Quinta-feira, 21 de Março, 2019
Estudo

Universidade americana incentiva projectos para melhorar a confiança nos Media

Um primeiro grupo de dez projectos que procuram melhorar a confiança entre as redacções e o público, torná-las mais diversas e inclusivas, e contribuir para que os comentários sejam menos polarizados, foi distinguido para ser apoiado pela News Integrity Initiative, lançada pela Escola de Jornalismo da Universidade de Nova Iorque (CUNY). Uma dotação total de 1.8 milhões de dólares vai assim ser distribuída por essas dez instituições, ou iniciativas locais, que procuram melhorar o entendimento recíproco entre os media e as comunidades que servem. 

“O funcionamento do jornalismo tradicional é habitualmente o de se relacionar com o público depois de as reportagens estarem publicadas, e perde muitas oportunidades de obter conhecimento por dentro daquilo que as pessoas querem e necessitam dos seus jornais locais”  -  explica Molly de Aguiar, directora da News Integrity Initiative

“Não admira que as pessoas estejam agora zangadas com os media, e que a confiança esteja em declínio. É por isso que estes apoios são apontados sobretudo a ferramentas e métodos que ajudem as redacções a relacionarem-se regularmente com o público, dirigindo-se ao mesmo tempo à falta de diversidade nas redacções e portanto a uma cobertura que não reflecte adequadamente a comunidade inteira.” (…) 

“Por exemplo, a Walter Cronkite School of Journalism and Mass Communications, da Universidade estadual do Arizona, recebe 300 mil dólares para apoio à News co/lab, uma iniciativa recente, de natureza colaborativa, que ajuda os media locais e as suas comunidades a trabalharem juntos. O Centro para a Reportagem de Investigação Reveal Labs recebe 250 mil dólares para criar envolvimento em torno da reportagem de investigação e desenvolver novos projectos de investigação ‘dinamizados pelo público’.” (…)  

A notícia que citamos, do Nieman Lab, menciona e descreve os dez projectos contemplados com estas dotações.

“Um traço comum entre os projectos é que a maioria deles incide sobre a criação de confiança, mais do que, por exemplo, sobre as repercussões das fake news. (…) Estas empresas de media têm de mostrar outros sinais de que são dignas de confiança. A News Integrity Initiative incide muito sobre o conceito de prestar mais atenção àquilo de que o público necessita.” (…)

 

O artigo citado, na íntegra, no NiemanLab

Connosco
Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

Quando há leitores menos interessados na independência do jornal Ver galeria

Mais de 33 mil leitores do jornal espanhol eldiario.es  são assinantes, o que significa que pagam 60 euros por ano para ler os mesmos textos que são lidos de graça por oito milhões de pessoas por mês, sem pagarem um cêntimo.

“Supõe-se que o fazem por convicção, por apoio a um projecto digital que pertence exclusivamente a jornalistas, sem grandes empresas ou bancos entre os accionistas. Sem um grupo mediático por detrás.” (...) “Supõe-se que o fazem porque, graças a esse dinheiro, existe uma plataforma mediática independente que tem orgulho na sua independência e que aposta em conteúdos de qualidade.”

No entanto, quando eldiário.es publicou uma revelação embaraçosa para uma ministra do Governo do PSOE, houve quem suspendesse a assinatura, acusando o jornal de estar “a fazer o jogo da direita”.

O que remete para a pergunta que faz o título do artigo sobre uma entrevista que Ignacio Escolar, fundador e director do jornal referido, fez ao jornalista Iñaki Gabilondo: “E se os leitores não quiserem media livres?”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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