Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Media

Impresa melhora resultados, mas continua negativa

A Impresa conseguiu, nos primeiros nove meses de 2017, uma melhoria de 71,8% no seu resultado líquido, comparado com os prejuízos de 585 mil euros do período homólogo anterior. Há a registar, também, um crescimento de 2,8% na receita publicitária e uma ligeira subida de 0,9% nas receitas de circulação, o que não impede que as receitas totais tenham sofrido uma quebra de 2,3%. A Impresa continua, deste modo, em terreno negativo, de – 165 mil euros. Os dados constam do relatório enviado pelo grupo à CNVM.

Segundo notícia da M&P, que aqui citamos, “a descida ficou a dever-se sobretudo a uma quebra na ordem dos 31,9% no item Outras Receitas, cujo valor caiu dos 17,8 milhões para os 12,1 milhões de euros, à qual se acrescenta ainda uma ligeira redução de 0,5% nas receitas provenientes da subscrição de canais”. (...) 

O sinal positivo é dado “pelo crescimento das receitas totais no terceiro trimestre, que subiram 4,3%, de 45,3 milhões para 47,3 milhões de euros, quando comparadas com o trimestre homólogo em 2016”. Entre os dois períodos, há  “uma subida de 10,5% nas receitas publicitárias, fixadas em 26,4 milhões de euros, quando no terceiro trimestre do último ano ficaram pelos 23,9 milhões de euros”. (...) 

“A fechar estes primeiros nove meses do ano, o grupo que detém a SIC e títulos como o Expresso ou a Visão, e que está neste momento a analisar a alienação de títulos no segmento de publishing, destaca ainda a redução da dívida em 7,9 milhões de euros face ao período homólogo em 2016, com a mesma a fixar-se agora nos 192,6 milhões de euros.” 

“Analisando os resultados do grupo por segmento, as receitas de televisão foram de 111,1 milhões de euros nestes primeiros nove meses de 2017 (-2,2%), enquanto as receitas da área de publishing representaram cerca de 34 milhões de euros (-3,7%).” (...) 

“Embora com um volume de negócio com menor peso nos resultados do grupo, o segmento de publishing, que a Impresa pretende alienar para se focar na televisão e multimédia, apresenta um lucro de 1,2 milhões de euros, valor que representa um disparo na ordem dos 1021,6% comparativamente ao lucro de apenas 107,8 mil euros obtido entre Janeiro e Setembro de 2016. Um resultado que tem origem sobretudo do lado dos custos e não da receita, já que esta regista uma quebra de 3,7%.” (...)

“Sobre o futuro desta área, a Impresa recorda no comunicado enviado à CMVM que no passado mês de Agosto iniciou ‘um processo de avaliação do seu portfólio na área do Publishing, que poderia implicar a alienação desses activos, com vista a efectuar um reposicionamento estratégico da sua actividade’, confirmando que ‘recebeu manifestações de interesse, as quais estão a ser analisadas’.” (...) 

 

A notícia citada, na íntegra, na Meios & Publicidade

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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