Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Tecnologia

“The Guardian” lança nova aplicação de realidade virtual

O diário britânico The Guardian distribuiu cerca de 97 mil visores de cartão da Google, no lançamento da sua nova aplicação de realidade virtual, a Guardian VR. Esta aplicação, que pode ser descarregada, gratuitamente, para dispositivos móveis, tanto iOS como Android, vai permitir aos interessados a experiência virtual de várias situações criadas pelo respectivo departamento no jornal. Uma delas, já distinguida com vários prémios no seu ramo, é 6x9, que coloca os espectadores numa cela de prisão solitária americana e descreve os danos psicológicos que resultam deste isolamento.

Uma nova situação também agora disponível trata de outra forma de prisão, pelo lado positivo: The Party (A Festa) coloca os espectadores no lugar de Layla, uma jovem autista de 15 anos na festa-surpresa de aniversário da sua mãe: 

“Por meio desta dramatização, os espectadores experimentam os esforços de Layla para lidar com uma situação de stress, usando os mecanismos que desenvolveu para controlar a sua ansiedade.” 

Segundo a directora-executiva de realidade virtual no The Guardian, Francesca Panetta, estas histórias, “imersivas e de impacto, combinam a experiência do Guardian, em jornalismo de qualidade, com uma forma inovadora de narrativa”. 

Para Zahra Rasool, da Media Shift, “a realidade virtual não é só uma visão de 360º; embora a tecnologia imersiva possa reforçar uma história, uma narrativa bem concebida e poderosa continua a ser essencial quando se faz reportagem em realidade virtual”: 

“Um operador de vídeo ou jornalista deve focar-se na criação de uma narrativa forte, no centro da uma experiência de realidade virtual. Precisamos ainda de lembrar a importância da reportagem quando comunicamos sobre temas de premência global e humana.”

 

Mais informação em Media-tics, The Guardian e IJNet

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Francisco Sarsfield Cabral
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