Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Estudo

Inquérito global às redacções revela assimetrias na adaptação tecnológica

A revolução digital parece hoje omnipresente na paisagem dos media, mas nem todas as redacções estão a tirar dela o melhor proveito, e há muitas que estão a ser “deixadas para trás”. Seja por desníveis tecnológicos, ou pelo lado da segurança e da verificação dos factos, ou pelo da confiança por parte do público, ou ainda pelo da sustentabilidade financeira, as redacções não estão a adoptar na sua totalidade os novos instrumentos disponíveis. Só 5% dos profissionais têm formação tecnológica reconhecida e só 18% das redacções são de natureza digital. Estes dados são de um inquérito global ao Estado da Tecnologia nas Redacções, realizado pelo International Center for Journalists.

Este estudo, que recolheu mais de 2.700 respostas de jornalistas e responsáveis pelas redacções em 130 países, revela que esta tendência é consistente em todas as regiões, embora no espaço da Eurásia/antiga União Soviética haja maior adopção dos meios digitais e o Sudeste Asiático seja ainda dominado pelos meios tradicionais. 

Segundo notícia da International Journalists’ Network, que aqui citamos, os problemas vêm principalmente de dois lados: o da confiança e verificação, e o dos modelos de negócio: 

“As redacções dependem muitíssimo de conteúdos gerados por utentes na preparação de notícias de última hora, mas só 11% dos inquiridos decararam estar a usar as ferramentas de verificação das redes sociais, como a TinEye e a Datamir. E isto apesar de a maioria dos jornalistas  (71%)  usarem as redes sociais para encontrarem ideias para novas reportagens e outro conteúdo do seu trabalho.” 

“E quando as notícias não são verificadas, o público perde confiança. Apesar de a confiança do público nos media se encontrar no ponto mais baixo de sempre, em todo o mundo, só 21% dos inquiridos na Eurásia e nos antigos Estados soviéticos  - e 29% das redacções na América do Norte -  identificaram a construção de confiança como preocupação fundamental. Outras regiões do mundo, especialmente a América Latina, o Médio Oriente / África do Norte e a Europa, estão muito mais preocupadas.” (...) 

“Quase duas décadas desde que a Internet começou a perturbar o modelo de negócio do jornalismo, muitas redacções continuam a lutar pelo desenvolvimento de uma fonte de rendimento sustentável que não afogue o leitores com anúncios ou os faça parar diante de uma paywall.” 

“É mais fácil às redacções exclusivamente digitais adaptarem-se aos desafios de financiarem o noticiário online. Segundo este inquérito, têm duas vezes mais probabilidade de gerar receita de fontes alternativas do que as redacções tradicionais ou híbridas (que combinam os formatos tradicional e digital).” (...) 

O texto que citamos conclui:

“Apesar destas revelações, há esperança para o jornalismo na era digital  - se soubermos onde procurar. Em sete das oito regiões estudadas, as redacções exclusivamente digitais ou híbridas ultrapassaram os media tradicionais. As startups impulsionadas pela inovação podem tornar-se a nova norma, à medida que mais meios tradicionais desaparecem. E todas as oito regiões estudadas partilham abundantemente os mesmos processos, ferramentas, competências e formação, no seu processo de adaptação à era digital  -  uma descoberta que abre possibilidades a novas formas de colaboração e parcerias cruzadas.”

 

O artigo citado, na íntegra, na IJNet, e o relatório The State of Technology in Global Newsrooms

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...