Segunda-feira, 21 de Maio, 2018
Media

Os jornais impressos "condenados" com pena suspensa

O anunciado fim dos jornais impressos é um “obituário precoce” ou uma espécie de condenação à morte com pena suspensa? Até que ponto esta narrativa “fatalista” serve para esconder a questão de fundo, da perda de confiança do público nos jornais? 
A reflexão, que mistura um pouco de ironia com alguma esperança, é de José Soto Galindo, editor da versão digital de El Economista na Cidade do México. O primeiro exemplo que o autor apresenta é significativo, até pela abundância de candidatos a “coveiros” que suscita nos Estados Unidos: The New York Times.

José Soto Galindo cita outro jornalista, Michael Hirschorn, que há dez anos punha a questão de saber se o NYT sobreviveria ou não à morte anunciada dos jornais impressos perante a chegada da tecnologia digital. Como conta, as “profecias” de Hirschorn estiveram na origem de muitos documentários e análises sérias sobre o que nesse momento parecia inevitável. 

“O obituário precoce parecia adequado num momento de choque para a indústria nos EUA: os leitores mudavam-se em massa para as plataformas digitais, gratuitas e ao alcance de um clic, o papel estava mais caro, a venda de publicidade passava um péssimo bocado e a crise financeira de 2008 só fazia pensar no pior.” (…) 

Além disso, entre 1 de Fevereiro e 1 de Novembro de 2008, o valor das acções do Times na bolsa de Nova Iorque caiu 75%.

Depois de se referir à situação da Imprensa no México, José Soto Galindo afirma que este “mantra” estava errado, “ou que, pelo menos, não vai materializar-se imediatamente”: 

“Os jornais em papel vão morrer, certamente, quando se acabar a polpa de celulose de que são feitos, ou quando já só restem leitores a quem um objecto sem electricidade provoque urticária.” (…) 

“O que o fatalismo de há quase dez anos tornou evidente é que a indústria do jornalismo impresso precisava de se reinventar e que os desafios seriam mais complicados nos anos seguintes, com a chegada dos telefones portáteis ligados à Internet e a massificação das redes sociais e dos seus algoritmos para hierarquizar e distribuir o conteúdo.” (…) 

Em sua opinião, o desafio principal, no México, é o da confiança nos jornais, que está muito baixo. Segundo um recente inquérito de opinião, “só dois em cada dez mexicanos, em 2017, confia nesta fonte de informação, num contexto de desconfiança generalizada em relação às instituições tradicionais”. 

E reconhece que “a chegada dos meios digitais, para informar e informar-se, rouba protagonismo aos meios tradicionais e coloca em dúvida o seu trabalho e objectividade.” 

A concluir, José Soto Galindo admite que talvez os jornais “não deixem de circular, mas a sua importância está ameaçada e poderia sofrer um destino pior: a desatenção por parte dos consumidores”. 


O texto citado, na íntegra, em El Economista

Connosco
Conferência a 22 de Maio com ministro Mário Centeno Ver galeria

Mário Centeno, Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, é o nosso orador convidado para o jantar-debate do próximo dia 22 de Maio, promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série  - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

Mário José Gomes de Freitas Centeno nasceu em Olhão, em Dezembro de 1966, e fez o seu percurso académico em Lisboa, para onde veio morar, com os pais e irmãos, quando tinha 15 anos. Obteve no ISEG  - Instituto Superior de Economia e Gestão a sua licenciatura em Economia, em 1990, seguida de um mestrado em Matemática Aplicada na mesma escola superior.


Livro de memórias de Pedro Rolo Duarte sem ser autobiografia Ver galeria

Pedro Rolo Duarte, que nos deixou em Novembro de 2017, deixou também um conjunto de textos agora reunidos e publicados em livro. O título, “Não Respire”, vai direito a um tema incontornável, que o autor assume e é continuado logo abaixo, na mesma capa: “Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso era tarde)”.
O Observador, que publica excertos de momentos marcantes da sua vida, explica que “a autobiografia póstuma do jornalista, que a editora Manuscrito acabou de publicar, fala naturalmente da doença, mas não só”. O primeiro desses excertos é “o vício do tabaco”. Mas as 296 páginas “estão repletas de histórias de uma vida cheia. Nelas, Rolo Duarte recordou os melhores tempos de uma carreira com mais de 30 anos (a fundação d’O Independente, do DNA), os amigos, as paixões e os vícios. Sempre com grande saudade mas sem uma ponta de pessimismo.”

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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