Segunda-feira, 25 de Março, 2019
Estudo

Estudo do OberCom aponta para 2024 o "fim apocalíptico” da Imprensa escrita em Portugal

Agrava-se o decréscimo no volume de exemplares distribuídos de títulos da Imprensa escrita, com quedas da circulação numa taxa de variação anual global negativa de 12,2 entre os anos de 2015 e 2016. Também o volume de tiragens decresceu numa taxa de -11,6% entre os referidos dois anos. “As pessoas estão efectivamente a consultar/ler menos jornais no seu formato impresso.” Estes números são alguns dos “principais resultados a reter” do Estudo “A Imprensa em Portugal: desempenho e indicadores de gestão (2008-2016)”, divulgado pelo OberCom – Observatório da Comunicação. A manterem-se estas tendências, 2024 poderia ser o ano da confirmação do “fim apocalíptico da Imprensa escrita”. 

O mesmo estudo reconhece, logo no incício dos “principais resultados a reter”, que estes são “talvez os mais negativos desde o início destes relatórios”.  

“A grande maioria das publicações analisadas atinge o seu valor máximo de circulação impressa paga em 2008, no primeiro ano de leitura, com excepção para o Correio da Manhã (2010), jornal i (2009 – quando entrou em circulação), revista Sábado (2009), Diário Económico (2010) e Jornal de Negócios (2009). Contudo, os menores valores de circulação impressa paga registados são obtidos para o último ano de análise (2016), o que mostra que o sector nunca esteve tão frágil em termos de vendas.” (…)  

Se estas tendências se mantiverem, falta pouco para o fim. Como reconhece o texto, “fazendo uma projecção de acordo com as tendências de queda para o volume de circulação impressa paga e tiragens, registadas a partir de 2011, e se essa tendência consubstanciada em taxas de variação se mantivesse constante, então o volume de circulação impressa paga atingiria o valor 0 em 2024 e o número de tiragens seria igualmente 0 em 2026”.  

A intensificação da produção e consumo da informação em formato digital, na última década em análise, “parece ditar um progressivo declínio da informação impressa”:  

“Como nos recorda Steen Steensen, ‘o primeiro contacto com a notícia ocorre hoje mais nas redes socias, do que via distribuidores tradicionais’.”  

E o primeiro gráfico incluído no estudo, da evolução da circulação impressa paga (soma das assinaturas + vendas + vendas em bloco), revela uma linha descendente contínua, em que os valores em 2016 (457133) são praticamente metade dos de 2008 (817853).  (págs. 12 e 18)

A nota final usa termos fortes para uma previsão em que as tendências verificadas até agora continuem:  

“2024 é o ano em que, como referido nas primeiras páginas deste relatório, o valor de circulação impressa paga dos jornais em Portugal, assumindo que a tendência de queda registada entre 2011 e 2016 seja constante, seria igual a zero. Mesmo que este ano seja meramente indicativo do quão avançada é a tendência de queda de venda dos jornais, marcando uma espécie de horizonte demasiado próximo para o fim da Imprensa escrita (7 anos de distância), a verdade é que este poderia ser o ano da derradeira confirmação do fim apocalíptico da Imprensa escrita, tal como vem sendo anunciado desde os primeiros anos do início do milénio.”   
(pág. 50 do referido relatório)

O relatório do OberCom, na íntegra, em PDF

 

 

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José Ribeiro e Castro em Abril no jantar-debate do CPI Ver galeria

Advogado de profissão, político por vocação com um pé na Comunicação Social, José Ribeiro e Castro é o próximo orador–convidado no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, marcado para 16 de Abril, na Sala da Biblioteca do Grémio Literário.

Deputado, eurodeputado, governante , membro da equipa fundadora da TVI com Roberto Carneiro e antigo líder do CDS,  José Ribeiro e Castro começou cedo a respirar a política em casa.

Filho de Fernando Santos e Castro, que presidiu à Camara Municipal de Lisboa e foi o último governador português em Angola, Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa  a 24 de Dezembro de 1953. É casado e tem três filhas e um filho.

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês Ver galeria

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

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Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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