Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Quando a tecnologia e o exercício do jornalismo suscitam novas questões éticas

“A boa notícia das notícias falsas é que voltamos a falar de jornalismo, de como ele funciona, como é feito e suas consequências.” Rogério Christofoletti, do ObjEthos – Observatório da Ética Jornalística do Brasil, recorda que os debates mais permanentes tratavam de tecnologia (aquela nova aplicação que vem revolucionar tudo) ou de finanças (aquele modelo de negócio “que não dá mais certo”)… Agora é diferente: “O meio político está preocupado com o espalhamento massivo e profissional de boatos em sociedades que se habituaram a tomar decisões a partir das informações públicas que por ela circulavam. Observadores de todos os matizes também têm apontado para os perigos cívicos da desorientação, da ignorância e da intolerância.” 

É esta a reflexão introdutória de Rogério Christofoletti, docente na Universidade Federal de Santa Catarina  - em cujo Departamento de Jornalismo nasceu em 2009 o ObjEthos) -  na apresentação do livro que comemora os oito anos da sua existência com a edição, em livro, de uma recolha de quinze entrevistas com alguns dos maiores especialistas em ética e jornalismo no mundo: Charles Ess, Stephen Ward, Elena Real Rodrigues, Javier Darío Restrepo, Carlos Camponez e Rafael Capurro, entre outros. 

As entrevistas foram realizadas pela equipa do ObjEthos e publicadas no respectivo site entre Abril e Agosto de 2017. Abordam temas como “a queda da confiança nos jornalistas, o papel dos media na crescente polarização política mundial, o impacto de plataformas como Google e Facebook e as tensões permanentes entre jornalismo e democracia”. 

“Alguns dos nomes mais reconhecidos do mundo quando o assunto é ética jornalística, nossos autores também abordam temas como jornalismo de dados, regulação profissional, inteligência artificial, autonomia e independência editorial, algoritmos e Internet das coisas.” (…) 

“A pluralidade de perspectivas reunidas aqui também é um aspecto a ser destacado. Nossa equipa colheu respostas de académicos e profissionais que actuam nos Estados Unidos, Espanha, Alemanha, Noruega, Argentina, Colômbia, Inglaterra, Portugal e África do Sul. Esse arco permite não apenas complementaridade na compreensão da ética nos media actuais, mas também uma bem-vinda e necessária diversidade de pensamento.” (…) 

As entrevistas foram reunidas em formato electrónico e com download gratuito, sob o título “Ética, Media e Tecnologia: Entrevistas Internacionais”  - que pode ser consultado aqui


Mais informação no site de ObjEthos

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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Opinião
Sobre a liberdade de expressão em Portugal
Francisco Sarsfield Cabral
O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
O panorama dos media
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Se olharmos para o top dos programas mais vistos na televisão generalista em 2018 vemos um claro domínio das transmissões desportivas, seguidas a grande distância pelos reality shows e, ainda mais para trás, pelas telenovelas. No entanto as transmissões televisivas produzem apenas picos de audiência e contribuem relativamente pouco para as médias e para planos continuados. O dilema das televisões generalistas está na...
Informar ou depender…
Dinis de Abreu
O título deste texto corresponde a um livro publicado nos anos 70 por Francisco Balsemão, numa altura em que já se ‘contavam espingardas’ para pôr termo ao Estado Novo, como veio a acontecer com o derrube de Marcello Caetano, em 25 de Abril de 74.  A obra foi polémica à época e justamente considerada um ‘grito de alma’, assinada por quem começara a sua vida profissional num jornal controlado pela família...
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O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...