Segunda-feira, 16 de Julho, 2018
Media

Salvar as “Histórias Proibidas” dos jornalistas em risco, perseguidos ou ameaçados

“Histórias Proibidas” é o nome de um site lançado no Newseum, em Washington, com o objectivo de constituir um local seguro em que repórteres colocados em risco pela natureza da sua investigação possam guardar os seus trabalhos em curso, enquanto não são publicados. Deste modo, silenciar o mensageiro não poderá impedir que a mensagem prossiga o seu destino. O inspirador de Forbidden Stories é o jornalista francês Laurent Richard, em parceria com o ICIJ – Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, e a nova plataforma será apoiada e financiada pela organização Repórteres sem Fronteiras.

Laurent Richard, ele mesmo jornalista de investigação e realizador de documentários, expõe, num pequeno vídeo incluído na notícia que citamos, do L’Obs, histórias concretas (uma delas muito recente, e mencionada noutro lugar do site do CPI, sobre o caso de Daphne Caruana Galizia) de jornalistas assassinados porque tinham chegado perto demais da verdade. 

Numa delas, ocorrida nos EUA em 1976, um jornalista ferido, Don Bolles, consegue ainda pronunciar o nome de um homem e de uma empresa, e dizer a palavra “corrupção” [ou Mafia]. 

Os jornalistas que desejarem salvaguardar o seu trabalho deixarão instruções no sentido de que, “caso lhes aconteça alguma coisa, um colectivo nomeado Freedom Voices Network possa terminar a sua investigação e publicá-la, graças a uma rede de colaboração entre meios de comunicação empenhados na defesa da liberdade de Informação; o objectivo é o de que as suas reportagens continuem a existir para além das fronteiras, do governos e da censura”. 

Constituído como associação sem fins lucrativos, dirigida por Laurent Richard, com Jules Giraudat e Rémi Labed, este colectivo conta ainda entre os seus membros com nomes como os de Bastian Obermayer (Prémio Pulitzer 2017 por ter revelado e publicado os Panama Papers), Edouard Perrin, Elise Lucet, Fabrice Arfi, Lynette Clemetson, Khadija Ismayilova, Jean Pierre Canet, Cécile Allegra, Anthony Headley e outros. 

O trabalho vai começar com a divulgação das reportagens de três jornalistas mexicanos (Cecilio Pineda, Miroslava Breach, et Javier Valdez), assassinados porque estavam a investigar sobre os cartéis de droga, utilizando três formatos curtos em nove línguas. 

Só no México foram assassinados até agora, em 2017, onze jornalistas  -  mais do que na Síria ou no Iraque. Em todo o mundo, foram mortos desde o início do ano 42 jornalistas, cinco não profissionais e oito colaboradores dos media.

 

Mais informação em L’Obs e no site dos Repórteres sem Fronteiras. Também no Twitter

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