Sábado, 17 de Novembro, 2018
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O papel do jornalismo cultural na defesa da liberdade de expressão

O jornalismo cultural que toma como tema as exposições de artes visuais estará sempre exposto a situações de polémica. São as próprias exposições que estão em causa, muitas vezes, pela natureza das obras apresentadas  -  e sabemos como a história da aceitação ou recusa do que se pode mostrar ou ver é longa e conflituosa, até hoje. “Jornalistas são inconformados por natureza. Artistas são contestadores por natureza. Críticas, ameaças e até castigos físicos não calaram artistas da Renascença italiana, mais de meio milénio atrás.” Esta é a reflexão de Franthiesco Ballerini, autor de Jornalismo Cultural no Século 21, sobre polémicas recentes no Brasil, a propósito da cobertura jornalística de duas exposições muito criticadas. No Observatório da Imprensa, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Uma dessas exposições,  a Queermuseum, chegou a ser cancelada pelo Santander Cultural em Porto Alegre. Outra, a intitulada “Panorama da Arte Brasileira”,  no Museu de Arte Moderna, em São Paulo, foi criticada nas redes sociais por “violações fantasiosas da Constituição”. 

Segundo o autor, “o mais impressionante e positivo é que poucos foram os momentos recentes do jornalismo cultural brasileiro em que a cobertura profissional tenha sido tão importante quanto agora. (...) A defesa pela liberdade artística e de expressão uniu, numa mesma arena, veículos tão distintos quanto Carta Capital e Veja, chamando a proibição ou condenação das mostras de uma volta à idade das trevas”. (...) 

Depois de citar casos concretos da campanha acusatória contra as referidas exposições, bem como, do outro lado, os muitos “que se posicionaram contra a censura do Estado e de movimentos como o MBL, tanto para a mostra do Santander Cultural quanto para a do MAM de São Paulo” Franthiesco Ballerini escreve: 

“Acusar a Imprensa de ser tendenciosa e parcial é dizer o óbvio. Sim, é uma cobertura tendenciosa e parcial. Primeiro, porque não existe imparcialidade da Imprensa, o que existe são coberturas irresponsáveis que ouvem apenas um lado da história. Mas ouvir todos os lados nem de longe significa ser imparcial. É tendenciosa a favor de um bastião sagrado da própria Imprensa: a liberdade de expressão, que fora reconquistada após mais de duas décadas de trevas militares.” (...) 

“A cobertura do jornalismo cultural de artes visuais foi, portanto, exemplar, profissional, extensa e profunda em sua maioria das vezes. O que mostra a importância máxima dos leitores, ouvintes e telespectadores de investir seu tempo de lazer e informação com especialistas na área, fugindo de amadores que não entendem de artes plásticas, mas, sim, de atirar opiniões apressadas, agarrando-se em trechos soltos da Bíblia ou da Constituição para defender o boicote à arte.” (...) 

“Portanto, essa é a boa notícia: artistas, que em seus tempos foram condenados por pessoas que se sentiam ofendidas por suas obras de arte, estão estampados em museus que recebem visitas diárias de crianças e adultos. Artistas de tempos em que a Imprensa não se posicionava tão abertamente a favor deles. Já seus censores, por sua vez, morreram na História, ninguém os valoriza, ninguém os exibe. (...) A vitória definitivamente não foi e não será das trevas.”

 

O texto de Franthiesco Ballerini, na íntegra, no Observatório da Imprensa do Brasil

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
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As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
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