Segunda-feira, 21 de Maio, 2018
Media

Memórias do fim da Imprensa na Fleet Street de Londres

Fleet Street era o “Bairro Alto” de Londres, o lugar onde se concentravam os jornais e os restaurantes onde iam tipógrafos e jornalistas. Já não há jornais num sítio nem no outro (à excepção de A Bola). O último a sair de Fleet Street foi o semanário escocês Sunday Post, em Agosto de 2016. Como conta Maurice Chittenden, “treze dias passados fui eu despedido, depois de quase 40 anos a trabalhar para Rupert Murdoch, primeiro no Sun e no News of the World, e depois, durante mais de três décadas, para The Sunday Times”. Na despedida, um colega sugeriu que ele escrevesse as memórias. “Ninguém ia lê-las”  - foi a resposta. “Eu ia”  - disse-lhe o amigo. Assim nasceu The Last Days of Fleet Street, uma recordação nostálgica, mas irónica e bem-humorada, do tempo dos jornais impressos.

“Quando eu cheguei, na década de 1970, Fleet Street era um lugar ruidoso e vibrante. Os grandes camiões de piso baixo tinham de manobrar pelas ruas laterais, como a Bouverie Street, onde estavam The Sun e o News of the World, para descarregar os rolos de papel de impressão para as rotativas. Podia acontecer que um deles tombasse do empilhador e esmagasse um operário sob o seu enorme peso.” 

“Depois do almoço  - a qualquer hora depois das três -  o maior perigo era de ser atropelado por um repórter de volta à redacção, ou intoxicado pelo álcool da sua respiração. De regresso à sua secretária, o repórter ou martelava mil palavras de prosa arrebicada, ou tombava a dormir em cima da máquina de escrever, frequentemente ambas as coisas.” (...) 

No seu artigo de memórias desse tempo  - que aqui citamos do European Journalism Observatory -  Maurice Chittenden evoca esse mundo em que “era fácil deixarmo-nos mergulhar”: a camaradagem, os episódios caricatos, as “aventuras e desventuras” da carreira, os casos que marcaram mais. 

“Eu fui envolvido (por acaso, evidentemente) na primeira escuta telefónica de alguém da família real, ajudei a resolver um crime e causei um incidente diplomático quando fui preso no Bornéu por causa de uma lagosta. Também tenho no currículo o derrube de um governo conservador.” 

“O espaço de Fleet Street pode já não ter mais jornalistas, mas permanece como o nosso lar espiritual, mesmo que as únicas vezes em que lá voltamos seja para prestar homenagem a um camarada falecido, na Igreja de St. Bride [Santa Brígida], conhecida como a igreja dos jornalistas.” 

[A expressão spiritual home of the media é usada na apresentação desta Igreja, da Comunhão Anglicana, que tem actualmente como Pastora responsável a Rev. Alison Joyce]

 

O artigo citado, na íntegra, no European Journalism Observatory

Connosco
Conferência a 22 de Maio com ministro Mário Centeno Ver galeria

Mário Centeno, Ministro das Finanças e Presidente do Eurogrupo, é o nosso orador convidado para o jantar-debate do próximo dia 22 de Maio, promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema que tem presidido a esta série  - “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”.

Mário José Gomes de Freitas Centeno nasceu em Olhão, em Dezembro de 1966, e fez o seu percurso académico em Lisboa, para onde veio morar, com os pais e irmãos, quando tinha 15 anos. Obteve no ISEG  - Instituto Superior de Economia e Gestão a sua licenciatura em Economia, em 1990, seguida de um mestrado em Matemática Aplicada na mesma escola superior.


Livro de memórias de Pedro Rolo Duarte sem ser autobiografia Ver galeria

Pedro Rolo Duarte, que nos deixou em Novembro de 2017, deixou também um conjunto de textos agora reunidos e publicados em livro. O título, “Não Respire”, vai direito a um tema incontornável, que o autor assume e é continuado logo abaixo, na mesma capa: “Tudo começou cedo demais (e quando dei por isso era tarde)”.
O Observador, que publica excertos de momentos marcantes da sua vida, explica que “a autobiografia póstuma do jornalista, que a editora Manuscrito acabou de publicar, fala naturalmente da doença, mas não só”. O primeiro desses excertos é “o vício do tabaco”. Mas as 296 páginas “estão repletas de histórias de uma vida cheia. Nelas, Rolo Duarte recordou os melhores tempos de uma carreira com mais de 30 anos (a fundação d’O Independente, do DNA), os amigos, as paixões e os vícios. Sempre com grande saudade mas sem uma ponta de pessimismo.”

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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24
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