Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Salvar as “Histórias Proibidas” dos jornalistas em risco, perseguidos ou ameaçados

“Histórias Proibidas” é o nome de um site lançado no Newseum, em Washington, com o objectivo de constituir um local seguro em que repórteres colocados em risco pela natureza da sua investigação possam guardar os seus trabalhos em curso, enquanto não são publicados. Deste modo, silenciar o mensageiro não poderá impedir que a mensagem prossiga o seu destino. O inspirador de Forbidden Stories é o jornalista francês Laurent Richard, em parceria com o ICIJ – Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, e a nova plataforma será apoiada e financiada pela organização Repórteres sem Fronteiras.

Laurent Richard, ele mesmo jornalista de investigação e realizador de documentários, expõe, num pequeno vídeo incluído na notícia que citamos, do L’Obs, histórias concretas (uma delas muito recente, e mencionada noutro lugar do site do CPI, sobre o caso de Daphne Caruana Galizia) de jornalistas assassinados porque tinham chegado perto demais da verdade. 

Numa delas, ocorrida nos EUA em 1976, um jornalista ferido, Don Bolles, consegue ainda pronunciar o nome de um homem e de uma empresa, e dizer a palavra “corrupção” [ou Mafia]. 

Os jornalistas que desejarem salvaguardar o seu trabalho deixarão instruções no sentido de que, “caso lhes aconteça alguma coisa, um colectivo nomeado Freedom Voices Network possa terminar a sua investigação e publicá-la, graças a uma rede de colaboração entre meios de comunicação empenhados na defesa da liberdade de Informação; o objectivo é o de que as suas reportagens continuem a existir para além das fronteiras, do governos e da censura”. 

Constituído como associação sem fins lucrativos, dirigida por Laurent Richard, com Jules Giraudat e Rémi Labed, este colectivo conta ainda entre os seus membros com nomes como os de Bastian Obermayer (Prémio Pulitzer 2017 por ter revelado e publicado os Panama Papers), Edouard Perrin, Elise Lucet, Fabrice Arfi, Lynette Clemetson, Khadija Ismayilova, Jean Pierre Canet, Cécile Allegra, Anthony Headley e outros. 

O trabalho vai começar com a divulgação das reportagens de três jornalistas mexicanos (Cecilio Pineda, Miroslava Breach, et Javier Valdez), assassinados porque estavam a investigar sobre os cartéis de droga, utilizando três formatos curtos em nove línguas. 

Só no México foram assassinados até agora, em 2017, onze jornalistas  -  mais do que na Síria ou no Iraque. Em todo o mundo, foram mortos desde o início do ano 42 jornalistas, cinco não profissionais e oito colaboradores dos media.

 

Mais informação em L’Obs e no site dos Repórteres sem Fronteiras. Também no Twitter

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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