Sábado, 20 de Outubro, 2018
Opinião

O novo mundo que a Amazon prepara

por Manuel Falcão

Quem achar que a Amazon é apenas um vendedor de livros ou de discos está enganado, e muito. A Amazon tem estado no último ano a alargar o seu espectro de acção, comprando cadeias de retalhistas, oferecendo novos serviços através de parcerias que estabelece nas mais diversas áreas e, sobretudo, está a começar a utilizar o enorme conhecimento que tem sobre os hábitos dos seus clientes. Poucas empresas da nova economia digital se podem gabar de conseguir traçar um perfil tão completo dos seus clientes: aquilo de que gostam mais, o que procuram com intenção de comprar, o que efectivamente compram, onde estão em cada momento, que curiosidades e hábitos têm. 

A base de dados da Amazon é uma base inteligente, que espelha comportamentos e tendências, não é uma base estática e isso dá-lhe uma vantagem enorme – quer em termos de dimensão pura e simples, quer em termos da informação nela contida. Aos poucos a Amazon está a sair da sua actividade de enorme caverna de Ali-Bábá onde tudo se pode encontrar para trabalhar em novas áreas – a Amazon está a entrar de forma acelerada, directamente ou em parcerias, em áreas tão distintas como a sector financeiro, os mídia, a produção de filmes e séries de tv originais, a saúde, a moda ou os transportes e viagens. 

A Amazon é cada vez mais o exemplo de uma empresa que não segue os padrões tradicionais de separação entre actividades e projecta o seu crescimento alargando cada vez mais o seu raio de acção – diversifica o que oferece para aumentar a especialização sobre a informação que retém. Há muito que a Amazon deixou de entregar só produtos inertes como livros ou dvd’s. Agora, em muitas cidades, como por exemplo aqui ao lado em Madrid, vende produtos frescos – legumes, fruta e outros alimentos – garantindo entregas no local indicado pelo cliente no espaço de uma hora.

Tudo isto aumenta o manancial de informação que a Amazon recolhe sobre os seus clientes, permitindo traçar um perfil de consumidor cada vez mais completo. Hoje em dia os sites da Amazon são tão visitados que se tornaram, eles próprios, um bom suporte de publicidade para uma gama enorme de produtos que ali podem contactar directamente com consumidores no momento em que se preparam para fazer uma compra. Esta área de venda de espaço publicitário é uma das novas grandes apostas da Amazon, que assim irá concorrer directamente com Google e Facebook, com a pequena variante de poder garantir que cada produto vai chegar exactamente a quem estiver interessado nele – com um grau de probabilidade que nenhum dos outros concorrentes digitais globais consegue oferecer.

Jeff Bezos, o homem que fundou a Amazon, prepara-se para dar uma grande dor de cabeça aos seus rivais de outras empresas.

 

 

Connosco
Editorial de Khashoggi defende liberdade de expressão no mundo árabe Ver galeria

O mundo árabe “encheu-se de esperança durante a Primavera de 2011; jornalistas, académicos e a população estavam cheios de entusiasmo por uma sociedade árabe livre nos seus países”, mas as expectativas foram frustradas e “estas sociedades voltaram ao antigo status quo, ou tiveram que enfrentar condições ainda mais duras do que tinham antes”.

É esta a reflexão do último editorial de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita interrogado e morto no consulado do seu país em Istambul, segundo apontam cada vez mais as informações que vão chegando. A editora de opinião do jornal The Washington Post, do qual era colaborador regular há um ano, conta que recebeu o texto do seu tradutor e ajudante, um dia depois do desaparecimento. Foi decidido adiar a publicação, na esperança de que ele voltasse e a edição final fosse feita por ambos. Segundo Karen Attiah, o texto “capta na perfeição a sua dedicação e paixão pela liberdade no mundo árabe, uma liberdade pela qual, aparentemente, deu a sua vida”.

Como vivem (e bem) da publicidade os “sites” de desinformação Ver galeria

Os sites que usam e abusam da desinformação são sustentados, em última instância, pela mesma publicidade que todos desejam conservar, incluindo os media tradicionais. Postas as coisas nestes termos, a situação parece paradoxal. Mas uma investigação feita pela equipa Décodex, do diário francês Le Monde, revela que, “mesmo sendo apontados a dedo como nocivos ao debate público, os sites de desinformação não têm dificuldades em encontrar parceiros comerciais”.

Em consequência das mutações ocorridas no funcionamento do mercado digital, “em França há centenas de anunciantes que ainda pagam para aparecerem em sites de desinformação”  - sem necessariamente terem consciência disso, como explica Pierre-Albert Ruquier, da empresa Storyzy. Alertadas por Le Monde, pelo menos duas redes publicitárias, Ligatus e Taboola, declararam ter cortado colaboração com um dos mais populares sites desta natureza, o Santeplusmag.com.

Mas há muito trabalho a fazer, porque os actores do mercado têm relutância em intervir a montante do problema  - fazendo-o, sobretudo, quando são apanhados.

O Clube

Terminou o prazo de recepção dos trabalhos concorrentes ao  Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias.

Nesta segunda edição, o Prémio foi desdobrado em duas modalidades:  uma  aberta a textos originais, que passou a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia; e outra que manteve  o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.


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