Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Os jornais impressos "condenados" com pena suspensa

O anunciado fim dos jornais impressos é um “obituário precoce” ou uma espécie de condenação à morte com pena suspensa? Até que ponto esta narrativa “fatalista” serve para esconder a questão de fundo, da perda de confiança do público nos jornais? 
A reflexão, que mistura um pouco de ironia com alguma esperança, é de José Soto Galindo, editor da versão digital de El Economista na Cidade do México. O primeiro exemplo que o autor apresenta é significativo, até pela abundância de candidatos a “coveiros” que suscita nos Estados Unidos: The New York Times.

José Soto Galindo cita outro jornalista, Michael Hirschorn, que há dez anos punha a questão de saber se o NYT sobreviveria ou não à morte anunciada dos jornais impressos perante a chegada da tecnologia digital. Como conta, as “profecias” de Hirschorn estiveram na origem de muitos documentários e análises sérias sobre o que nesse momento parecia inevitável. 

“O obituário precoce parecia adequado num momento de choque para a indústria nos EUA: os leitores mudavam-se em massa para as plataformas digitais, gratuitas e ao alcance de um clic, o papel estava mais caro, a venda de publicidade passava um péssimo bocado e a crise financeira de 2008 só fazia pensar no pior.” (…) 

Além disso, entre 1 de Fevereiro e 1 de Novembro de 2008, o valor das acções do Times na bolsa de Nova Iorque caiu 75%.

Depois de se referir à situação da Imprensa no México, José Soto Galindo afirma que este “mantra” estava errado, “ou que, pelo menos, não vai materializar-se imediatamente”: 

“Os jornais em papel vão morrer, certamente, quando se acabar a polpa de celulose de que são feitos, ou quando já só restem leitores a quem um objecto sem electricidade provoque urticária.” (…) 

“O que o fatalismo de há quase dez anos tornou evidente é que a indústria do jornalismo impresso precisava de se reinventar e que os desafios seriam mais complicados nos anos seguintes, com a chegada dos telefones portáteis ligados à Internet e a massificação das redes sociais e dos seus algoritmos para hierarquizar e distribuir o conteúdo.” (…) 

Em sua opinião, o desafio principal, no México, é o da confiança nos jornais, que está muito baixo. Segundo um recente inquérito de opinião, “só dois em cada dez mexicanos, em 2017, confia nesta fonte de informação, num contexto de desconfiança generalizada em relação às instituições tradicionais”. 

E reconhece que “a chegada dos meios digitais, para informar e informar-se, rouba protagonismo aos meios tradicionais e coloca em dúvida o seu trabalho e objectividade.” 

A concluir, José Soto Galindo admite que talvez os jornais “não deixem de circular, mas a sua importância está ameaçada e poderia sofrer um destino pior: a desatenção por parte dos consumidores”. 


O texto citado, na íntegra, em El Economista

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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