Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Media

Salvar as “Histórias Proibidas” dos jornalistas em risco, perseguidos ou ameaçados

“Histórias Proibidas” é o nome de um site lançado no Newseum, em Washington, com o objectivo de constituir um local seguro em que repórteres colocados em risco pela natureza da sua investigação possam guardar os seus trabalhos em curso, enquanto não são publicados. Deste modo, silenciar o mensageiro não poderá impedir que a mensagem prossiga o seu destino. O inspirador de Forbidden Stories é o jornalista francês Laurent Richard, em parceria com o ICIJ – Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, e a nova plataforma será apoiada e financiada pela organização Repórteres sem Fronteiras.

Laurent Richard, ele mesmo jornalista de investigação e realizador de documentários, expõe, num pequeno vídeo incluído na notícia que citamos, do L’Obs, histórias concretas (uma delas muito recente, e mencionada noutro lugar do site do CPI, sobre o caso de Daphne Caruana Galizia) de jornalistas assassinados porque tinham chegado perto demais da verdade. 

Numa delas, ocorrida nos EUA em 1976, um jornalista ferido, Don Bolles, consegue ainda pronunciar o nome de um homem e de uma empresa, e dizer a palavra “corrupção” [ou Mafia]. 

Os jornalistas que desejarem salvaguardar o seu trabalho deixarão instruções no sentido de que, “caso lhes aconteça alguma coisa, um colectivo nomeado Freedom Voices Network possa terminar a sua investigação e publicá-la, graças a uma rede de colaboração entre meios de comunicação empenhados na defesa da liberdade de Informação; o objectivo é o de que as suas reportagens continuem a existir para além das fronteiras, do governos e da censura”. 

Constituído como associação sem fins lucrativos, dirigida por Laurent Richard, com Jules Giraudat e Rémi Labed, este colectivo conta ainda entre os seus membros com nomes como os de Bastian Obermayer (Prémio Pulitzer 2017 por ter revelado e publicado os Panama Papers), Edouard Perrin, Elise Lucet, Fabrice Arfi, Lynette Clemetson, Khadija Ismayilova, Jean Pierre Canet, Cécile Allegra, Anthony Headley e outros. 

O trabalho vai começar com a divulgação das reportagens de três jornalistas mexicanos (Cecilio Pineda, Miroslava Breach, et Javier Valdez), assassinados porque estavam a investigar sobre os cartéis de droga, utilizando três formatos curtos em nove línguas. 

Só no México foram assassinados até agora, em 2017, onze jornalistas  -  mais do que na Síria ou no Iraque. Em todo o mundo, foram mortos desde o início do ano 42 jornalistas, cinco não profissionais e oito colaboradores dos media.

 

Mais informação em L’Obs e no site dos Repórteres sem Fronteiras. Também no Twitter

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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