Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Revistas competem nos EUA com o ecossistema digital

 

As revistas poderão constituir no futuro um interessante nicho de mercado, quer para leitores com interesses mais segmentados, quer ainda para investimento publicitário.

Perante um ecossistema digital, caracterizado por noticias falsas e por um duvidoso retorno do investimento publicitário -  tendo em conta a reconhecida falsificação dos cliques -, as revistas aparecem como meios sólidos capazes de sensibilizar os leitores e propiciar uma compensação mais segura para as marcas, como conclui o site electrónico media tics, num texto assinado por Miriam Garcimartin.

De facto, as revistas são sinónimo de qualidade para os leitores e oferecem melhores resultados aos anunciantes. Pelo menos, é essa a convicção de Linda Thomas Brooks, CEO da Associação americana de revistas MPA (The Association of Magazine Media), durante uma intervenção no FIPP - World Congress, realizado em Londres.

A MPA procedeu a uma significativa recolha de dados, baseada em várias fontes, incluindo uma compilação de 150 estudos de neurociências, que demostram que o conteúdo impresso produz uma maior participação emocional, compreensão e memória do que a informação em formato digital.

Na sua intervenção, Linda Thomas Brooks assegurou que a retórica que incide na ideia de que o papel impresso está a morrer, não corresponde à realidade. De acordo com estudos recentes, as revistas estão a crescer ou, pelo menos, manifestam-se estáveis nos Estados Unidos. E a realidade é que os consumidores não abandonaram as publicações, antes agregaram outros métodos de consumo, como o Instagram e o Facebook.

Do lado publicitário, a Nielsen Catalina Solutions (NCS) provou que as revistas eram o meio com maior retorno para os anunciantes.

Por aqui se conclui que vai renhida a dialéctica nos Estados Unidos, não sendo a Europa também excepção, entre as virtualidades da oferta digital e a resistência activa dos meios impressos.

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
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