Sábado, 17 de Novembro, 2018
Estudo

Inquérito global às redacções revela assimetrias na adaptação tecnológica

A revolução digital parece hoje omnipresente na paisagem dos media, mas nem todas as redacções estão a tirar dela o melhor proveito, e há muitas que estão a ser “deixadas para trás”. Seja por desníveis tecnológicos, ou pelo lado da segurança e da verificação dos factos, ou pelo da confiança por parte do público, ou ainda pelo da sustentabilidade financeira, as redacções não estão a adoptar na sua totalidade os novos instrumentos disponíveis. Só 5% dos profissionais têm formação tecnológica reconhecida e só 18% das redacções são de natureza digital. Estes dados são de um inquérito global ao Estado da Tecnologia nas Redacções, realizado pelo International Center for Journalists.

Este estudo, que recolheu mais de 2.700 respostas de jornalistas e responsáveis pelas redacções em 130 países, revela que esta tendência é consistente em todas as regiões, embora no espaço da Eurásia/antiga União Soviética haja maior adopção dos meios digitais e o Sudeste Asiático seja ainda dominado pelos meios tradicionais. 

Segundo notícia da International Journalists’ Network, que aqui citamos, os problemas vêm principalmente de dois lados: o da confiança e verificação, e o dos modelos de negócio: 

“As redacções dependem muitíssimo de conteúdos gerados por utentes na preparação de notícias de última hora, mas só 11% dos inquiridos decararam estar a usar as ferramentas de verificação das redes sociais, como a TinEye e a Datamir. E isto apesar de a maioria dos jornalistas  (71%)  usarem as redes sociais para encontrarem ideias para novas reportagens e outro conteúdo do seu trabalho.” 

“E quando as notícias não são verificadas, o público perde confiança. Apesar de a confiança do público nos media se encontrar no ponto mais baixo de sempre, em todo o mundo, só 21% dos inquiridos na Eurásia e nos antigos Estados soviéticos  - e 29% das redacções na América do Norte -  identificaram a construção de confiança como preocupação fundamental. Outras regiões do mundo, especialmente a América Latina, o Médio Oriente / África do Norte e a Europa, estão muito mais preocupadas.” (...) 

“Quase duas décadas desde que a Internet começou a perturbar o modelo de negócio do jornalismo, muitas redacções continuam a lutar pelo desenvolvimento de uma fonte de rendimento sustentável que não afogue o leitores com anúncios ou os faça parar diante de uma paywall.” 

“É mais fácil às redacções exclusivamente digitais adaptarem-se aos desafios de financiarem o noticiário online. Segundo este inquérito, têm duas vezes mais probabilidade de gerar receita de fontes alternativas do que as redacções tradicionais ou híbridas (que combinam os formatos tradicional e digital).” (...) 

O texto que citamos conclui:

“Apesar destas revelações, há esperança para o jornalismo na era digital  - se soubermos onde procurar. Em sete das oito regiões estudadas, as redacções exclusivamente digitais ou híbridas ultrapassaram os media tradicionais. As startups impulsionadas pela inovação podem tornar-se a nova norma, à medida que mais meios tradicionais desaparecem. E todas as oito regiões estudadas partilham abundantemente os mesmos processos, ferramentas, competências e formação, no seu processo de adaptação à era digital  -  uma descoberta que abre possibilidades a novas formas de colaboração e parcerias cruzadas.”

 

O artigo citado, na íntegra, na IJNet, e o relatório The State of Technology in Global Newsrooms

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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