Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

Memórias do fim da Imprensa na Fleet Street de Londres

Fleet Street era o “Bairro Alto” de Londres, o lugar onde se concentravam os jornais e os restaurantes onde iam tipógrafos e jornalistas. Já não há jornais num sítio nem no outro (à excepção de A Bola). O último a sair de Fleet Street foi o semanário escocês Sunday Post, em Agosto de 2016. Como conta Maurice Chittenden, “treze dias passados fui eu despedido, depois de quase 40 anos a trabalhar para Rupert Murdoch, primeiro no Sun e no News of the World, e depois, durante mais de três décadas, para The Sunday Times”. Na despedida, um colega sugeriu que ele escrevesse as memórias. “Ninguém ia lê-las”  - foi a resposta. “Eu ia”  - disse-lhe o amigo. Assim nasceu The Last Days of Fleet Street, uma recordação nostálgica, mas irónica e bem-humorada, do tempo dos jornais impressos.

“Quando eu cheguei, na década de 1970, Fleet Street era um lugar ruidoso e vibrante. Os grandes camiões de piso baixo tinham de manobrar pelas ruas laterais, como a Bouverie Street, onde estavam The Sun e o News of the World, para descarregar os rolos de papel de impressão para as rotativas. Podia acontecer que um deles tombasse do empilhador e esmagasse um operário sob o seu enorme peso.” 

“Depois do almoço  - a qualquer hora depois das três -  o maior perigo era de ser atropelado por um repórter de volta à redacção, ou intoxicado pelo álcool da sua respiração. De regresso à sua secretária, o repórter ou martelava mil palavras de prosa arrebicada, ou tombava a dormir em cima da máquina de escrever, frequentemente ambas as coisas.” (...) 

No seu artigo de memórias desse tempo  - que aqui citamos do European Journalism Observatory -  Maurice Chittenden evoca esse mundo em que “era fácil deixarmo-nos mergulhar”: a camaradagem, os episódios caricatos, as “aventuras e desventuras” da carreira, os casos que marcaram mais. 

“Eu fui envolvido (por acaso, evidentemente) na primeira escuta telefónica de alguém da família real, ajudei a resolver um crime e causei um incidente diplomático quando fui preso no Bornéu por causa de uma lagosta. Também tenho no currículo o derrube de um governo conservador.” 

“O espaço de Fleet Street pode já não ter mais jornalistas, mas permanece como o nosso lar espiritual, mesmo que as únicas vezes em que lá voltamos seja para prestar homenagem a um camarada falecido, na Igreja de St. Bride [Santa Brígida], conhecida como a igreja dos jornalistas.” 

[A expressão spiritual home of the media é usada na apresentação desta Igreja, da Comunhão Anglicana, que tem actualmente como Pastora responsável a Rev. Alison Joyce]

 

O artigo citado, na íntegra, no European Journalism Observatory

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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