Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Estudo

Estudo do OberCom aponta para 2024 o "fim apocalíptico” da Imprensa escrita em Portugal

Agrava-se o decréscimo no volume de exemplares distribuídos de títulos da Imprensa escrita, com quedas da circulação numa taxa de variação anual global negativa de 12,2 entre os anos de 2015 e 2016. Também o volume de tiragens decresceu numa taxa de -11,6% entre os referidos dois anos. “As pessoas estão efectivamente a consultar/ler menos jornais no seu formato impresso.” Estes números são alguns dos “principais resultados a reter” do Estudo “A Imprensa em Portugal: desempenho e indicadores de gestão (2008-2016)”, divulgado pelo OberCom – Observatório da Comunicação. A manterem-se estas tendências, 2024 poderia ser o ano da confirmação do “fim apocalíptico da Imprensa escrita”. 

O mesmo estudo reconhece, logo no incício dos “principais resultados a reter”, que estes são “talvez os mais negativos desde o início destes relatórios”.  

“A grande maioria das publicações analisadas atinge o seu valor máximo de circulação impressa paga em 2008, no primeiro ano de leitura, com excepção para o Correio da Manhã (2010), jornal i (2009 – quando entrou em circulação), revista Sábado (2009), Diário Económico (2010) e Jornal de Negócios (2009). Contudo, os menores valores de circulação impressa paga registados são obtidos para o último ano de análise (2016), o que mostra que o sector nunca esteve tão frágil em termos de vendas.” (…)  

Se estas tendências se mantiverem, falta pouco para o fim. Como reconhece o texto, “fazendo uma projecção de acordo com as tendências de queda para o volume de circulação impressa paga e tiragens, registadas a partir de 2011, e se essa tendência consubstanciada em taxas de variação se mantivesse constante, então o volume de circulação impressa paga atingiria o valor 0 em 2024 e o número de tiragens seria igualmente 0 em 2026”.  

A intensificação da produção e consumo da informação em formato digital, na última década em análise, “parece ditar um progressivo declínio da informação impressa”:  

“Como nos recorda Steen Steensen, ‘o primeiro contacto com a notícia ocorre hoje mais nas redes socias, do que via distribuidores tradicionais’.”  

E o primeiro gráfico incluído no estudo, da evolução da circulação impressa paga (soma das assinaturas + vendas + vendas em bloco), revela uma linha descendente contínua, em que os valores em 2016 (457133) são praticamente metade dos de 2008 (817853).  (págs. 12 e 18)

A nota final usa termos fortes para uma previsão em que as tendências verificadas até agora continuem:  

“2024 é o ano em que, como referido nas primeiras páginas deste relatório, o valor de circulação impressa paga dos jornais em Portugal, assumindo que a tendência de queda registada entre 2011 e 2016 seja constante, seria igual a zero. Mesmo que este ano seja meramente indicativo do quão avançada é a tendência de queda de venda dos jornais, marcando uma espécie de horizonte demasiado próximo para o fim da Imprensa escrita (7 anos de distância), a verdade é que este poderia ser o ano da derradeira confirmação do fim apocalíptico da Imprensa escrita, tal como vem sendo anunciado desde os primeiros anos do início do milénio.”   
(pág. 50 do referido relatório)

O relatório do OberCom, na íntegra, em PDF

 

 

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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