Quinta-feira, 21 de Março, 2019
Media

Salvar as “Histórias Proibidas” dos jornalistas em risco, perseguidos ou ameaçados

“Histórias Proibidas” é o nome de um site lançado no Newseum, em Washington, com o objectivo de constituir um local seguro em que repórteres colocados em risco pela natureza da sua investigação possam guardar os seus trabalhos em curso, enquanto não são publicados. Deste modo, silenciar o mensageiro não poderá impedir que a mensagem prossiga o seu destino. O inspirador de Forbidden Stories é o jornalista francês Laurent Richard, em parceria com o ICIJ – Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, e a nova plataforma será apoiada e financiada pela organização Repórteres sem Fronteiras.

Laurent Richard, ele mesmo jornalista de investigação e realizador de documentários, expõe, num pequeno vídeo incluído na notícia que citamos, do L’Obs, histórias concretas (uma delas muito recente, e mencionada noutro lugar do site do CPI, sobre o caso de Daphne Caruana Galizia) de jornalistas assassinados porque tinham chegado perto demais da verdade. 

Numa delas, ocorrida nos EUA em 1976, um jornalista ferido, Don Bolles, consegue ainda pronunciar o nome de um homem e de uma empresa, e dizer a palavra “corrupção” [ou Mafia]. 

Os jornalistas que desejarem salvaguardar o seu trabalho deixarão instruções no sentido de que, “caso lhes aconteça alguma coisa, um colectivo nomeado Freedom Voices Network possa terminar a sua investigação e publicá-la, graças a uma rede de colaboração entre meios de comunicação empenhados na defesa da liberdade de Informação; o objectivo é o de que as suas reportagens continuem a existir para além das fronteiras, do governos e da censura”. 

Constituído como associação sem fins lucrativos, dirigida por Laurent Richard, com Jules Giraudat e Rémi Labed, este colectivo conta ainda entre os seus membros com nomes como os de Bastian Obermayer (Prémio Pulitzer 2017 por ter revelado e publicado os Panama Papers), Edouard Perrin, Elise Lucet, Fabrice Arfi, Lynette Clemetson, Khadija Ismayilova, Jean Pierre Canet, Cécile Allegra, Anthony Headley e outros. 

O trabalho vai começar com a divulgação das reportagens de três jornalistas mexicanos (Cecilio Pineda, Miroslava Breach, et Javier Valdez), assassinados porque estavam a investigar sobre os cartéis de droga, utilizando três formatos curtos em nove línguas. 

Só no México foram assassinados até agora, em 2017, onze jornalistas  -  mais do que na Síria ou no Iraque. Em todo o mundo, foram mortos desde o início do ano 42 jornalistas, cinco não profissionais e oito colaboradores dos media.

 

Mais informação em L’Obs e no site dos Repórteres sem Fronteiras. Também no Twitter

Connosco
Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

Quando há leitores menos interessados na independência do jornal Ver galeria

Mais de 33 mil leitores do jornal espanhol eldiario.es  são assinantes, o que significa que pagam 60 euros por ano para ler os mesmos textos que são lidos de graça por oito milhões de pessoas por mês, sem pagarem um cêntimo.

“Supõe-se que o fazem por convicção, por apoio a um projecto digital que pertence exclusivamente a jornalistas, sem grandes empresas ou bancos entre os accionistas. Sem um grupo mediático por detrás.” (...) “Supõe-se que o fazem porque, graças a esse dinheiro, existe uma plataforma mediática independente que tem orgulho na sua independência e que aposta em conteúdos de qualidade.”

No entanto, quando eldiário.es publicou uma revelação embaraçosa para uma ministra do Governo do PSOE, houve quem suspendesse a assinatura, acusando o jornal de estar “a fazer o jogo da direita”.

O que remete para a pergunta que faz o título do artigo sobre uma entrevista que Ignacio Escolar, fundador e director do jornal referido, fez ao jornalista Iñaki Gabilondo: “E se os leitores não quiserem media livres?”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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