Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Opinião

A comunicação social e a Catalunha

por Francisco Sarsfield Cabral

A crise da Catalunha foi, em grande parte, feita para a comunicação social. Os independentistas catalães estavam nos últimos anos a perder adeptos. Uma forma de atrair para a causa os moderados seria provocar Madrid a usar a força policial na região e em particular em Barcelona.

Correram mundo as imagens televisivas de polícias nacionais a carregar sobre pessoas que queriam votar no simulacro de referendo. O que descredibilizou internacionalmente o governo de Rajoy, que deveria ter evitado cair nesta armadilha, e deu aos independentistas uma aura de vítimas e “mártires” – levando a que se falasse menos das condições inaceitáveis em que foi convocado e concretizado um “referendo” em que houve muito quem votasse várias vezes…


Barcelona tem poucos correspondentes da Imprensa internacional a viverem na cidade. Por isso muitos órgãos da comunicação social, nomeadamente portuguesa, mandaram para a Catalunha enviados especiais, a maioria dos quais não possuía grandes conhecimentos nem contactos sobre a questão da independência.

E como os catalães contrários à independência se mantiveram longo tempo em silêncio, evitando até sair à rua, os jornalistas recorriam sobretudo a fontes independentistas. Daí um certo enviesamento pró-independência em numerosas peças escritas e televisivas.

 

Por exemplo, a certa altura falou-se em mais de 900 feridos pela polícia nacional, quando tentavam votar. Que eu saiba quase ninguém tentou controlar esse número. Nem houve informações sobre o estado de saúde de quatro supostos feridos graves. Parece que a gravidade não foi tanta como isso.

 

Não faltaram peças jornalísticas tomando a parte pelo todo: falavam da aspiração à independência da Catalunha como se esse fosse o sentimento geral na região. Ora ele não é sequer maioritário, embora a maioria dos catalães queira votar num referendo legal sobre a questão, o que implica uma revisão constitucional em Espanha.

 

De um modo geral, na minha opinião os jornalistas estrangeiros não fizeram uma cobertura equilibrada dos acontecimentos na Catalunha. Como, infelizmente, esses acontecimentos ainda não cessaram, espera-se que a comunicação social internacional – isto é, não espanhola, pois a maioria desta tomou há muito partido – promova no futuro uma informação equilibrada e séria.

 

 


Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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