Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
Fórum

Estudo revela que muitas pessoas preferem hoje não saber das notícias

Quando julgávamos que a consulta do noticiário mais recente se tinha tornado quase compulsiva, devido à instantaneidade de leitura nos dispositivos portáteis, há hoje um número significativo de pessoas que deliberadamente evitam expor-se às notícias. Fazem-no porque as notícias têm efeito negativo sobre a sua disposição (48%), ou porque já não acreditam que sejam verdadeiras (37%), ou porque acham que não podem fazer nada sobre os problemas que elas contam (28%). A percentagem desta news avoidance é mais alta em países divididos por grande polarização política (38% nos EUA) e menor em países mais estáveis e igualitários, como os nórdicos. Portugal e a Bélgica vêm com 22%, logo a seguir à Suécia, que tem 21%. Estes dados são do Digital News Report 2017, do Reuters Institute.

Os países situados nos dois extremos são, pelo lado da relutância em saber das notícias, a Turquia e a Grécia, “empatadas” nos 57%, e pelo outro lado o Japão, com 6%, seguido da Dinamarca, com 14%. 

No texto de apresentação, Nic Newman sublinha que o relatório deste ano vem muito marcado pelo debate sobre as notícias falsas, a falência dos modelos de sustendo dos media e o crescente poder das plataformas digitais. Há, no entanto, algumas surpresas a registar: 

“A Internet e as redes sociais podem ter exacerbado a quebra de confiança e as fake news, mas em muitos países as motivações para a desconfiança têm muito a ver com uma profunda polarização política e tendenciosismo notado nos meios de referência.” 

“As ‘câmaras de eco’ e as ‘bolhas de filtro’ são sem dúvida reais para muitos, mas também verificamos que, em média, os utentes das redes sociais, dos agregadores [de conteúdos] e dos motores de busca têm experiência de maios diversidade do que os não utentes.” 

“Com dados de mais de 30 países de cinco continentes, este relatório recorda-nos que a revolução digital está cheia de contradições e de excepções. Há países que partiram de difrentes lugares, e agora se movem ao mesmo ritmo. Estas diferenças estão registadas em páginas individuais, por países, que se encontram no final do relatório.” (...) 

A primeira das “principais conclusões” destacadas no texto de apresentação é a respeito do uso das redes sociais como fonte de notícias: 

“O crescimento no uso das redes sociais como meio para receber notícias está a baixar em vários mercados, à medida que as aplicações de mensagens, que são mais privadas e não filtram tanto os conteúdos por meio dos seus algoritmos, estão a tornar-se mais populares. O uso do WhatsApp para acesso às notícias começa a rivalizar com o Facebook em vários mercados, incluindo a Malásia (51%), o Brasil (46%) e a Espanha (32%). (...) 

“É notável que, à excepção dos EUA e do Reino Unido, este crescimento esteja a baixar. Na maior parte dos países parou, e temos visto um declínio significativo em Portugal (-4), na Itália (-5), na Austrália e no Brasil (ambos -6).” 

“Pode tratar-se apenas de uma saturação do mercado, ou pode ter a ver com as mudanças nos algoritmos do Facebook em 2016, que tendem a dar prioridade à comunicação entre amigos e família, acima do conteúdo noticioso profissional. O Reino Unido e os Estados Unidos podem ter sido excepções porque os debates de natureza escaldante sobre a eleição e o referendo se passaram sobretudo nas redes sociais.” (...) 

“Apenas um quarto (24%) dos que responderam ao inquérito pensam que as redes sociais fazem bom trabalho na separação entre facto e ficção, comparando com os 40% que se referem aos meios noticiosos. Os dados qualitativos sugerem que os utentes sentem que a combinação de falta de regras com os algoritmos ‘virais’ contribuem para qua a baixa qualidade e as fake news proliferem rapidamente.” (...) 


