null, 23 de Setembro, 2018
Colectânea

Estudo revela que muitas pessoas preferem não saber das notícias

Quando julgávamos que a consulta do noticiário mais recente se tinha tornado quase compulsiva, devido à instantaneidade de leitura nos dispositivos portáteis, há um número significativo de pessoas que deliberadamente evitam expor-se às notícias. Fazem-no porque as notícias têm efeito negativo sobre a sua disposição (48%), ou porque já não acreditam que sejam verdadeiras (37%), ou porque acham que não podem fazer nada sobre os problemas que elas contam (28%). A percentagem desta news avoidance é mais alta em países divididos por grande polarização política (38% nos EUA) e menor em países mais estáveis e igualitários, como os nórdicos. Portugal e a Bélgica vêm com 22%, logo a seguir à Suécia, que tem 21%. Estes dados são do Digital News Report 2017, do Reuters Institute.

Os países situados nos dois extremos são, pelo lado da relutância em saber das notícias, a Turquia e a Grécia, “empatadas” nos 57%, e pelo outro lado o Japão, com 6%, seguido da Dinamarca, com 14%. 

No texto de apresentação, Nic Newman sublinha que o relatório deste ano vem muito marcado pelo debate sobre as notícias falsas, a falência dos modelos de sustendo dos media e o crescente poder das plataformas digitais. Há, no entanto, algumas surpresas a registar: 

“A Internet e as redes sociais podem ter exacerbado a quebra de confiança e as fake news, mas em muitos países as motivações para a desconfiança têm muito a ver com uma profunda polarização política e tendenciosismo notado nos meios de referência.” 

“As ‘câmaras de eco’ e as ‘bolhas de filtro’ são sem dúvida reais para muitos, mas também verificamos que, em média, os utentes das redes sociais, dos agregadores [de conteúdos] e dos motores de busca têm experiência de maios diversidade do que os não utentes.” 

“Com dados de mais de 30 países de cinco continentes, este relatório recorda-nos que a revolução digital está cheia de contradições e de excepções. Há países que partiram de difrentes lugares, e agora se movem ao mesmo ritmo. Estas diferenças estão registadas em páginas individuais, por países, que se encontram no final do relatório.” (...) 

A primeira das “principais conclusões” destacadas no texto de apresentação é a respeito do uso das redes sociais como fonte de notícias: 

“O crescimento no uso das redes sociais como meio para receber notícias está a baixar em vários mercados, à medida que as aplicações de mensagens, que são mais privadas e não filtram tanto os conteúdos por meio dos seus algoritmos, estão a tornar-se mais populares. O uso do WhatsApp para acesso às notícias começa a rivalizar com o Facebook em vários mercados, incluindo a Malásia (51%), o Brasil (46%) e a Espanha (32%). (...) 

“É notável que, à excepção dos EUA e do Reino Unido, este crescimento esteja a baixar. Na maior parte dos países parou, e temos visto um declínio significativo em Portugal (-4), na Itália (-5), na Austrália e no Brasil (ambos -6).” 

“Pode tratar-se apenas de uma saturação do mercado, ou pode ter a ver com as mudanças nos algoritmos do Facebook em 2016, que tendem a dar prioridade à comunicação entre amigos e família, acima do conteúdo noticioso profissional. O Reino Unido e os Estados Unidos podem ter sido excepções porque os debates de natureza escaldante sobre a eleição e o referendo se passaram sobretudo nas redes sociais.” (...) 

“Apenas um quarto (24%) dos que responderam ao inquérito pensam que as redes sociais fazem bom trabalho na separação entre facto e ficção, comparando com os 40% que se referem aos meios noticiosos. Os dados qualitativos sugerem que os utentes sentem que a combinação de falta de regras com os algoritmos ‘virais’ contribuem para qua a baixa qualidade e as fake news proliferem rapidamente.” (...) 


O destaque sobre os que evitam as notícias e o texto de apresentação do Digital News Report 2017, que pode ser aberto em PDF

Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias, reparte-se, nesta sua segunda edição, por dois: um aberto a textos originais, que passa a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia, e outro que mantém o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.

Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

O Regulamento do Prémio de Lusofonia vem incluído na segunda imagem que acompanha este texto.

O efeito da revolução digital sobre a arquitectura das redacções Ver galeria

A transformação, no jornalismo, é tão rápida que até os novos termos ficam desactualizados sem que demos conta disso. Pior ainda, sem que os tenhamos sequer assimilado correctamente. É o caso da “convergência redaccional”, ou integração dos vários elementos da redacção no seu espaço reajustado. Esta reflexão é desenvolvida por Félix Bahón, jornalista, docente e investigador do Instituto para la Innovación Periodística, e foi publicada no nº 22 de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.


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Opinião
Costuma dizer-se que “no melhor pano cai a nódoa”. E assim aconteceu com o prestigiado jornal americano “The New New York Times” ao decidir publicar, como opinião, um artigo não assinado com o sugestivo titulo “I Am Part of the Resistance Inside the Trump Administration”, que dispensa tradução. Depois do saudável movimento, que congregou, recentemente, 350 jornais americanos, em resposta ao apelo do The Boston Globe,...
Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...
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