Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Media

Os jornais impressos "condenados" com pena suspensa

O anunciado fim dos jornais impressos é um “obituário precoce” ou uma espécie de condenação à morte com pena suspensa? Até que ponto esta narrativa “fatalista” serve para esconder a questão de fundo, da perda de confiança do público nos jornais? 
A reflexão, que mistura um pouco de ironia com alguma esperança, é de José Soto Galindo, editor da versão digital de El Economista na Cidade do México. O primeiro exemplo que o autor apresenta é significativo, até pela abundância de candidatos a “coveiros” que suscita nos Estados Unidos: The New York Times.

José Soto Galindo cita outro jornalista, Michael Hirschorn, que há dez anos punha a questão de saber se o NYT sobreviveria ou não à morte anunciada dos jornais impressos perante a chegada da tecnologia digital. Como conta, as “profecias” de Hirschorn estiveram na origem de muitos documentários e análises sérias sobre o que nesse momento parecia inevitável. 

“O obituário precoce parecia adequado num momento de choque para a indústria nos EUA: os leitores mudavam-se em massa para as plataformas digitais, gratuitas e ao alcance de um clic, o papel estava mais caro, a venda de publicidade passava um péssimo bocado e a crise financeira de 2008 só fazia pensar no pior.” (…) 

Além disso, entre 1 de Fevereiro e 1 de Novembro de 2008, o valor das acções do Times na bolsa de Nova Iorque caiu 75%.

Depois de se referir à situação da Imprensa no México, José Soto Galindo afirma que este “mantra” estava errado, “ou que, pelo menos, não vai materializar-se imediatamente”: 

“Os jornais em papel vão morrer, certamente, quando se acabar a polpa de celulose de que são feitos, ou quando já só restem leitores a quem um objecto sem electricidade provoque urticária.” (…) 

“O que o fatalismo de há quase dez anos tornou evidente é que a indústria do jornalismo impresso precisava de se reinventar e que os desafios seriam mais complicados nos anos seguintes, com a chegada dos telefones portáteis ligados à Internet e a massificação das redes sociais e dos seus algoritmos para hierarquizar e distribuir o conteúdo.” (…) 

Em sua opinião, o desafio principal, no México, é o da confiança nos jornais, que está muito baixo. Segundo um recente inquérito de opinião, “só dois em cada dez mexicanos, em 2017, confia nesta fonte de informação, num contexto de desconfiança generalizada em relação às instituições tradicionais”. 

E reconhece que “a chegada dos meios digitais, para informar e informar-se, rouba protagonismo aos meios tradicionais e coloca em dúvida o seu trabalho e objectividade.” 

A concluir, José Soto Galindo admite que talvez os jornais “não deixem de circular, mas a sua importância está ameaçada e poderia sofrer um destino pior: a desatenção por parte dos consumidores”. 


O texto citado, na íntegra, em El Economista

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Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

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site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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