Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Estudo

Inquérito revela mais jovens desiludidos com as redes sociais

Há um número crescente de jovens que se declaram desiludidos pelo lado negativo da revolução digital, nomeadamente o assédio online e as notícias falsas. Este efeito de ricochete vai até ao ponto de dois terços dos mais novos chegarem a admitir que não se importavam que as redes sociais não tivessem sido inventadas. Estes dados surpreendentes são revelados por um inquérito feito na Inglaterra, junto de cerca de cinco mil estudantes de escolas públicas e privadas. A maioria das respostas vem de jovens entre os nove e os onze anos. 

O estudo foi realizado em Setembro, por solicitação da Digital Awareness UK, que promove o uso seguro das tecnologias digitais, e da Headmasters’ and Headmistresses’ Conference (HMC), que representa os directores de escolas privadas em todo o mundo. 

“Cerca de 63% dos inquiridos disseram que não se importavam se as redes sociais não existissem, e um número ainda superior (71%) conta que já fez 'desintoxicação' digital temporária para escapar delas.” (…) 

“Um total de 56% disse que já tinha recebido comentários ofensivos pela Internet, 56% admitiram estar à beira da dependência e 52% contam que as redes sociais os fazem sentir menos confiantes a respeito da sua imagem ou de como a sua vida é interessante.” 

“Enquanto mais de 60% acham que os seus amigos apresentam uma ‘falsa versão’ de si mesmos nas redes sociais, 85% dos inquiridos negam que eles próprios sejam culpados de fazer isso.” (…) 

“Quando se lhes pediu que sugerissem melhorias, os estudantes insistiram em menos publicidade (71%), menos fake news (61%), mais conteúdos criativos (55%) e maior privacidade (49%).” 

“Um terço dos inquiridos disse que gostaria que as redes sociais proporcionassem mais oportunidades de ganhar dinheiro.” 

“Em Benenden, uma escola privada com internato para meninas, no Kent, as alunas submeteram-se voluntariamente a um blackout de redes sociais durante três dias, entregando os seus telemóveis.” 

A directora, Samantha Price, contou que no início estava preocupada sobre como iam as jovens aguentar, mas que depois “eram elas que se admiravam por isso e diziam que voltavam a fazer o mesmo ainda por mais tempo, da próxima vez, o que eu achei incrivelmente reconfortante”. (…) 

Charlotte Robertson, uma das fundadoras da Digital Awareness UK, disse: 

“Falamos para milhares de estudantes, diariamente, sobre o uso seguro da Internet e, embora continue a ser motivo de preocupação ver o impacto emocional que as redes sociais têm sobre a saúde e o bem-estar dos jovens, é encorajador verificar que também eles estão a usar estratégias inteligentes, tais como a ‘desintoxicação’ digital, para assumirem o controlo do seu uso das redes sociais.” (…) 


O artigo original, na íntegra, no jornal The Guardian, a que pertence a imagem, de Adrian Sherratt

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Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

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Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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