O destaque sobre os que evitam as notícias e o texto de apresentação do Digital News Report 2017, que pode ser aberto em PDF

Connosco
Quando os repórteres são os heróis que nos fazem falta Ver galeria

Parece excessivo declarar que os repórteres são os heróis do nosso tempo, como vem no título do texto que aqui citamos. Quem o diz não é um jornalista, mas um historiador. E explica porquê, e de que repórteres está a falar. Trata-se daqueles que assumem riscos e perdem a vida para investigar a verdade do que sucede à nossa volta  - e esse tipo de reportagem de investigação “é um pedacinho microscópico dessa coisa a que chamamos media”.

Os repórteres que “correm riscos pela verdade” fazem-no por todos nós, incluindo pelos soldados que vamos ou não enviar para a frente de batalha. O único modo de avaliarmos as guerras em que nos envolvemos é tendo repórteres “com a coragem e a capacidade de irem lá fazer reportagem”. Esta reflexão é do historiador norte-americano Timothy Snyder, que citamos da Global Investigative Journalism Network.

O jornalismo com mais “clics” pode não ser o mais lido Ver galeria

Pode acontecer que o melhor jornalismo nem seja o que é mais lido. Não gostamos de ouvir esta notícia, mas foi disto e de outras coisas parecidas que se falou no XXI Laboratorio de Periodismo da APM, o debate periódico sobre temas de actualidade que, na sua edição de Abril de 2017, teve por tema “O que lêem e o que não lêem os leitores”. O encontro decorreu na sede da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  e foi moderado por Nemésio Rodríguez, vice-presidente da APM e actual presidente da FAPE – Federación de las Asociaciones de Periodistas de España.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

ver mais >
Opinião
Se sigo a actualidade e as notícias no digital, prefiro olhar para a reflexão e a descoberta no papel. E é aí que entra a nova geração de revistas que se vai publicando e que mostra as capacidades da imprensa, que estão longe de estar esgotadas. Com criatividade, imaginação editorial e gráfica, arrojo, e alguma capacidade para encontrar nichos de público têm surgido numerosas novas...
Para Joana Marques Vidal, todo o seu mérito se resume a “ter impresso a uma pesada máquina em movimento um novo funcionamento”, mais “eficaz, mais oleado, mais interdependente entre as várias equipas especializadas, e mais responsabilizado e onde deixa transparecer uma grande proximidade entre a hierarquia e as várias instâncias envolvidas. Joana Marques Vidal nunca recebeu telefonemas de Rui Rio, ao contrário do seu antecessor. Mas...
O Poder do Dever
Luís Queirós
No passado dia 14 de março, Maria Joana Raposo Marques Vidal foi falar ao Grémio Literário no ciclo que ali decorre sob o tema: "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. Na sua longa  intervenção  falou  do Ministério Público e de Justiça e ajudou os leigos na matéria - como...
A compra do The Los Angeles Times pelo cirurgião bilionário sino-americano Patrick Soon-Shiong – dono da maior fortuna da 2ª maior cidade americana - anunciada oficialmente em 7 de Fevereiro, marca o regresso da propriedade do jornal a um residente local, depois de 18 anos de controlo por grupos de media sediados fora da Califórnia. É o mais recente capítulo dos 137 anos de história do LA Times, propriedade da família Chandler durante...
Enquanto os dados mais recentes da APCT – Associação Portuguesa de controlo de Tiragem , confirmam a agonia de alguns titulos da Imprensa diária generalista e o recuo de semanários e de news magazines, do outro lado do Atlântico acredita-se que a credibilidade será a nova “moeda de troca” do jornalismo em 2018,  conforme se prevê num texto editado pelo Centro de Periodismo Digital de Guadalajara, que pode ser consultado...
Agenda
24
Abr
Social Media Week New York 2018
09:00 @ Sheraton Times Square, Nova Iorque
24
Abr
Social Media Strategies Summit Chicago 2018
22:00 @ Union League Club, Chicago
25
Abr
8º Congresso Nacional de "Periodismo Autónomo y Freelance: ‘La revolución audiovisual’"
09:00 @ Sala de Conferências da Faculdade de Ciências de Informação, Universidade de Madrid
28
Abr
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa