null, 23 de Setembro, 2018
Opinião

O grande desafio de Balsemão

por Dinis de Abreu

Ao completar 25 anos, a SIC  cresceu, mas não se emancipou nem libertou o seu criador de preocupações. Francisco Pinto Balsemão, com 80 anos feitos, merecia um sossego que não tem, perante a crise que atingiu o Grupo de media que construiu do zero .

Balsemão ganhou vários desafios, alguns deles complexos, desde que lançou o Expresso nos idos de 70 do século passado - o seu “navio-almirante”, como gosta de chamar-lhe - , juntando-lhe, depois,  várias publicações especializadas  e uma televisão generalista, o seu outro grande sonho.

Nunca sentiu queda para a Rádio, apesar das oportunidades  que teve, mas, em contrapartida,  percebeu, desde muito cedo, a importância da Internet,  apostando nesse futuro digital, a começar pela edição do  Expresso online, o jornal diário  que nunca teve em versão impressa.

Foi capaz de vencer adversários poderosos, incluindo um “infiltrado”, que, um dia, quis tomar-lhe conta do Grupo, financiado pelo BES , de Ricardo Salgado.

Já nessa altura o conglomerado de empresas experimentava dificuldades, interpretadas e exploradas pela  Ongoing – uma ficção criada à sombra do BES - como uma soberana oportunidade para apear Balsemão e controlar o Grupo.

Perante o desafio, Balsemão viu-se forçado a sair do conforto e a  arregaçar as mangas, assumindo medidas de contingência para   afastar a Ongoing do perímetro da Impresa.

Fez um pleno ganhador, nessa roleta posta em movimento por quem menos esperava e teve, mais tarde,  a “recompensa” de assistir à falência da Ongoing e  do seu  grupo editorial de “pés de barro”.

O Grupo Balsemão, como é mais conhecido, não logrou vencer, contudo, nem a mudança de paradigma mediático -  com a forte migração de leitores do papel para a net -, nem a estrutura familiar que está na sua génese.

São vários e importantes   os Grupos empresariais portugueses  de estrutura familiar. Desde a  Sonae, de Belmiro de Azevedo,  a Jerónimo Martins, aos Mellos ou  Amorim.

Na curva da vida, cada um procurou – ou procura - encontrar soluções entre os sucessores preparados para “reinar” ou entre gestores profissionais que assegurem a continuidade.

Houve quem fosse bem sucedido e encare a sua finitude com a casa arrumada e relativa tranquilidade.

Mas o destino pregou uma partida a Francisco Balsemão, que moldou um verdadeiro império de media, mas que se vê hoje obrigado  a vender publicações ao desbarato para salvar o emblemático Expresso e a SIC aniversariante.

A vida não está fácil para as empresas jornalísticas, que,  além de erros próprios, estão a ser fustigadas pelas grandes plataformas digitais, como a Google ,  Facebook ou a Amazon, cativando   a nível global as melhores receitas de publicidade, deixando as sobras  para os editores, que  não bastam para a sua sobrevivência.

Balsemão é um homem informado. Mas carece de uma equipa à sua volta  capaz de antecipar o futuro .

A Imprensa está fragilizada. Com excepção de dois ou três títulos, as  tiragens dos jornais  são irrisórias.  Depois, a migração para o digital está a fazer-se com muitas hesitações e falta de percepção da vertigem que se vive  nos mercados.  
 

A televisão está, igualmente,  numa transição tecnológica acelerada,  para a qual muitos responsáveis editoriais e de programas não estão preparados ou a desprezam por  amor às rotinas.

A festa das novas “grelhas” de programas acabou. E quem o fizer  não percebe que continua  agarrado ao passado. O espectador está a ficar “dono” da sua programação, elaborando-a conforme entende e em função das suas preferências. Os separadores longos e insuportáveis de publicidade estão condenados.

As televisões regionais, locais, de bairro, temáticas, corporativas ou   de “vão de escada” vão competir com as generalistas convencionais. Os gigantes globais ( e o algoritmo) farão o resto..

Balsemão não  merecia assistir ao desmoronamento do edifício que construiu . Mas corre esse risco.   

 

     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Connosco
CPI e "Tribuna de Macau" instituem Prémios de Ensaio e de Jornalismo da Lusofonia Ver galeria

O Prémio de Jornalismo da Lusofonia, instituído há um ano por iniciativa do jornal Tribuna de Macau, em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio da Fundação Jorge Álvares e o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias, reparte-se, nesta sua segunda edição, por dois: um aberto a textos originais, que passa a designar-se o Prémio Ensaio da Lusofonia, e outro que mantém o título de Prémio de Jornalismo da Lusofonia, destinado a textos já publicados, em suporte papel ou digital.

Mantém-se o espírito original de distinguir trabalhos “no quadro do desejado aprofundamento de todos os aspectos ligados à Língua Portuguesa, com relevo para a singularidade do posicionamento de Macau no seu papel de plataforma de ligação entre países de Língua Oficial Portuguesa”.

O Regulamento do Prémio de Lusofonia vem incluído na segunda imagem que acompanha este texto.

O efeito da revolução digital sobre a arquitectura das redacções Ver galeria

A transformação, no jornalismo, é tão rápida que até os novos termos ficam desactualizados sem que demos conta disso. Pior ainda, sem que os tenhamos sequer assimilado correctamente. É o caso da “convergência redaccional”, ou integração dos vários elementos da redacção no seu espaço reajustado. Esta reflexão é desenvolvida por Félix Bahón, jornalista, docente e investigador do Instituto para la Innovación Periodística, e foi publicada no nº 22 de Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

Lançado em Novembro de 2015, este site do Clube Português de Imprensa tem desenvolvido, desde então, um trabalho de acompanhamento das tendências dominantes, quer no mercado de Imprensa, quer nos media audiovisuais em geral e na Internet em particular.

Interessa-nos, também, debater o jornalismo e o modo como é exercido, em Portugal e fora de fronteiras,  cumprindo um objectivo que está na génese desta Associação.


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