Sábado, 17 de Novembro, 2018
Fórum

A missão de um jornalismo responsável em casos extremos

“Estamos enfrentando tempos de cólera, descrença e desumanidade. (...) A primeira semana de Outubro de 2017 demonstrou essas evidências através de actos chocantes e episódios avassaladores que provocam inquietude, comoção e reflexão.” O texto que citamos refere-se à morte do reitor da Universidade de Santa Catarina, no Brasil, ao ataque a uma creche, no mesmo país, e ao massacre de Las Vegas. A reflexão que desenvolve é sobre a humanidade e a dignidade que devem orientar um jornalismo responsável, ao tratar destes “casos extremos”. 

O autor do Comentário da Semana de ObjEthos – Observatório da Ética Jornalística interroga-se sobre como podem os jornalistas preparar-se para momentos como estes:

“Eu diria que jornalistas profissionais, com formação superior, precisam se preparar para coberturas complexas que envolvem o inesperado e o impactante. Para tanto, devem se reconhecer como profissionais que desempenham uma actividade com reflexos sociais, devem estar cientes das possíveis consequências e danos irreversíveis que podem ser causados por informações incoerentes e desequilibradas.” (...)

“É algo que não se ganha, é algo que se conquista, intransferível, frágil, que informações jornalísticas podem afectar de maneira irremediável. A prisão injusta e consequente morte de um homem, o acto terrorista de um estadunidense que matou mais de 50 pessoas e a insanidade brutal de um abjecto que incendiou uma creche são produtos vendáveis ou sintomas estarrecedores de mazelas sociais?” (...)

 

“As ações jornalísticas impactam diretamente na convivência social e na estruturação dos sentimentos e sentidos que movem determinados grupos sociais. Dessa forma, são um elemento constitutivo significativo de interpretação do entorno e do cotidiano dos indivíduos. O desconhecimento dessa condição singular da atividade jornalística é muitas vezes utilizado e se manifesta por meio de álibis descabidos de jornalistas que culpam o ‘calor do momento, o ‘imediatismo’ ou as ‘informações desencontradas das fontes’ para eximir-se de suas responsabilidades.” (...)

 

O autor contesta “a noção de que o jornalista é um mero observador, uma entidade neutra, sem sentimentos e intencionalidades. Essas falácias negligenciam a dimensão humana da atividade jornalística e estimulam a propagação de um sentido jornalístico extremamente artificial e apático. (...) Ao reproduzir a boçalidade de ‘autoridades’ públicas e a insensatez de bárbaros assassinos de maneira acrítica, os jornalistas abastecem a desumanização e gradativamente se aproximam da insanidade, do vale tudo mercadológico”. 

“Predominantemente, o valor monetário está solapando o valor informativo do conteúdo jornalístico. Ao se deparar com casos extraordinários os profissionais não parecem idealizar a verdade, mas o que seria bom para vender. Em inúmeros casos o jornalista explora a superficialidade e não explica a particularidade dos factos. O debate sobre essas questões é premente, as dimensões ligadas à humanidade e à dignidade que envolvem a ética jornalística devem ser discutidas com seriedade profissional, como elementos e condutas inalienáveis.” (...)

 

O texto citado, na íntegra, em ObjEthos, cuja ilustração, de Vítor Teixeira/Portal Fórum, aqui reproduzimos

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...
Há cerca de um ano, António Barreto  costumava assinar uma assertiva coluna de opinião no Diário de Noticias, entretanto desaparecida como outras, sem deixar rasto. Numa delas,  reconhecia ser “simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão” . E comentava, a propósito,  que  “a vulgaridade é sinal de verdade. A...
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