Segunda-feira, 21 de Maio, 2018
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O papel do jornalismo cultural na defesa da liberdade de expressão

O jornalismo cultural que toma como tema as exposições de artes visuais estará sempre exposto a situações de polémica. São as próprias exposições que estão em causa, muitas vezes, pela natureza das obras apresentadas  -  e sabemos como a história da aceitação ou recusa do que se pode mostrar ou ver é longa e conflituosa, até hoje. “Jornalistas são inconformados por natureza. Artistas são contestadores por natureza. Críticas, ameaças e até castigos físicos não calaram artistas da Renascença italiana, mais de meio milénio atrás.” Esta é a reflexão de Franthiesco Ballerini, autor de Jornalismo Cultural no Século 21, sobre polémicas recentes no Brasil, a propósito da cobertura jornalística de duas exposições muito criticadas. No Observatório da Imprensa, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Uma dessas exposições,  a Queermuseum, chegou a ser cancelada pelo Santander Cultural em Porto Alegre. Outra, a intitulada “Panorama da Arte Brasileira”,  no Museu de Arte Moderna, em São Paulo, foi criticada nas redes sociais por “violações fantasiosas da Constituição”. 

Segundo o autor, “o mais impressionante e positivo é que poucos foram os momentos recentes do jornalismo cultural brasileiro em que a cobertura profissional tenha sido tão importante quanto agora. (...) A defesa pela liberdade artística e de expressão uniu, numa mesma arena, veículos tão distintos quanto Carta Capital e Veja, chamando a proibição ou condenação das mostras de uma volta à idade das trevas”. (...) 

Depois de citar casos concretos da campanha acusatória contra as referidas exposições, bem como, do outro lado, os muitos “que se posicionaram contra a censura do Estado e de movimentos como o MBL, tanto para a mostra do Santander Cultural quanto para a do MAM de São Paulo” Franthiesco Ballerini escreve: 

“Acusar a Imprensa de ser tendenciosa e parcial é dizer o óbvio. Sim, é uma cobertura tendenciosa e parcial. Primeiro, porque não existe imparcialidade da Imprensa, o que existe são coberturas irresponsáveis que ouvem apenas um lado da história. Mas ouvir todos os lados nem de longe significa ser imparcial. É tendenciosa a favor de um bastião sagrado da própria Imprensa: a liberdade de expressão, que fora reconquistada após mais de duas décadas de trevas militares.” (...) 

“A cobertura do jornalismo cultural de artes visuais foi, portanto, exemplar, profissional, extensa e profunda em sua maioria das vezes. O que mostra a importância máxima dos leitores, ouvintes e telespectadores de investir seu tempo de lazer e informação com especialistas na área, fugindo de amadores que não entendem de artes plásticas, mas, sim, de atirar opiniões apressadas, agarrando-se em trechos soltos da Bíblia ou da Constituição para defender o boicote à arte.” (...) 

“Portanto, essa é a boa notícia: artistas, que em seus tempos foram condenados por pessoas que se sentiam ofendidas por suas obras de arte, estão estampados em museus que recebem visitas diárias de crianças e adultos. Artistas de tempos em que a Imprensa não se posicionava tão abertamente a favor deles. Já seus censores, por sua vez, morreram na História, ninguém os valoriza, ninguém os exibe. (...) A vitória definitivamente não foi e não será das trevas.”

 

O texto de Franthiesco Ballerini, na íntegra, no Observatório da Imprensa do Brasil

Connosco
Conferência a 22 de Maio com ministro Mário Centeno Ver galeria

Mário Centeno, Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, é o nosso orador convidado para o jantar-debate do próximo dia 22 de Maio, promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série  - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

Mário José Gomes de Freitas Centeno nasceu em Olhão, em Dezembro de 1966, e fez o seu percurso académico em Lisboa, para onde veio morar, com os pais e irmãos, quando tinha 15 anos. Obteve no ISEG  - Instituto Superior de Economia e Gestão a sua licenciatura em Economia, em 1990, seguida de um mestrado em Matemática Aplicada na mesma escola superior.


Livro de memórias de Pedro Rolo Duarte sem ser autobiografia Ver galeria

Pedro Rolo Duarte, que nos deixou em Novembro de 2017, deixou também um conjunto de textos agora reunidos e publicados em livro. O título, “Não Respire”, vai direito a um tema incontornável, que o autor assume e é continuado logo abaixo, na mesma capa: “Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso era tarde)”.
O Observador, que publica excertos de momentos marcantes da sua vida, explica que “a autobiografia póstuma do jornalista, que a editora Manuscrito acabou de publicar, fala naturalmente da doença, mas não só”. O primeiro desses excertos é “o vício do tabaco”. Mas as 296 páginas “estão repletas de histórias de uma vida cheia. Nelas, Rolo Duarte recordou os melhores tempos de uma carreira com mais de 30 anos (a fundação d’O Independente, do DNA), os amigos, as paixões e os vícios. Sempre com grande saudade mas sem uma ponta de pessimismo.”

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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24
Mai
24
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The GEN Summit 2018
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04
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Fotojornalismo e Direitos de Autor
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