Quarta-feira, 3 de Junho, 2020
Estudo

"Atlas" elaborado no Brasil revela 70 milhões de habitantes em "desertos de notícias"

Mais de um terço da população do Brasil  - o que significa 70 milhões de habitantes -  vive nos chamados “desertos de notícias”, os 4.500 municípios sem registo de meios noticiosos impressos ou digitais, “onde não se cobre, entre outras coisas, nem a Prefeitura ou a Câmara Municipal”. Pelo outro lado, estão identificados 5.354 meios de comunicação, entre jornais impressos e sites, em 1.125 cidades que abrangem 130 milhões de pessoas, mais de 60% da população brasileira. Estes dados são do “Atlas da Notícia – um panorama do Jornalismo local e regional no Brasil”, publicado numa edição especial do Observatório da Imprensa, com o qual mantemos um acordo de parceria. Inclui um vídeo de apresentação.

“O Atlas da Notícia é, antes de mais nada, uma ferramenta para conseguirmos enxergar quais as localidades mais carentes de jornalismo no Brasil”, explica Sérgio Spagnuolo, editor do Volt Data Lab, agência de jornalismo de dados que conduziu o levantamento e a pesquisa.

 

Segundo o texto de apresentação deste trabalho  - a cuja preparação tínhamos já, em devido tempo, feito referência -  o Atlas é um ponto de partida necessário para possíveis pesquisas imersivas nesses vazios e também nas comunidades em que o jornalismo está presente. “Em função do carácter quantitativo de nosso primeiro levantamento, ainda não se pode avaliar a integridade  — qualitativa —  da prática profissional jornalística.” 

“Num momento de mudanças de paradigmas e de emergência da ideia de pós-verdade, é necessário se voltar a perguntas básicas, como: para que servem as notícias locais ou regionais? Como elas se relacionam com uma noção mais ampla de cidadania?” (...) 

O projecto foi inspirado no America’s Growing Deserts of News, editado pela Columbia Journalism Review, sendo os números apurados pelo Volt Data Lab recolhidos em três fontes de informação:  a Secretaria de Comunicação do Governo Federal e a Associação Nacional de Jornais (ANJ), além de uma campanha de crowdsourcing

Sobre a metodologia de trabalho, “nesta primeira etapa, foram considerados apenas os jornais e sites de notícia e buscou-se, além de números absolutos, um recorte proporcional considerando a presença de veículos [media] a cada cem mil habitantes”. (...) 

Os números recolhidos “indicam o predomínio dos meios impressos (63% contra 37 % dos digitais). Como já se poderia prever, em termos absolutos, São Paulo é o estado com maior número de veículos noticiosos (1.641), seguido do Rio Grande do Sul (600) e Santa Catarina (547)”. 

“Mas se levarmos em conta a concentração populacional, Santa Catarina, Distrito Federal e Rio Grande do Sul são as unidades da federação com maior concentração de veículos a cada cem mil habitantes, média de 8,8. Em compensação, todos os estados do nordeste possuem, em média, um veículo mapeado a cada 100 mil habitantes.” (...) 

O texto de apresentação conclui que “o diagnóstico da situação actual do deserto de notícias no Brasil poderá ser melhor compreendido a partir de parcerias e análises de profissionais e pesquisadores de todo o país. O Atlas marca o início de um processo de conhecimento, não só das boas práticas de jornalismo, como da falta que elas podem fazer para a construção de um país mais cidadão e justo.” 

 

O “Atlas da Notícia” no Observatório da Imprensa do Brasil

Connosco
"NYT" em processo de mudança perante o novo perfil de audiência Ver galeria

Em 1851 nasceu o “New York Times”, um jornal que, desde cedo ,se assumiu como uma publicação de referência, na qual só havia espaço para as notícias e informação objectivas.

Segundo relembra o provedor do jornal, Gabriel Snyder, num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”,  o “NYT” foi, assim, durante vários anos, um formador de opinião, que liderava, não seguia.

Qualquer pessoa minimamente relevante no espaço social lia o “NYT”, que, durante mais de um século, não teve de preocupar-se com a captação de audiências. Era um membro inquestionável da elite do poder norte-americano e nunca teve de explicar o porquê da sua importância.

Esta posição privilegiada permitia ao “Times” relatar sem ter que aprofundar uma opinião, sem se envolver em qualquer conflito.

Mas, reitera Snyder, os tempos mudaram e o jornal tem de reafirmar -se perante uma sociedade em mutação, onde se perpetua a polarização política. 

Projecto de jornalismo comunitário nasce em Detroit Ver galeria

Muito antes da pandemia de coronavírus, as redacções de jornalismo local e regional começaram “desmoronar-se”, devido a modelos de negócio obsoletos e a uma circulação pouco significativa.

De acordo com o instituto Poynter, um em cada cinco jornais, nos Estados Unidos, fechou, no decorrer da última década, e muitos dos que “sobreviveram” mantém-se, agora, na “sombra”, sem possibilidade de fazer reportagens assertivas ou entrevistas relevantes.

O jornalismo regional parece, contudo, estar a recuperar algum protagonismo, com muitos cidadãos a manifestarem o desejo de se informarem sobre a realidade das suas comunidades.

Perante este quadro, algumas associações têm-se aliado a jornalistas para fundar novas iniciativas comunitárias, com uma linha editorial compatível com a era digital.

Foi a partir de uma dessas parcerias que nasceu o “BridgeDetroit”, um projecto multiplataforma, dedicado a escrutinar, com transparência e objectividade, a realidade da cidade de Detroit, no Estado de Michigan.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas