Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

A verdade e a confiança nos Media debatida pelos Provedores na Índia

“Se não confia nele, por que havia de pagá-lo?”  - resumiu Rasmus Kleis Nielsen, director de pesquisa do Reuters Institute, sobre o problema da fiabilidade dos media. As questões das notícias falsas e da confiança dos leitores nos meios de comunicação estiveram em destaque na conferência anual da ONO – Organisation of News Ombudsmen, que reuniu na Índia, em Outubro, os Ombudsmen (Provedores dos Media) de 15 países. Uma das sessões foi dedicada ao documento produzido pela UNESCO sobre a cobertura jornalística de actos de terrorismo. Presentes no encontro, dirigentes da Ethical Journalism Network e do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo trouxeram ao debate os dados revelados pelos inquéritos mais recentes sobre estas matérias.

O ponto onde se cruzam todas estas questões é a consciência de uma crise onde se misturam as notícias deliberadamente falsas, a desinformação e o seu impacto sobre a liberdade de expressão, com a quebra de confiança nos media e a necessidade de uma nova ética jornalística. 

O Prof. Rasmus Nielsen fez a pergunta acima citada à luz das conclusões do mais recente Reuters Digital News Report, baseado num inquérito levado a cabo em 36 países, e já referido noutro local deste site

Apenas um quarto (24%) dos que responderam acham que as redes sociais estão a fazer bom trabalho na distinção entre facto e ficção, comparados com os 40% que preferem os meios noticiosos. “Dados qualitativos sugerem que os utentes sentem que a falta de regras e os algoritmos virais encorajam a proliferação rápida da baixa qualidade e das fake news.” 

Outro dos presentes, Pratik Sinha, o fundador e editor de Alt News, um site de fact checking, contou que o serviço de mensagens WhatsApp tem muita procura na Índia, em parte pelo baixo preço dos telemóveis, mas o que isto significa é que as pessoas “têm acesso à propaganda mas não têm meios de a verificar”. (...) 

Na sessão dedicada ao manual da UNESCO sobre a cobertura de actos de terrorismo foi citado o jurista francês Antoine Garapon: 

“Os media estão apanhados num dilema infernal. Por um lado, o seu eco pode tornar as vítimas nos mensageiros involuntários da busca de glória dos seus próprios carrascos; por outro lado, a auto-censura pode ser interpretada como capitulação. O medo pode conduzir ao sacrifício de liberdades duramente conquistadas e acabar por reduzir a diferença entre estados democráticos e autoritários  - precisamente aquilo que os terroristas pretendem.”

 

O texto citado, na íntegra, na Ethical Journalism Network, que contém os links para os documentos The Trust Factor (apresentado nesta conferência) e Terrorism and the Media, da UNESCO

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...
Há cerca de um ano, António Barreto  costumava assinar uma assertiva coluna de opinião no Diário de Noticias, entretanto desaparecida como outras, sem deixar rasto. Numa delas,  reconhecia ser “simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão” . E comentava, a propósito,  que  “a vulgaridade é sinal de verdade. A...
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