Sábado, 17 de Novembro, 2018
Estudo

Especialistas dividem-se sobre o futuro da verdade e da falsa informação na Internet

Há uma espécie de corrida às armas entre “os que exploram as vulnerabilidades humanas com tácticas de manipulação à velocidade da Internet” e, do outro lado, “os que procuram criar informação rigorosa e sistemas de divulgação dela que sejam fiáveis”. Entre uma coisa e outra, não sabemos responder de modo seguro à pergunta sobre se a tecnologia vai, durante a próxima década, melhorar ou piorar as nossas vidas. É esta a conclusão possível de um estudo que entrevistou mais de 1.100 especialistas na Internet e nas tecnologias que a servem, realizado no Verão de 2017 pelo Pew Research Center e pelo Imagining the Internet Center da Universidade de Elon, na Carolina do Norte.

Segundo a introdução do trabalho, tal como aparece no pewinternet.org, sob o título The Future of Truth and Misinformation Online, os peritos repartiram-se em dois grupos de dimensão semelhante:

“Os que prevêem uma melhoria põem as suas esperanças em apuramentos tecnológicos e soluções sociais. Outros pensam que o lado escuro da natureza humana é ajudado, mais do que suprimido pela tecnologia.” 

Feitas as contas, em resposta a esta “questão não-científica” [nonscientific canvassing, no original] sobre se o ecossistema da Informação vai melhorar nos próximos dez anos, 51% disseram que não, e 49% que sim. 

Segundo o artigo de Daniel Funke, do Poynter Institute, que aqui citamos, o relatório “concentra-se nas explicações dadas pelos participantes para as suas respostas, arrumando-os em dois campos ideológicos distintos: pessoas que acreditam que os humanos usam a tecnologia para o mal [nefariously] e pessoas que pensam que ela pode ser usada para o bem”. 

É citada a síntese do jornalista e investigador Tom Rosenstiel, director do American Press Institute

“A informação falsa não é como um problema de canalização que se possa consertar. É uma condição social, como o crime, que temos de verificar constantemente e ajustar-nos a ela.” 

Janna Anderson, co-autora do trabalho e directora do Imagining the Internet Center, disse que as respostas dos peritos identificaram alguns melhoramentos que os media têm de fazer, para contrariarem de modo efectivo a falsa informação: 

“Eles explicaram que o ecossistema da Informação não pode melhorar sem empresas noticiosas mais bem apetrechadas [de meios humanos], financeiramente estáveis e independentes, cujos sinais possam elevar-se acima do ruído da informação falsa, para criar uma base de ‘conhecimento comum’ dirigido ao público. Também insistiram em mais esforço de literacia para ajudar as pessoas a distinguirem o facto da falsidade.”

 

O artigo de chamada e o estudo, apresentado na PewInternet e na ElonUniversity. A imagem utilizada é uma secção da obra de Pieter Brueghel sobre a Torre de Babel

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


ver mais >
Opinião
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...
Há cerca de um ano, António Barreto  costumava assinar uma assertiva coluna de opinião no Diário de Noticias, entretanto desaparecida como outras, sem deixar rasto. Numa delas,  reconhecia ser “simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão” . E comentava, a propósito,  que  “a vulgaridade é sinal de verdade. A...
Agenda
19
Nov
21
Nov
22
Nov
Westminster Forum Projects
09:00 @ Londres, Reino Unido
23
Nov
#6COBCIBER – VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo
09:00 @ Faculdade de Letras da Universidade do Porto