Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Media

Informação aligeirada pode contaminar os "media" como a gripe

A informação ligeira que se troca hoje entre as pessoas, em toda a parte, é comparada a uma doença, transmitida por um vírus. Em princípio, procuramos "evitar ou diminuir o contágio", evitando fisicamente ficar perto de tais pessoas. "Mas eis que chega o colectivo das redes sociais com a promessa de trazer novos ares. E o que fazemos? Entramos todos dentro e fechamos as janelas. Resultado: um óptimo lugar para concentrar e viralizar a estupidez." Esta reflexão é de Alexandre Marini, no Observatório da Imprensa do Brasil, com que mantemos um acordo de parceria."

Como diz o autor:

“Agora a pessoa pode estar do outro lado do planeta, mas não adianta: a estupidez chega até você, na sua cara. Vem assim, no susto  – pá! Não dá nem para virar o rosto. Está na sua timeline.” 

“Fechamos mais janelas, mas não adianta. É parente próximo, parente distante, amigo de infância, colega do trabalho, pessoas que já foram ou são importantes para nós. É muita gente querida gripada, falando, espirrando, respingando estupidez.” (...) 

“Tem quem confunda os próprios preconceitos com capacidade crítica (incluindo arte, tão na moda agora), censura com direito, ideologia com teoria, género com sexo, crença com conhecimento científico, religião com política, conservadorismo com discurso de ódio, diálogo com polarização, o próprio quintal com o mundo, o umbigo com o sol.” (...) 

Alexandre Marini conclui com ironia, propondo, em carta aberta a Mark Zuckerberg, que crie “um filtro temporário”: 

“Um emoticon com máscara no rosto que nos manteria a uma distância relativamente segura daqueles que insistem em espirrar estupidez. Poderíamos classificar, inclusive, alguém como portador de um pequeno resfriado ou até (em seu grau máximo) uma gripe suína, em que o espírito de porco parece já ter tomado conta. Tem certas horas que aproximar, afasta, caro Zuckerberg. Depois, quando melhorassem, voltariam para nossa timeline. Ia ser tão mais saudável. Questão de saúde pública.” (...)

 

O texto na íntegra, no Observatório da Imprensa

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
O semanário britânico The Economist, geralmente um entusiasta do progresso científico e tecnológico, dedicou a capa e o primeiro editorial de um seu recente número a uma crítica severa às redes sociais. Estas, em vez de contribuírem para o esclarecimento público e o debate racional (como inicialmente se esperava), multiplicam mentiras e falsidades – por exemplo, as milhares de intromissões russas no Facebook e no...
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