Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Estudo

Parceria entre jornalismo e universidade estuda violência no Brasil

Foi disponibilizado, no Brasil, o primeiro trabalho jornalístico do “Monitor da Violência”, que regista e identifica todas as vítimas de crimes violentos ocorridos no país durante a semana de 21 a 27 de Agosto. O resultado é aterrorizante: 1.195 mortes, que “são equivalentes à queda de oito aviões Boeing 737, sem, contudo, causar a mesma indignação e mobilização da sociedade”. O “Monitor da Violência” é uma parceria do G1 (da Globo) com o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Segundo a reportagem, que aqui citamos do Comentário da Semana de ObjEthos – Observatório da Ética Jornalística, “230 jornalistas do G1 espalhados pelo país apuraram e escreveram as histórias dos 1.195 mortos em 546 cidades  – quase 10% do total de municípios brasileiros”. 

“Só com essas informações já podemos pontuar duas coisas: primeiro, o estabelecimento de uma parceria entre veículo jornalístico e instituições especializadas no assunto. Trata-se de uma tendência mundial e, neste caso, partiu da academia. No vídeo em que Thiago Reis e o coordenador de Produção Athos Sampaio contam os bastidores da investigação, eles enfatizam que o NEV procurou o G1 em Maio com essa proposta, que foi aceite e também oferecida ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública.” 

“Em segundo lugar, a mobilização de uma equipe grande de jornalistas (230) também chama a atenção e mostra como o G1 pode aproveitar melhor a capilaridade que tem.” (…) 

“Boa parte das mortes, por exemplo, só foi registada pelas equipes do G1 após a semana analisada. Isso porque vários casos foram conhecidos dias depois, quando os órgãos de segurança divulgaram seus balanços mensais. Várias secretarias, porém, se negaram, tanto durante a semana como posteriormente, a passar uma listagem das vítimas ou mesmo um dado consolidado. O trabalho mostra a falta de transparência de muitos governos estaduais. Mas não só: revela também uma total ausência de padronização e de um sistema nacional que abranja homicídios e demais mortes violentas”. (…)

 

Mais informação no artigo de ObjEthos e o link para o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
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