. Não gostamos de ouvir esta notícia, mas foi disto e de outras coisas parecidas que se falou no XXI Laboratorio de Periodismo da APM, o debate periódico sobre temas de actualidade que, na sua edição de Abril de 2017, teve por tema “O que lêem e o que não lêem os leitores”. O encontro decorreu na sede da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  e foi moderado por Nemésio Rodríguez, vice-presidente da APM e actual presidente da FAPE – Federación de las Asociaciones de Periodistas de España.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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O Poder do Dever
Luís Queirós
No passado dia 14 de março, Maria Joana Raposo Marques Vidal foi falar ao Grémio Literário no ciclo que ali decorre sob o tema: "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. Na sua longa  intervenção  falou  do Ministério Público e de Justiça e ajudou os leigos na matéria - como...
A compra do The Los Angeles Times pelo cirurgião bilionário sino-americano Patrick Soon-Shiong – dono da maior fortuna da 2ª maior cidade americana - anunciada oficialmente em 7 de Fevereiro, marca o regresso da propriedade do jornal a um residente local, depois de 18 anos de controlo por grupos de media sediados fora da Califórnia. É o mais recente capítulo dos 137 anos de história do LA Times, propriedade da família Chandler durante...
Enquanto os dados mais recentes da APCT – Associação Portuguesa de controlo de Tiragem , confirmam a agonia de alguns titulos da Imprensa diária generalista e o recuo de semanários e de news magazines, do outro lado do Atlântico acredita-se que a credibilidade será a nova “moeda de troca” do jornalismo em 2018,  conforme se prevê num texto editado pelo Centro de Periodismo Digital de Guadalajara, que pode ser consultado...
Agenda
24
Abr
Social Media Week New York 2018
09:00 @ Sheraton Times Square, Nova Iorque
24
Abr
Social Media Strategies Summit Chicago 2018
22:00 @ Union League Club, Chicago
25
Abr
8º Congresso Nacional de "Periodismo Autónomo y Freelance: ‘La revolución audiovisual’"
09:00 @ Sala de Conferências da Faculdade de Ciências de Informação, Universidade de Madrid
28
Abr
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa