Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

Os jornais impressos "condenados" com pena suspensa

O anunciado fim dos jornais impressos é um “obituário precoce” ou uma espécie de condenação à morte com pena suspensa? Até que ponto esta narrativa “fatalista” serve para esconder a questão de fundo, da perda de confiança do público nos jornais? 
A reflexão, que mistura um pouco de ironia com alguma esperança, é de José Soto Galindo, editor da versão digital de El Economista na Cidade do México. O primeiro exemplo que o autor apresenta é significativo, até pela abundância de candidatos a “coveiros” que suscita nos Estados Unidos: The New York Times.

José Soto Galindo cita outro jornalista, Michael Hirschorn, que há dez anos punha a questão de saber se o NYT sobreviveria ou não à morte anunciada dos jornais impressos perante a chegada da tecnologia digital. Como conta, as “profecias” de Hirschorn estiveram na origem de muitos documentários e análises sérias sobre o que nesse momento parecia inevitável. 

“O obituário precoce parecia adequado num momento de choque para a indústria nos EUA: os leitores mudavam-se em massa para as plataformas digitais, gratuitas e ao alcance de um clic, o papel estava mais caro, a venda de publicidade passava um péssimo bocado e a crise financeira de 2008 só fazia pensar no pior.” (…) 

Além disso, entre 1 de Fevereiro e 1 de Novembro de 2008, o valor das acções do Times na bolsa de Nova Iorque caiu 75%.

Depois de se referir à situação da Imprensa no México, José Soto Galindo afirma que este “mantra” estava errado, “ou que, pelo menos, não vai materializar-se imediatamente”: 

“Os jornais em papel vão morrer, certamente, quando se acabar a polpa de celulose de que são feitos, ou quando já só restem leitores a quem um objecto sem electricidade provoque urticária.” (…) 

“O que o fatalismo de há quase dez anos tornou evidente é que a indústria do jornalismo impresso precisava de se reinventar e que os desafios seriam mais complicados nos anos seguintes, com a chegada dos telefones portáteis ligados à Internet e a massificação das redes sociais e dos seus algoritmos para hierarquizar e distribuir o conteúdo.” (…) 

Em sua opinião, o desafio principal, no México, é o da confiança nos jornais, que está muito baixo. Segundo um recente inquérito de opinião, “só dois em cada dez mexicanos, em 2017, confia nesta fonte de informação, num contexto de desconfiança generalizada em relação às instituições tradicionais”. 

E reconhece que “a chegada dos meios digitais, para informar e informar-se, rouba protagonismo aos meios tradicionais e coloca em dúvida o seu trabalho e objectividade.” 

A concluir, José Soto Galindo admite que talvez os jornais “não deixem de circular, mas a sua importância está ameaçada e poderia sofrer um destino pior: a desatenção por parte dos consumidores”. 


O texto citado, na íntegra, em El Economista

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Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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