Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Tecnologia

“The Guardian” lança nova aplicação de realidade virtual

O diário britânico The Guardian distribuiu cerca de 97 mil visores de cartão da Google, no lançamento da sua nova aplicação de realidade virtual, a Guardian VR. Esta aplicação, que pode ser descarregada, gratuitamente, para dispositivos móveis, tanto iOS como Android, vai permitir aos interessados a experiência virtual de várias situações criadas pelo respectivo departamento no jornal. Uma delas, já distinguida com vários prémios no seu ramo, é 6x9, que coloca os espectadores numa cela de prisão solitária americana e descreve os danos psicológicos que resultam deste isolamento.

Uma nova situação também agora disponível trata de outra forma de prisão, pelo lado positivo: The Party (A Festa) coloca os espectadores no lugar de Layla, uma jovem autista de 15 anos na festa-surpresa de aniversário da sua mãe: 

“Por meio desta dramatização, os espectadores experimentam os esforços de Layla para lidar com uma situação de stress, usando os mecanismos que desenvolveu para controlar a sua ansiedade.” 

Segundo a directora-executiva de realidade virtual no The Guardian, Francesca Panetta, estas histórias, “imersivas e de impacto, combinam a experiência do Guardian, em jornalismo de qualidade, com uma forma inovadora de narrativa”. 

Para Zahra Rasool, da Media Shift, “a realidade virtual não é só uma visão de 360º; embora a tecnologia imersiva possa reforçar uma história, uma narrativa bem concebida e poderosa continua a ser essencial quando se faz reportagem em realidade virtual”: 

“Um operador de vídeo ou jornalista deve focar-se na criação de uma narrativa forte, no centro da uma experiência de realidade virtual. Precisamos ainda de lembrar a importância da reportagem quando comunicamos sobre temas de premência global e humana.”

 

Mais informação em Media-tics, The Guardian e IJNet

Connosco
A crise de identidade nos jornais de prestígio e a “anarquia digital” Ver galeria

As datas são recentes, mas a história que contam parece comprida, tem capítulos uns atrás dos outros. O efeito da revolução digital sobre o jornal impresso está sempre a ser revisto e avaliado, como nos filmes de ficção científica em que o herói vai ao passado para tentar “corrigir” a História.
“O marco da anarquia digital é 1996, ninguém previu o novo ciclo e ele se inicia para implantar o caos e desorganizar a segurança conservadora, principalmente dos grandes grupos de comunicação.”

A reflexão é do jornalista Luís Sérgio Santos, docente de Desenho Editorial na Universidade Federal do Ceará, e o seu texto multiplica termos como “ameaça”, “abismo”, “conflito”, “incerteza”. Mas trata-se apenas de uma abordagem à “crise de identidade dos jornais de prestígio”  - título que escolheu para este artigo, publicado no Observatório da Imprensa do Brasil.

O perigo de instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

O Clube
O CPI – Clube Português de Imprensa voltou a participar no Prémio  Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura,  em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património,  que o CNC representa em Portugal.   O Prémio foi atribuído, este ano,  à...

ver mais >
Opinião
Trump contra o jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
Numa iniciativa inédita, mais de 300 órgãos de comunicação dos EUA manifestaram na quinta-feira repúdio contra os violentos ataques de Trump ao jornalismo.  Como jornalista com muitos anos de profissão, tenho pena de reconhecer que a qualidade do produto jornalístico baixou ao longo das últimas décadas. Mas importa perceber porquê. No século XIX o jornalismo resumia-se a… jornais impressos....
É inegável a importância da tomada de posição conjunta de 350 jornais americanos que, respondendo a um apelo do The Boston Globe, assinaram  editoriais simultâneos, rejeitando a política de hostilidade desencadeada pelo presidente Trump contra os media. A data de 16 de Agosto ficará para a História da Imprensa  americana ao assumir esta iniciativa solidária e absolutamente inédita, que mobilizou grandes...
O optimismo de Centeno
Luís Queirós
"A economia da zona Euro cresce há 20 trimestres consecutivos", disse Mário Centeno no Grémio Literário, na palestra, proferida no passado dia 22 de Maio passado, integrada no ciclo que ali decorre subordinado ao tema  "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções", uma iniciativa do Clube de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e com o Grémio Literário. O Ministro das Finanças de Portugal e presidente do...
Em meados do séc. XVIII, os parisienses que quisessem manter-se “au courant” àcerca do andamento da Guerra dos Sete Anos (iniciada em 1756) não tinham muitas escolhas. Se fizessem parte, dentre os 600 mil habitantes da capital francesa, da minoria que sabia ler – menos de metade dos homens e uma quarta parte das mulheres – e também estivessem entre os poucos privilegiados que podiam dar-se ao luxo de comprar um jornal, tinham três...