Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Media

Quando a tecnologia e o exercício do jornalismo suscitam novas questões éticas

“A boa notícia das notícias falsas é que voltamos a falar de jornalismo, de como ele funciona, como é feito e suas consequências.” Rogério Christofoletti, do ObjEthos – Observatório da Ética Jornalística do Brasil, recorda que os debates mais permanentes tratavam de tecnologia (aquela nova aplicação que vem revolucionar tudo) ou de finanças (aquele modelo de negócio “que não dá mais certo”)… Agora é diferente: “O meio político está preocupado com o espalhamento massivo e profissional de boatos em sociedades que se habituaram a tomar decisões a partir das informações públicas que por ela circulavam. Observadores de todos os matizes também têm apontado para os perigos cívicos da desorientação, da ignorância e da intolerância.” 

É esta a reflexão introdutória de Rogério Christofoletti, docente na Universidade Federal de Santa Catarina  - em cujo Departamento de Jornalismo nasceu em 2009 o ObjEthos) -  na apresentação do livro que comemora os oito anos da sua existência com a edição, em livro, de uma recolha de quinze entrevistas com alguns dos maiores especialistas em ética e jornalismo no mundo: Charles Ess, Stephen Ward, Elena Real Rodrigues, Javier Darío Restrepo, Carlos Camponez e Rafael Capurro, entre outros. 

As entrevistas foram realizadas pela equipa do ObjEthos e publicadas no respectivo site entre Abril e Agosto de 2017. Abordam temas como “a queda da confiança nos jornalistas, o papel dos media na crescente polarização política mundial, o impacto de plataformas como Google e Facebook e as tensões permanentes entre jornalismo e democracia”. 

“Alguns dos nomes mais reconhecidos do mundo quando o assunto é ética jornalística, nossos autores também abordam temas como jornalismo de dados, regulação profissional, inteligência artificial, autonomia e independência editorial, algoritmos e Internet das coisas.” (…) 

“A pluralidade de perspectivas reunidas aqui também é um aspecto a ser destacado. Nossa equipa colheu respostas de académicos e profissionais que actuam nos Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Noruega, Argentina, Colômbia, Inglaterra, Portugal e África do Sul. Esse arco permite não apenas complementaridade na compreensão da ética nos media actuais, mas também uma bem-vinda e necessária diversidade de pensamento.” (…) 

As entrevistas foram reunidas em formato electrónico e com download gratuito, sob o título “Ética, Media e Tecnologia: Entrevistas Internacionais”  - que pode ser consultado aqui


Mais informação no site de ObjEthos

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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