null, 23 de Setembro, 2018
Opinião

A comunicação social e a Catalunha

por Francisco Sarsfield Cabral

A crise da Catalunha foi, em grande parte, feita para a comunicação social. Os independentistas catalães estavam nos últimos anos a perder adeptos. Uma forma de atrair para a causa os moderados seria provocar Madrid a usar a força policial na região e em particular em Barcelona.

Correram mundo as imagens televisivas de polícias nacionais a carregar sobre pessoas que queriam votar no simulacro de referendo. O que descredibilizou internacionalmente o governo de Rajoy, que deveria ter evitado cair nesta armadilha, e deu aos independentistas uma aura de vítimas e “mártires” – levando a que se falasse menos das condições inaceitáveis em que foi convocado e concretizado um “referendo” em que houve muito quem votasse várias vezes…


Barcelona tem poucos correspondentes da Imprensa internacional a viverem na cidade. Por isso muitos órgãos da comunicação social, nomeadamente portuguesa, mandaram para a Catalunha enviados especiais, a maioria dos quais não possuía grandes conhecimentos nem contactos sobre a questão da independência.

E como os catalães contrários à independência se mantiveram longo tempo em silêncio, evitando até sair à rua, os jornalistas recorriam sobretudo a fontes independentistas. Daí um certo enviesamento pró-independência em numerosas peças escritas e televisivas.

 

Por exemplo, a certa altura falou-se em mais de 900 feridos pela polícia nacional, quando tentavam votar. Que eu saiba quase ninguém tentou controlar esse número. Nem houve informações sobre o estado de saúde de quatro supostos feridos graves. Parece que a gravidade não foi tanta como isso.

 

Não faltaram peças jornalísticas tomando a parte pelo todo: falavam da aspiração à independência da Catalunha como se esse fosse o sentimento geral na região. Ora ele não é sequer maioritário, embora a maioria dos catalães queira votar num referendo legal sobre a questão, o que implica uma revisão constitucional em Espanha.

 

De um modo geral, na minha opinião os jornalistas estrangeiros não fizeram uma cobertura equilibrada dos acontecimentos na Catalunha. Como, infelizmente, esses acontecimentos ainda não cessaram, espera-se que a comunicação social internacional – isto é, não espanhola, pois a maioria desta tomou há muito partido – promova no futuro uma informação equilibrada e séria.

 

 


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CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias, reparte-se, nesta sua segunda edição, por dois: um aberto a textos originais, que passa a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia, e outro que mantém o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.

Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

O Regulamento do Prémio de Lusofonia vem incluído na segunda imagem que acompanha este texto.

O efeito da revolução digital sobre a arquitectura das redacções Ver galeria

A transformação, no jornalismo, é tão rápida que até os novos termos ficam desactualizados sem que demos conta disso. Pior ainda, sem que os tenhamos sequer assimilado correctamente. É o caso da “convergência redaccional”, ou integração dos vários elementos da redacção no seu espaço reajustado. Esta reflexão é desenvolvida por Félix Bahón, jornalista, docente e investigador do Instituto para la Innovación Periodística, e foi publicada no nº 22 de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

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Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

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