Quinta-feira, 19 de Abril, 2018
Estudo

Especialistas dividem-se sobre o futuro da verdade e da falsa informação na Internet

Há uma espécie de corrida às armas entre “os que exploram as vulnerabilidades humanas com tácticas de manipulação à velocidade da Internet” e, do outro lado, “os que procuram criar informação rigorosa e sistemas de divulgação dela que sejam fiáveis”. Entre uma coisa e outra, não sabemos responder de modo seguro à pergunta sobre se a tecnologia vai, durante a próxima década, melhorar ou piorar as nossas vidas. É esta a conclusão possível de um estudo que entrevistou mais de 1.100 especialistas na Internet e nas tecnologias que a servem, realizado no Verão de 2017 pelo Pew Research Center e pelo Imagining the Internet Center da Universidade de Elon, na Carolina do Norte.

Segundo a introdução do trabalho, tal como aparece no pewinternet.org, sob o título The Future of Truth and Misinformation Online, os peritos repartiram-se em dois grupos de dimensão semelhante:

“Os que prevêem uma melhoria põem as suas esperanças em apuramentos tecnológicos e soluções sociais. Outros pensam que o lado escuro da natureza humana é ajudado, mais do que suprimido pela tecnologia.” 

Feitas as contas, em resposta a esta “questão não-científica” [nonscientific canvassing, no original] sobre se o ecossistema da Informação vai melhorar nos próximos dez anos, 51% disseram que não, e 49% que sim. 

Segundo o artigo de Daniel Funke, do Poynter Institute, que aqui citamos, o relatório “concentra-se nas explicações dadas pelos participantes para as suas respostas, arrumando-os em dois campos ideológicos distintos: pessoas que acreditam que os humanos usam a tecnologia para o mal [nefariously] e pessoas que pensam que ela pode ser usada para o bem”. 

É citada a síntese do jornalista e investigador Tom Rosenstiel, director do American Press Institute

“A informação falsa não é como um problema de canalização que se possa consertar. É uma condição social, como o crime, que temos de verificar constantemente e ajustar-nos a ela.” 

Janna Anderson, co-autora do trabalho e directora do Imagining the Internet Center, disse que as respostas dos peritos identificaram alguns melhoramentos que os media têm de fazer, para contrariarem de modo efectivo a falsa informação: 

“Eles explicaram que o ecossistema da Informação não pode melhorar sem empresas noticiosas mais bem apetrechadas [de meios humanos], financeiramente estáveis e independentes, cujos sinais possam elevar-se acima do ruído da informação falsa, para criar uma base de ‘conhecimento comum’ dirigido ao público. Também insistiram em mais esforço de literacia para ajudar as pessoas a distinguirem o facto da falsidade.”

 

O artigo de chamada e o estudo, apresentado na PewInternet e na ElonUniversity. A imagem utilizada é uma secção da obra de Pieter Brueghel sobre a Torre de Babel

Connosco
Quando os repórteres são os heróis que nos fazem falta Ver galeria

Parece excessivo declarar que os repórteres são os heróis do nosso tempo, como vem no título do texto que aqui citamos. Quem o diz não é um jornalista, mas um historiador. E explica porquê, e de que repórteres está a falar. Trata-se daqueles que assumem riscos e perdem a vida para investigar a verdade do que sucede à nossa volta  - e esse tipo de reportagem de investigação “é um pedacinho microscópico dessa coisa a que chamamos media”.

Os repórteres que “correm riscos pela verdade” fazem-no por todos nós, incluindo pelos soldados que vamos ou não enviar para a frente de batalha. O único modo de avaliarmos as guerras em que nos envolvemos é tendo repórteres “com a coragem e a capacidade de irem lá fazer reportagem”. Esta reflexão é do historiador norte-americano Timothy Snyder, que citamos da Global Investigative Journalism Network.

O jornalismo com mais “clics” pode não ser o mais lido Ver galeria

Pode acontecer que o melhor jornalismo nem seja o que é mais lido. Não gostamos de ouvir esta notícia, mas foi disto e de outras coisas parecidas que se falou no XXI Laboratorio de Periodismo da APM, o debate periódico sobre temas de actualidade que, na sua edição de Abril de 2017, teve por tema “O que lêem e o que não lêem os leitores”. O encontro decorreu na sede da Asociación de la Prensa de Madrid  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  e foi moderado por Nemésio Rodríguez, vice-presidente da APM e actual presidente da FAPE – Federación de las Asociaciones de Periodistas de España.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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Luís Queirós
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24
Abr
Social Media Week New York 2018
09:00 @ Sheraton Times Square, Nova Iorque
24
Abr
Social Media Strategies Summit Chicago 2018
22:00 @ Union League Club, Chicago
25
Abr
8º Congresso Nacional de "Periodismo Autónomo y Freelance: ‘La revolución audiovisual’"
09:00 @ Sala de Conferências da Faculdade de Ciências de Informação, Universidade de Madrid
28
Abr
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa