Segunda-feira, 21 de Maio, 2018
Fórum

A missão de um jornalismo responsável em casos extremos

“Estamos enfrentando tempos de cólera, descrença e desumanidade. (...) A primeira semana de Outubro de 2017 demonstrou essas evidências através de actos chocantes e episódios avassaladores que provocam inquietude, comoção e reflexão.” O texto que citamos refere-se à morte do reitor da Universidade de Santa Catarina, no Brasil, ao ataque a uma creche, no mesmo país, e ao massacre de Las Vegas. A reflexão que desenvolve é sobre a humanidade e a dignidade que devem orientar um jornalismo responsável, ao tratar destes “casos extremos”. 

O autor do Comentário da Semana de ObjEthos – Observatório da Ética Jornalística interroga-se sobre como podem os jornalistas preparar-se para momentos como estes:

“Eu diria que jornalistas profissionais, com formação superior, precisam se preparar para coberturas complexas que envolvem o inesperado e o impactante. Para tanto, devem se reconhecer como profissionais que desempenham uma actividade com reflexos sociais, devem estar cientes das possíveis consequências e danos irreversíveis que podem ser causados por informações incoerentes e desequilibradas.” (...)

“É algo que não se ganha, é algo que se conquista, intransferível, frágil, que informações jornalísticas podem afectar de maneira irremediável. A prisão injusta e consequente morte de um homem, o acto terrorista de um estadunidense que matou mais de 50 pessoas e a insanidade brutal de um abjecto que incendiou uma creche são produtos vendáveis ou sintomas estarrecedores de mazelas sociais?” (...)

 

“As ações jornalísticas impactam diretamente na convivência social e na estruturação dos sentimentos e sentidos que movem determinados grupos sociais. Dessa forma, são um elemento constitutivo significativo de interpretação do entorno e do cotidiano dos indivíduos. O desconhecimento dessa condição singular da atividade jornalística é muitas vezes utilizado e se manifesta por meio de álibis descabidos de jornalistas que culpam o ‘calor do momento, o ‘imediatismo’ ou as ‘informações desencontradas das fontes’ para eximir-se de suas responsabilidades.” (...)

 

O autor contesta “a noção de que o jornalista é um mero observador, uma entidade neutra, sem sentimentos e intencionalidades. Essas falácias negligenciam a dimensão humana da atividade jornalística e estimulam a propagação de um sentido jornalístico extremamente artificial e apático. (...) Ao reproduzir a boçalidade de ‘autoridades’ públicas e a insensatez de bárbaros assassinos de maneira acrítica, os jornalistas abastecem a desumanização e gradativamente se aproximam da insanidade, do vale tudo mercadológico”. 

“Predominantemente, o valor monetário está solapando o valor informativo do conteúdo jornalístico. Ao se deparar com casos extraordinários os profissionais não parecem idealizar a verdade, mas o que seria bom para vender. Em inúmeros casos o jornalista explora a superficialidade e não explica a particularidade dos factos. O debate sobre essas questões é premente, as dimensões ligadas à humanidade e à dignidade que envolvem a ética jornalística devem ser discutidas com seriedade profissional, como elementos e condutas inalienáveis.” (...)

 

O texto citado, na íntegra, em ObjEthos, cuja ilustração, de Vítor Teixeira/Portal Fórum, aqui reproduzimos

Connosco
Conferência a 22 de Maio com ministro Mário Centeno Ver galeria

Mário Centeno, Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, é o nosso orador convidado para o jantar-debate do próximo dia 22 de Maio, promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série  - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

Mário José Gomes de Freitas Centeno nasceu em Olhão, em Dezembro de 1966, e fez o seu percurso académico em Lisboa, para onde veio morar, com os pais e irmãos, quando tinha 15 anos. Obteve no ISEG  - Instituto Superior de Economia e Gestão a sua licenciatura em Economia, em 1990, seguida de um mestrado em Matemática Aplicada na mesma escola superior.


Livro de memórias de Pedro Rolo Duarte sem ser autobiografia Ver galeria

Pedro Rolo Duarte, que nos deixou em Novembro de 2017, deixou também um conjunto de textos agora reunidos e publicados em livro. O título, “Não Respire”, vai direito a um tema incontornável, que o autor assume e é continuado logo abaixo, na mesma capa: “Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso era tarde)”.
O Observador, que publica excertos de momentos marcantes da sua vida, explica que “a autobiografia póstuma do jornalista, que a editora Manuscrito acabou de publicar, fala naturalmente da doença, mas não só”. O primeiro desses excertos é “o vício do tabaco”. Mas as 296 páginas “estão repletas de histórias de uma vida cheia. Nelas, Rolo Duarte recordou os melhores tempos de uma carreira com mais de 30 anos (a fundação d’O Independente, do DNA), os amigos, as paixões e os vícios. Sempre com grande saudade mas sem uma ponta de pessimismo.”

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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Pouca gente terá reparado que o Governo andou a fazer uma luta surda com a RTP até conseguir o que queria - ter uma palavra a dizer na composição do conselho de administração da empresa concessionária do serviço público de Rádio e Televisão. O caso deu-se graças a uma das maiores asneiras do ministro Poiares Maduro, no anterior governo, que foi a criação do Conselho Geral Independente...
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A 3 de Maio celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. A ideia de uma organização, patrocinada pela Unesco, para defender a liberdade de informação partiu de um grupo de jornalistas independentes em 1976.O encontro deste ano, no Ghana, dará especial atenção à independência do sistema judicial e à importância de assegurar que serão legalmente investigados e condenados crimes contra jornalistas. Foi,...
Para Joana Marques Vidal, todo o seu mérito se resume a “ter impresso a uma pesada máquina em movimento um novo funcionamento”, mais “eficaz, mais oleado, mais interdependente entre as várias equipas especializadas, e mais responsabilizado e onde deixa transparecer uma grande proximidade entre a hierarquia e as várias instâncias envolvidas. Joana Marques Vidal nunca recebeu telefonemas de Rui Rio, ao contrário do seu antecessor. Mas...
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No passado dia 14 de março, Maria Joana Raposo Marques Vidal foi falar ao Grémio Literário no ciclo que ali decorre sob o tema: "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. Na sua longa  intervenção  falou  do Ministério Público e de Justiça e ajudou os leigos na matéria - como...
Agenda
24
Mai
24
Mai
Conferência Internacional Literacia de Media e Informação
09:00 @ Faculdade de Letras - Universidade de Coimbra
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The GEN Summit 2018
19:00 @ Pátio da Galé, Lisboa
01
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09:00 @ Thessaloniki, Grécia
04
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Fotojornalismo e Direitos de Autor
09:00 @ Cenjor, Lisboa