Sábado, 30 de Maio, 2020
Novas iniciativas

Web Summit: uma espécie de Parlamento sobre o uso das novas tecnologias

“A Web Summit é como se fosse um Parlamento: facilita discursos e debates diversificados, alcança uma maior variedade de temas, como os impostos, os vícios, os perigos da inteligência artificial ou monopólios que estão a crescer.” A afirmação é de Paddy Cosgrave, fundador e presidente executivo da Web Summit, que se reúne pela segunda vez em Lisboa, entre 6 e 9 de Novembro. “Acho que se não discutirmos estas coisas estaríamos a trair alguma da nossa responsabilidade pública enquanto aglutinador do sector tecnológico, talvez o aglutinador tecnológico mais global do mundo”, acrescenta. 

Algumas das suas declarações podem parecer surpreendentes da boca de um “guru” das novas tecnologias, que para muitos são uma espécie de “brinquedos novos” sem contra-indicações.  

Em entrevista ao Observador, que aqui citamos, Paddy Cosgrave revela-se preocupado com o espírito dominante em Silicon Valley:  

“Acho que a coisa que mais me desilude é a amnésia coletiva de Silicon Valley; não percebem que Silicon Valley nunca foi um centro de empreendedorismo, de investimento privado, é um centro de investimento massivo do Estado. Foi uma subsidiária do Pentágono norte-americano que, durante décadas e décadas não estava a produzir empresas de tecnologia vencedoras a nível mundial. E por isso tornou-se num centro massivo de Investigação & Desenvolvimento do governo norte-americano”, conta. (…) 

“O chip que faz este telemóvel funcionar se calhar nasceu para guiar mísseis. Muita desta tecnologia principal emerge de um sistema muito deliberado e muito consciente de parcerias com o Estado e de I&D para a Defesa”, explica, acrescentando que “as raízes de Silicon Valley assentam num envolvimento massivo do governo” e que hoje muitas destas empresas esquecem a sua história prévia”. (…) 

Paddy tem 34 anos e é presidente de uma conferência de tecnologia que pôs Paris, Lisboa e Amesterdão a competir para recebê-la. 

“A vontade do Governo português em trazê-la para Lisboa foi tal que o Turismo de Lisboa, Turismo de Portugal e a AICEP – Portugal Global investiram 1,3 milhões de euros para convencer o irlandês a escolher a capital portuguesa. O acordo foi assinado por três anos — 2016, 2017 e 2018 — com possibilidade de estender por mais dois. No entanto, é ele quem diz que é por causa dos telemóveis (que naquele momento estavam desligados) que estamos a criar a geração mais solitária de sempre.” 

“Os adolescentes nunca estiveram tão ligados uns aos outros, mas nunca estiveram tão sós. É uma contradição”, afirma. Qual o papel de uma conferência com o alcance e impacto da Web Summit para travar isto? “Acho que estamos a começar a ter diferentes visões, opiniões sobre inteligência artificial, sobre vícios e sobre a responsabilidade dos governos na protecção das crianças. A China já está a liderar este caminho: estão a introduzir activamente sistemas que protejam as crianças de alguns dos efeitos que a utilização extensiva dos telemóveis pode estar a ter na sua saúde mental. Se a China consegue fazer isto numa escala de 1,5 mil milhões de pessoas, tenho a certeza que os desafios para um país como Portugal são muito menores, sublinha. 

De entre os muitos oradores que vão ocupar o palco principal da Web Summit, podemos destacar quatro portugueses: José Neves, Sara Sampaio, António Guterres e Carlos Moedas. A proposta é do Observador, que começa por seleccionar 24 dos mais de mil inscritos para falar, e estes são os nossos quatro nacionais nessa lista final. 

José Neves, apresentado como “o português que já emprega 2.000 pessoas no mundo”, fundou em 2008 a Farfetch, plataforma online de comércio de marcas de luxo, que se tornou em 2015 na única startup portuguesa avaliada em mil milhões de dólares, o chamado “unicórnio”. Hoje com escritórios em Portugal (Guimarães, Leça do Balio e Lisboa), Reino Unido, Japão, China, Estados Unidos e Rússia, a Farfetch “iniciou-se na instabilidade dos negócios das startups: passou por seis rondas de financiamento até chegar à categoria de ‘unicórnio’. (…) A empresa vende hoje para 190 países, de um catálogo de cerca de 750 designers e boutiques de moda de luxo. Na Web Summit, vai falar sobre a liderança dos líderes e sobre a customização da indústria da moda”. 

Sara Sampaio é apresentada como “a primeira portuguesa a tornar-se top model — um estatuto da indústria da moda que poucas modelos conseguem atingir –, o único anjo português da “Victoria’s Secrete a primeira modelo portuguesa a ser fotografada para a revista Sports Illustrated Swimsuit Issue”. 

As duas personalidades políticas que se seguem não necessitam, como se diz nestas circunstâncias, de qualquer apresentação: 

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas desde 1 de Janeiro de 2017, foi definido pela embaixadora dos EUA na ONU como “o homem para [este] trabalho em tempos tão desafiantes”. “Enfrentamos um número de desafios sem precedentes”, disse, exemplificando: nova ameaça do terrorismo no mundo, tráfico de pessoas, mudanças climáticas. É sobre estes desafios que vai falar. 

Carlos Moedas, actual Comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, tem a seu cargo o programa de financiamento comunitário Horizonte 2020, dedicado a apoiar projectos de investigação e inovação – três empresas portuguesas foram seleccionadas. Na Web Summit, vai falar sobre o papel da Europa enquanto capital da inovação.

 

Mais informação no suplemento Especial do Observador, sobre a Web Summit

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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As suas vendas desceram, os clientes atrasaram-se a pagar, os fornecedores pressionam para receber, a tesouraria está apertada? O que fazer? – Claro que vai ver onde se pode cortar custos, ao mesmo tempo que se prepara o retomar de actividades. E um dos primeiros cortes para muitas empresas é na comunicação e na publicidade. “O dinheiro não chega para tudo, tem que se escolher”, pensa quem faz o corte. No fundo consideram que no...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
Em toda a parte, ou quase, a pandemia causada pelo coronavírus fechou em casa muitos milhões de pessoas, para evitarem ser contaminadas. Um dos efeitos desse confinamento foi terem aumentado as audiências de televisão. Por outro lado, as pessoas precisam de informação, por isso o estado de emergência em Portugal mantém abertos os quiosques, que vendem jornais.   Melhores tempos para a comunicação social? Nem por isso,...
Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas