Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Estudo

Inquérito global às redacções revela assimetrias na adaptação tecnológica

A revolução digital parece hoje omnipresente na paisagem dos media, mas nem todas as redacções estão a tirar dela o melhor proveito, e há muitas que estão a ser “deixadas para trás”. Seja por desníveis tecnológicos, ou pelo lado da segurança e da verificação dos factos, ou pelo da confiança por parte do público, ou ainda pelo da sustentabilidade financeira, as redacções não estão a adoptar na sua totalidade os novos instrumentos disponíveis. Só 5% dos profissionais têm formação tecnológica reconhecida e só 18% das redacções são de natureza digital. Estes dados são de um inquérito global ao Estado da Tecnologia nas Redacções, realizado pelo International Center for Journalists.

Este estudo, que recolheu mais de 2.700 respostas de jornalistas e responsáveis pelas redacções em 130 países, revela que esta tendência é consistente em todas as regiões, embora no espaço da Eurásia/antiga União Soviética haja maior adopção dos meios digitais e o Sudeste Asiático seja ainda dominado pelos meios tradicionais. 

Segundo notícia da International Journalists’ Network, que aqui citamos, os problemas vêm principalmente de dois lados: o da confiança e verificação, e o dos modelos de negócio: 

“As redacções dependem muitíssimo de conteúdos gerados por utentes na preparação de notícias de última hora, mas só 11% dos inquiridos decararam estar a usar as ferramentas de verificação das redes sociais, como a TinEye e a Datamir. E isto apesar de a maioria dos jornalistas  (71%)  usarem as redes sociais para encontrarem ideias para novas reportagens e outro conteúdo do seu trabalho.” 

“E quando as notícias não são verificadas, o público perde confiança. Apesar de a confiança do público nos media se encontrar no ponto mais baixo de sempre, em todo o mundo, só 21% dos inquiridos na Eurásia e nos antigos Estados soviéticos  - e 29% das redacções na América do Norte -  identificaram a construção de confiança como preocupação fundamental. Outras regiões do mundo, especialmente a América Latina, o Médio Oriente / África do Norte e a Europa, estão muito mais preocupadas.” (...) 

“Quase duas décadas desde que a Internet começou a perturbar o modelo de negócio do jornalismo, muitas redacções continuam a lutar pelo desenvolvimento de uma fonte de rendimento sustentável que não afogue o leitores com anúncios ou os faça parar diante de uma paywall.” 

“É mais fácil às redacções exclusivamente digitais adaptarem-se aos desafios de financiarem o noticiário online. Segundo este inquérito, têm duas vezes mais probabilidade de gerar receita de fontes alternativas do que as redacções tradicionais ou híbridas (que combinam os formatos tradicional e digital).” (...) 

O texto que citamos conclui:

“Apesar destas revelações, há esperança para o jornalismo na era digital  - se soubermos onde procurar. Em sete das oito regiões estudadas, as redacções exclusivamente digitais ou híbridas ultrapassaram os media tradicionais. As startups impulsionadas pela inovação podem tornar-se a nova norma, à medida que mais meios tradicionais desaparecem. E todas as oito regiões estudadas partilham abundantemente os mesmos processos, ferramentas, competências e formação, no seu processo de adaptação à era digital  -  uma descoberta que abre possibilidades a novas formas de colaboração e parcerias cruzadas.”

 

O artigo citado, na íntegra, na IJNet, e o relatório The State of Technology in Global Newsrooms

Connosco
Prémio Europeu Helena Vaz da Silva atribuído à Directora do CERN Ver galeria

A cientista italiana Fabiola Gianotti, especializada em física de partículas e, desde 2016, Directora-Geral do CERN (acrónimo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), foi distinguida com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2019.

“O conhecimento é como uma arte”  - afirmou Fabiola Gianotti ao agradecer a nomeação. “Ambos são as mais altas expressões da mente humana e o CERN é o lugar perfeito para as alcançar.”

“O conhecimento científico pertence a todos”  - disse ainda. “Como cientistas, devemos fazer os maiores esforços para compartilhar com a sociedade em geral as nossas descobertas e promover uma ciência aberta, acessível a todos. Ao longo das décadas, o CERN tem defendido os valores da excelência científica, ciência aberta e colaboração entre os países europeus e do resto do mundo.”

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a Europa Nostra, que representa em Portugal, e também com o Clube Português de Imprensa.

O Júri do Prémio deste ano atribuíu Menções Especiais a duas outras personalidades: o Director do Royal Danish Theatre,  Kasper Holten, pelo seu esforço em prol da compreensão do património cultural, e o italiano Angelo Castiglioni, que dedicou a sua vida a explorações arqueológicas e etnográficas.

A cerimónia de entrega do Prémio terá lugar no dia 25 de Novembro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital...
E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
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“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
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Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
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Ago
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09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set