Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Estudo

Especialistas dividem-se sobre o futuro da verdade e da falsa informação na Internet

Há uma espécie de corrida às armas entre “os que exploram as vulnerabilidades humanas com tácticas de manipulação à velocidade da Internet” e, do outro lado, “os que procuram criar informação rigorosa e sistemas de divulgação dela que sejam fiáveis”. Entre uma coisa e outra, não sabemos responder de modo seguro à pergunta sobre se a tecnologia vai, durante a próxima década, melhorar ou piorar as nossas vidas. É esta a conclusão possível de um estudo que entrevistou mais de 1.100 especialistas na Internet e nas tecnologias que a servem, realizado no Verão de 2017 pelo Pew Research Center e pelo Imagining the Internet Center da Universidade de Elon, na Carolina do Norte.

Segundo a introdução do trabalho, tal como aparece no pewinternet.org, sob o título The Future of Truth and Misinformation Online, os peritos repartiram-se em dois grupos de dimensão semelhante:

“Os que prevêem uma melhoria põem as suas esperanças em apuramentos tecnológicos e soluções sociais. Outros pensam que o lado escuro da natureza humana é ajudado, mais do que suprimido pela tecnologia.” 

Feitas as contas, em resposta a esta “questão não-científica” [nonscientific canvassing, no original] sobre se o ecossistema da Informação vai melhorar nos próximos dez anos, 51% disseram que não, e 49% que sim. 

Segundo o artigo de Daniel Funke, do Poynter Institute, que aqui citamos, o relatório “concentra-se nas explicações dadas pelos participantes para as suas respostas, arrumando-os em dois campos ideológicos distintos: pessoas que acreditam que os humanos usam a tecnologia para o mal [nefariously] e pessoas que pensam que ela pode ser usada para o bem”. 

É citada a síntese do jornalista e investigador Tom Rosenstiel, director do American Press Institute

“A informação falsa não é como um problema de canalização que se possa consertar. É uma condição social, como o crime, que temos de verificar constantemente e ajustar-nos a ela.” 

Janna Anderson, co-autora do trabalho e directora do Imagining the Internet Center, disse que as respostas dos peritos identificaram alguns melhoramentos que os media têm de fazer, para contrariarem de modo efectivo a falsa informação: 

“Eles explicaram que o ecossistema da Informação não pode melhorar sem empresas noticiosas mais bem apetrechadas [de meios humanos], financeiramente estáveis e independentes, cujos sinais possam elevar-se acima do ruído da informação falsa, para criar uma base de ‘conhecimento comum’ dirigido ao público. Também insistiram em mais esforço de literacia para ajudar as pessoas a distinguirem o facto da falsidade.”

 

O artigo de chamada e o estudo, apresentado na PewInternet e na ElonUniversity. A imagem utilizada é uma secção da obra de Pieter Brueghel sobre a Torre de Babel

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...