Quinta-feira, 21 de Março, 2019
Media

Revistas competem nos EUA com o ecossistema digital

 

As revistas poderão constituir no futuro um interessante nicho de mercado, quer para leitores com interesses mais segmentados, quer ainda para investimento publicitário.

Perante um ecossistema digital, caracterizado por noticias falsas e por um duvidoso retorno do investimento publicitário -  tendo em conta a reconhecida falsificação dos cliques -, as revistas aparecem como meios sólidos capazes de sensibilizar os leitores e propiciar uma compensação mais segura para as marcas, como conclui o site electrónico media tics, num texto assinado por Miriam Garcimartin.

De facto, as revistas são sinónimo de qualidade para os leitores e oferecem melhores resultados aos anunciantes. Pelo menos, é essa a convicção de Linda Thomas Brooks, CEO da Associação americana de revistas MPA (The Association of Magazine Media), durante uma intervenção no FIPP - World Congress, realizado em Londres.

A MPA procedeu a uma significativa recolha de dados, baseada em várias fontes, incluindo uma compilação de 150 estudos de neurociências, que demostram que o conteúdo impresso produz uma maior participação emocional, compreensão e memória do que a informação em formato digital.

Na sua intervenção, Linda Thomas Brooks assegurou que a retórica que incide na ideia de que o papel impresso está a morrer, não corresponde à realidade. De acordo com estudos recentes, as revistas estão a crescer ou, pelo menos, manifestam-se estáveis nos Estados Unidos. E a realidade é que os consumidores não abandonaram as publicações, antes agregaram outros métodos de consumo, como o Instagram e o Facebook.

Do lado publicitário, a Nielsen Catalina Solutions (NCS) provou que as revistas eram o meio com maior retorno para os anunciantes.

Por aqui se conclui que vai renhida a dialéctica nos Estados Unidos, não sendo a Europa também excepção, entre as virtualidades da oferta digital e a resistência activa dos meios impressos.

Connosco
Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

Quando há leitores menos interessados na independência do jornal Ver galeria

Mais de 33 mil leitores do jornal espanhol eldiario.es  são assinantes, o que significa que pagam 60 euros por ano para ler os mesmos textos que são lidos de graça por oito milhões de pessoas por mês, sem pagarem um cêntimo.

“Supõe-se que o fazem por convicção, por apoio a um projecto digital que pertence exclusivamente a jornalistas, sem grandes empresas ou bancos entre os accionistas. Sem um grupo mediático por detrás.” (...) “Supõe-se que o fazem porque, graças a esse dinheiro, existe uma plataforma mediática independente que tem orgulho na sua independência e que aposta em conteúdos de qualidade.”

No entanto, quando eldiário.es publicou uma revelação embaraçosa para uma ministra do Governo do PSOE, houve quem suspendesse a assinatura, acusando o jornal de estar “a fazer o jogo da direita”.

O que remete para a pergunta que faz o título do artigo sobre uma entrevista que Ignacio Escolar, fundador e director do jornal referido, fez ao jornalista Iñaki Gabilondo: “E se os leitores não quiserem media livres?”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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