Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Estudo

Inquérito revela mais jovens desiludidos com as redes sociais

Há um número crescente de jovens que se declaram desiludidos pelo lado negativo da revolução digital, nomeadamente o assédio online e as notícias falsas. Este efeito de ricochete vai até ao ponto de dois terços dos mais novos chegarem a admitir que não se importavam que as redes sociais não tivessem sido inventadas. Estes dados surpreendentes são revelados por um inquérito feito na Inglaterra, junto de cerca de cinco mil estudantes de escolas públicas e privadas. A maioria das respostas vem de jovens entre os nove e os onze anos. 

O estudo foi realizado em Setembro, por solicitação da Digital Awareness UK, que promove o uso seguro das tecnologias digitais, e da Headmasters’ and Headmistresses’ Conference (HMC), que representa os directores de escolas privadas em todo o mundo. 

“Cerca de 63% dos inquiridos disseram que não se importavam se as redes sociais não existissem, e um número ainda superior (71%) conta que já fez 'desintoxicação' digital temporária para escapar delas.” (…) 

“Um total de 56% disse que já tinha recebido comentários ofensivos pela Internet, 56% admitiram estar à beira da dependência e 52% contam que as redes sociais os fazem sentir menos confiantes a respeito da sua imagem ou de como a sua vida é interessante.” 

“Enquanto mais de 60% acham que os seus amigos apresentam uma ‘falsa versão’ de si mesmos nas redes sociais, 85% dos inquiridos negam que eles próprios sejam culpados de fazer isso.” (…) 

“Quando se lhes pediu que sugerissem melhorias, os estudantes insistiram em menos publicidade (71%), menos fake news (61%), mais conteúdos criativos (55%) e maior privacidade (49%).” 

“Um terço dos inquiridos disse que gostaria que as redes sociais proporcionassem mais oportunidades de ganhar dinheiro.” 

“Em Benenden, uma escola privada com internato para meninas, no Kent, as alunas submeteram-se voluntariamente a um blackout de redes sociais durante três dias, entregando os seus telemóveis.” 

A directora, Samantha Price, contou que no início estava preocupada sobre como iam as jovens aguentar, mas que depois “eram elas que se admiravam por isso e diziam que voltavam a fazer o mesmo ainda por mais tempo, da próxima vez, o que eu achei incrivelmente reconfortante”. (…) 

Charlotte Robertson, uma das fundadoras da Digital Awareness UK, disse: 

“Falamos para milhares de estudantes, diariamente, sobre o uso seguro da Internet e, embora continue a ser motivo de preocupação ver o impacto emocional que as redes sociais têm sobre a saúde e o bem-estar dos jovens, é encorajador verificar que também eles estão a usar estratégias inteligentes, tais como a ‘desintoxicação’ digital, para assumirem o controlo do seu uso das redes sociais.” (…) 


O artigo original, na íntegra, no jornal The Guardian, a que pertence a imagem, de Adrian Sherratt

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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