Sábado, 17 de Novembro, 2018
Estudo

Inquérito revela mais jovens desiludidos com as redes sociais

Há um número crescente de jovens que se declaram desiludidos pelo lado negativo da revolução digital, nomeadamente o assédio online e as notícias falsas. Este efeito de ricochete vai até ao ponto de dois terços dos mais novos chegarem a admitir que não se importavam que as redes sociais não tivessem sido inventadas. Estes dados surpreendentes são revelados por um inquérito feito na Inglaterra, junto de cerca de cinco mil estudantes de escolas públicas e privadas. A maioria das respostas vem de jovens entre os nove e os onze anos. 

O estudo foi realizado em Setembro, por solicitação da Digital Awareness UK, que promove o uso seguro das tecnologias digitais, e da Headmasters’ and Headmistresses’ Conference (HMC), que representa os directores de escolas privadas em todo o mundo. 

“Cerca de 63% dos inquiridos disseram que não se importavam se as redes sociais não existissem, e um número ainda superior (71%) conta que já fez 'desintoxicação' digital temporária para escapar delas.” (…) 

“Um total de 56% disse que já tinha recebido comentários ofensivos pela Internet, 56% admitiram estar à beira da dependência e 52% contam que as redes sociais os fazem sentir menos confiantes a respeito da sua imagem ou de como a sua vida é interessante.” 

“Enquanto mais de 60% acham que os seus amigos apresentam uma ‘falsa versão’ de si mesmos nas redes sociais, 85% dos inquiridos negam que eles próprios sejam culpados de fazer isso.” (…) 

“Quando se lhes pediu que sugerissem melhorias, os estudantes insistiram em menos publicidade (71%), menos fake news (61%), mais conteúdos criativos (55%) e maior privacidade (49%).” 

“Um terço dos inquiridos disse que gostaria que as redes sociais proporcionassem mais oportunidades de ganhar dinheiro.” 

“Em Benenden, uma escola privada com internato para meninas, no Kent, as alunas submeteram-se voluntariamente a um blackout de redes sociais durante três dias, entregando os seus telemóveis.” 

A directora, Samantha Price, contou que no início estava preocupada sobre como iam as jovens aguentar, mas que depois “eram elas que se admiravam por isso e diziam que voltavam a fazer o mesmo ainda por mais tempo, da próxima vez, o que eu achei incrivelmente reconfortante”. (…) 

Charlotte Robertson, uma das fundadoras da Digital Awareness UK, disse: 

“Falamos para milhares de estudantes, diariamente, sobre o uso seguro da Internet e, embora continue a ser motivo de preocupação ver o impacto emocional que as redes sociais têm sobre a saúde e o bem-estar dos jovens, é encorajador verificar que também eles estão a usar estratégias inteligentes, tais como a ‘desintoxicação’ digital, para assumirem o controlo do seu uso das redes sociais.” (…) 


O artigo original, na íntegra, no jornal The Guardian, a que pertence a imagem, de Adrian Sherratt

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

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O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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