Quinta-feira, 21 de Novembro, 2019
Estudo

"Atlas" elaborado no Brasil revela 70 milhões de habitantes em "desertos de notícias"

Mais de um terço da população do Brasil  - o que significa 70 milhões de habitantes -  vive nos chamados “desertos de notícias”, os 4.500 municípios sem registo de meios noticiosos impressos ou digitais, “onde não se cobre, entre outras coisas, nem a Prefeitura ou a Câmara Municipal”. Pelo outro lado, estão identificados 5.354 meios de comunicação, entre jornais impressos e sites, em 1.125 cidades que abrangem 130 milhões de pessoas, mais de 60% da população brasileira. Estes dados são do “Atlas da Notícia – um panorama do Jornalismo local e regional no Brasil”, publicado numa edição especial do Observatório da Imprensa, com o qual mantemos um acordo de parceria. Inclui um vídeo de apresentação.

“O Atlas da Notícia é, antes de mais nada, uma ferramenta para conseguirmos enxergar quais as localidades mais carentes de jornalismo no Brasil”, explica Sérgio Spagnuolo, editor do Volt Data Lab, agência de jornalismo de dados que conduziu o levantamento e a pesquisa.

 

Segundo o texto de apresentação deste trabalho  - a cuja preparação tínhamos já, em devido tempo, feito referência -  o Atlas é um ponto de partida necessário para possíveis pesquisas imersivas nesses vazios e também nas comunidades em que o jornalismo está presente. “Em função do carácter quantitativo de nosso primeiro levantamento, ainda não se pode avaliar a integridade  — qualitativa —  da prática profissional jornalística.” 

“Num momento de mudanças de paradigmas e de emergência da ideia de pós-verdade, é necessário se voltar a perguntas básicas, como: para que servem as notícias locais ou regionais? Como elas se relacionam com uma noção mais ampla de cidadania?” (...) 

O projecto foi inspirado no America’s Growing Deserts of News, editado pela Columbia Journalism Review, sendo os números apurados pelo Volt Data Lab recolhidos em três fontes de informação:  a Secretaria de Comunicação do Governo Federal e a Associação Nacional de Jornais (ANJ), além de uma campanha de crowdsourcing

Sobre a metodologia de trabalho, “nesta primeira etapa, foram considerados apenas os jornais e sites de notícia e buscou-se, além de números absolutos, um recorte proporcional considerando a presença de veículos [media] a cada cem mil habitantes”. (...) 

Os números recolhidos “indicam o predomínio dos meios impressos (63% contra 37 % dos digitais). Como já se poderia prever, em termos absolutos, São Paulo é o estado com maior número de veículos noticiosos (1.641), seguido do Rio Grande do Sul (600) e Santa Catarina (547)”. 

“Mas se levarmos em conta a concentração populacional, Santa Catarina, Distrito Federal e Rio Grande do Sul são as unidades da federação com maior concentração de veículos a cada cem mil habitantes, média de 8,8. Em compensação, todos os estados do nordeste possuem, em média, um veículo mapeado a cada 100 mil habitantes.” (...) 

O texto de apresentação conclui que “o diagnóstico da situação actual do deserto de notícias no Brasil poderá ser melhor compreendido a partir de parcerias e análises de profissionais e pesquisadores de todo o país. O Atlas marca o início de um processo de conhecimento, não só das boas práticas de jornalismo, como da falta que elas podem fazer para a construção de um país mais cidadão e justo.” 

 

O “Atlas da Notícia” no Observatório da Imprensa do Brasil

Connosco
O risco do jornalismo de dados produzir gráficos enganosos Ver galeria

As visualizações de dados podem ser enganosas. No seu novo livro, "How Charts Lie",Alberto Cairo, não poupa palavras para expor os perigos de visualizações de dados mal projectadas. 

O autor identifica cinco grandes categorias de desenhos de gráficos, que não são o que parecem à primeira vista, desde os que contêm dados insuficientes até aos que, deliberadamente, ocultam ou enganam o espectador. 

Os jornalistas podem proteger-se de serem "enganados" pelos gráficos, aceitando que são tão vulneráveis quanto o público em geral.

Cairo descreve os gráficos como argumentos feitos visualmente, que precisam de ser avaliados e verificados com o mesmo cuidado que qualquer outro dado ao qual recorremos para escrever uma história. 

O número crescente de ferramentas de visualização de dados gratuitas e de baixo custo, como Datawrapper e Flourish, tornaram as histórias baseadas em dados acessíveis, até mesmo às pequenas redacções.

"Pensamos no New York Times como o padrão ouro da visualização de dados, mas, na Flórida, o Tampa Bay Times tem apenas duas ou três pessoas a realizar esse tipo de trabalho e estão a fazer peças vencedoras do Pulitzer", explica o autor. 

O artigo de Corinne Podger, publicado no site do IJNet, analisa os riscos dos enganos do jornalismo de dados.

Jornalismo tecnológico requer soluções no mundo digital Ver galeria

A postura dos jornalistas em relação aos meios tecnológicos tem vindo a sofrer algumas alterações. 

Os jornalistas têm adoptado novamente uma atitude de “watchdog” em relação a Silicon Valley, tendo começado a produzir reportagens sobre negligência e outros problemas gerados por estas empresas. Começaram a debater questões sociais e técnicas, como o caso das campanhas de desinformação e os efeitos discriminatórios de algoritmos. 

Porém, é importante que os jornalistas não só ajudem a compreender os problemas tecnológicos, mas que identifiquem, também, as possíveis soluções e os efeitos positivos da tecnologia na sociedade. 

Os autores do texto, publicado no site Columbia Journalism Review, sugerem que seja adoptado um jornalismo de soluções como um movimento a seguir na cobertura de temas tecnológicos. Este género de jornalismo propõe realizar reportagens centradas nas respostas aos problemas sociais reportados, minimizando a ideia feita de que os jornalistas apenas estão presentes quando ocorrem escândalos. 

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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