Quarta-feira, 23 de Setembro, 2020
Estudo

Estudo do OberCom aponta para 2024 o "fim apocalíptico” da Imprensa escrita em Portugal

Agrava-se o decréscimo no volume de exemplares distribuídos de títulos da Imprensa escrita, com quedas da circulação numa taxa de variação anual global negativa de 12,2 entre os anos de 2015 e 2016. Também o volume de tiragens decresceu numa taxa de -11,6% entre os referidos dois anos. “As pessoas estão efectivamente a consultar/ler menos jornais no seu formato impresso.” Estes números são alguns dos “principais resultados a reter” do Estudo “A Imprensa em Portugal: desempenho e indicadores de gestão (2008-2016)”, divulgado pelo OberCom – Observatório da Comunicação. A manterem-se estas tendências, 2024 poderia ser o ano da confirmação do “fim apocalíptico da Imprensa escrita”. 

O mesmo estudo reconhece, logo no incício dos “principais resultados a reter”, que estes são “talvez os mais negativos desde o início destes relatórios”.  

“A grande maioria das publicações analisadas atinge o seu valor máximo de circulação impressa paga em 2008, no primeiro ano de leitura, com excepção para o Correio da Manhã (2010), jornal i (2009 – quando entrou em circulação), revista Sábado (2009), Diário Económico (2010) e Jornal de Negócios (2009). Contudo, os menores valores de circulação impressa paga registados são obtidos para o último ano de análise (2016), o que mostra que o sector nunca esteve tão frágil em termos de vendas.” (…)  

Se estas tendências se mantiverem, falta pouco para o fim. Como reconhece o texto, “fazendo uma projecção de acordo com as tendências de queda para o volume de circulação impressa paga e tiragens, registadas a partir de 2011, e se essa tendência consubstanciada em taxas de variação se mantivesse constante, então o volume de circulação impressa paga atingiria o valor 0 em 2024 e o número de tiragens seria igualmente 0 em 2026”.  

A intensificação da produção e consumo da informação em formato digital, na última década em análise, “parece ditar um progressivo declínio da informação impressa”:  

“Como nos recorda Steen Steensen, ‘o primeiro contacto com a notícia ocorre hoje mais nas redes socias, do que via distribuidores tradicionais’.”  

E o primeiro gráfico incluído no estudo, da evolução da circulação impressa paga (soma das assinaturas + vendas + vendas em bloco), revela uma linha descendente contínua, em que os valores em 2016 (457133) são praticamente metade dos de 2008 (817853).  (págs. 12 e 18)

A nota final usa termos fortes para uma previsão em que as tendências verificadas até agora continuem:  

“2024 é o ano em que, como referido nas primeiras páginas deste relatório, o valor de circulação impressa paga dos jornais em Portugal, assumindo que a tendência de queda registada entre 2011 e 2016 seja constante, seria igual a zero. Mesmo que este ano seja meramente indicativo do quão avançada é a tendência de queda de venda dos jornais, marcando uma espécie de horizonte demasiado próximo para o fim da Imprensa escrita (7 anos de distância), a verdade é que este poderia ser o ano da derradeira confirmação do fim apocalíptico da Imprensa escrita, tal como vem sendo anunciado desde os primeiros anos do início do milénio.”   
(pág. 50 do referido relatório)

O relatório do OberCom, na íntegra, em PDF

 

 

Connosco
O jornalismo impresso como “alta-costura” dos “media” Ver galeria

A pandemia veio agravar a situação, já débil, dos “media” tradicionais, ao provocar uma quebra nas receitas publicitárias e de circulação, o que levou alguns profissionais a questionarem o futuro do formato impresso.

Contudo, Andrés Rodríguez -- CEO do Grupo SpainMedia e membro da direcção da Asociación de La Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera que o jornalismo impresso irá conseguir recuperar, pouco a pouco, o seu protagonismo.

Durante a sua participação na conferência "Reinventando o Papel", no 15º Congresso de Editores de Jornais, Rodríguez reiterou que "não precisamos de reinventar o papel, mas sim o modelo de negócio", e observou que "veremos tiragens mais pequenas e edições mais cuidadosas", para que "o papel, em qualquer formato, seja de ‘alta-costura’, e a comunicação digital seja um 'pronto-a-vestir".

Assim, os responsáveis pelos “media” terão de aprender a combinar o “formato tradicional” com o “futuro digital”. "Teremos de passar o nosso rendimento do papel para o digital, temos de saber que todos temos uma televisão no bolso, mas que isso não é incompatível com a edição impressa".


World Press Cartoon atribui primeiro prémio a "cartoonista" alemão Ver galeria

Centro Cultural das Caldas da Rainha foi, novamente,  “a casa de acolhimento” do World Press Cartoon, que, na sua 15ªa edição, distinguiu o “cartoonista” alemão Frank Hoppmann com o primeiro prémio, graças a uma caricatura do primeiro-ministro inglês, Boris Johnson, publicada no jornal “Eulenspiegel”,  em Outubro de 2019.

O segundo prémio foi atribuído ao mexicano Darío, com o desenho do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, publicado no jornal espanhol “Mundiario”. O português Pedro Silva ficou em terceiro lugar, com a caricatura de Christine Lagarde, actual presidente do Banco Central Europeu.

O grego Georgopalis destacou-se, por sua vez, na categoria “Desenho de Humor”, com “Message in a Bottle”. Já na categoria de “cartoon editorial”, o primeiro prémio foi para o grego Aytos .

De acordo com a organização do evento, as obras premiadas foram escolhidas pelo júri, entre 280 caricaturas, cartoons editoriais e desenhos de humor, seleccionados a partir de 150 publicações, de 50  países.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Opinião
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Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo