Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
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A notícia da morte do jornalismo é manifestamente exagerada...

“O jornalismo morreu!”  -  é a afirmação ouvida insistentemente, mas contestada pelo jornalista brasileiro Paulo Silvestre, consultor dos media e cultura digital, que afirma que “o jornalismo nunca esteve tão vivo”:  
“Para mim, a história da morte do jornalismo faz parte de uma tríade de bobagens que me incomodam há alguns anos. As outras duas são que as pessoas não lêem mais, e que não querem mais pagar por conteúdo.” A sua reflexão vem no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Para o autor, o facto é que “as pessoas nunca consumiram tanto conteúdo, inclusive jornalístico. E, apesar do avanço do vídeo digital, a maior parte de todo esse conteúdo chega de forma escrita. A responsável por isso é a combinação dos smartphones com as redes sociais, que começou a se desenhar há uns dez anos”. 

“O primeiro é um computador poderoso, permanentemente online, que carregamos em nosso bolso para onde formos. Já as segundas cumprem o papel de seleccionar e entregar o conteúdo de acordo com as nossas necessidades. Ou seja, as pessoas nem precisam ir até as notícias: elas vêm até ao público.” (...) 

E Paulo Silvestre adianta:

“O problema disso é que as pessoas consomem cada vez mais o que os algoritmos de relevância das redes sociais consideram interessante, o que não é necessariamente bom. Perde força a curadoria feita pelos editores, sendo substituída pelas curtidas dos nossos amigos, que ajudam o Facebook e afins a determinar o que deve ser promovido.” 

“Sem entrar no mérito de que isso aumenta enormemente o risco de deixarmos de consumir conteúdo que deveríamos, isso nos leva à terceira das bobagens acima, aquela que diz que as pessoas não querem mais pagar por conteúdo. Sim, as pessoas pagam por conteúdo, desde que faça sentido para elas!” (...) 

O autor cita depois o exemplos de duas primeiras páginas quase iguais, de dois jornais brasileiros de referência, para fazer a sua crítica ao tipo de jornalismo que praticam: 

“O facto de serem incrivelmente parecidas não é coincidência. Resulta do facto de que os veículos têm investido pouco em reportagem, que é a alma do bom jornalismo. Ao invés disso, vivem de denúncias, de ‘jornalismo palaciano’ (acompanhamento de acontecimentos de fontes oficiais), de denuncismo. Ou seja, uma mesmice crónica resultante de uma apuração rasa, feita por uma mão de obra cada vez menos qualificada e barata (os mais experientes  — e caros — foram quase todos demitidos nos últimos anos).” 

Por contraste, cita o exemplo de The Washington Post e a transformação que nele foi operada pelo novo proprietário, Jeff Bezos, que “aplicou ao jornalão duas de suas máximas mais conhecidas: ‘preste mais atenção em seus consumidores que em seus concorrentes’ e ‘se você dobra seus experimentos, você duplica sua inventividade’.” 

“Em outras palavras, foi necessário um mogul do e-commerce para meter o dedo na ferida do jornal e fazer as mudanças necessárias, inclusive correndo riscos. Tudo para se aproximar de seu cliente, tornar o seu produto mais relevante.” (...)

 

O artigo na íntegra, no Observatório da Imprensa

 

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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Ago
Composição Fotográfica
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21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set