Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Fórum

Estudo revela que muitas pessoas preferem hoje não saber das notícias

Quando julgávamos que a consulta do noticiário mais recente se tinha tornado quase compulsiva, devido à instantaneidade de leitura nos dispositivos portáteis, há hoje um número significativo de pessoas que deliberadamente evitam expor-se às notícias. Fazem-no porque as notícias têm efeito negativo sobre a sua disposição (48%), ou porque já não acreditam que sejam verdadeiras (37%), ou porque acham que não podem fazer nada sobre os problemas que elas contam (28%). A percentagem desta news avoidance é mais alta em países divididos por grande polarização política (38% nos EUA) e menor em países mais estáveis e igualitários, como os nórdicos. Portugal e a Bélgica vêm com 22%, logo a seguir à Suécia, que tem 21%. Estes dados são do Digital News Report 2017, do Reuters Institute.

Os países situados nos dois extremos são, pelo lado da relutância em saber das notícias, a Turquia e a Grécia, “empatadas” nos 57%, e pelo outro lado o Japão, com 6%, seguido da Dinamarca, com 14%. 

No texto de apresentação, Nic Newman sublinha que o relatório deste ano vem muito marcado pelo debate sobre as notícias falsas, a falência dos modelos de sustendo dos media e o crescente poder das plataformas digitais. Há, no entanto, algumas surpresas a registar: 

“A Internet e as redes sociais podem ter exacerbado a quebra de confiança e as fake news, mas em muitos países as motivações para a desconfiança têm muito a ver com uma profunda polarização política e tendenciosismo notado nos meios de referência.” 

“As ‘câmaras de eco’ e as ‘bolhas de filtro’ são sem dúvida reais para muitos, mas também verificamos que, em média, os utentes das redes sociais, dos agregadores [de conteúdos] e dos motores de busca têm experiência de maios diversidade do que os não utentes.” 

“Com dados de mais de 30 países de cinco continentes, este relatório recorda-nos que a revolução digital está cheia de contradições e de excepções. Há países que partiram de difrentes lugares, e agora se movem ao mesmo ritmo. Estas diferenças estão registadas em páginas individuais, por países, que se encontram no final do relatório.” (...) 

A primeira das “principais conclusões” destacadas no texto de apresentação é a respeito do uso das redes sociais como fonte de notícias: 

“O crescimento no uso das redes sociais como meio para receber notícias está a baixar em vários mercados, à medida que as aplicações de mensagens, que são mais privadas e não filtram tanto os conteúdos por meio dos seus algoritmos, estão a tornar-se mais populares. O uso do WhatsApp para acesso às notícias começa a rivalizar com o Facebook em vários mercados, incluindo a Malásia (51%), o Brasil (46%) e a Espanha (32%). (...) 

“É notável que, à excepção dos EUA e do Reino Unido, este crescimento esteja a baixar. Na maior parte dos países parou, e temos visto um declínio significativo em Portugal (-4), na Itália (-5), na Austrália e no Brasil (ambos -6).” 

“Pode tratar-se apenas de uma saturação do mercado, ou pode ter a ver com as mudanças nos algoritmos do Facebook em 2016, que tendem a dar prioridade à comunicação entre amigos e família, acima do conteúdo noticioso profissional. O Reino Unido e os Estados Unidos podem ter sido excepções porque os debates de natureza escaldante sobre a eleição e o referendo se passaram sobretudo nas redes sociais.” (...) 

“Apenas um quarto (24%) dos que responderam ao inquérito pensam que as redes sociais fazem bom trabalho na separação entre facto e ficção, comparando com os 40% que se referem aos meios noticiosos. Os dados qualitativos sugerem que os utentes sentem que a combinação de falta de regras com os algoritmos ‘virais’ contribuem para qua a baixa qualidade e as fake news proliferem rapidamente.” (...) 


O destaque sobre os que evitam as notícias e o texto de apresentação do Digital News Report 2017, que pode ser aberto em PDF

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...