Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
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Vigilância electrónica oficial ameaça liberdade de Imprensa na Polónia

Há uma preocupação crescente, entre os jornalistas polacos, sobre a questão de saber se agências do Estado fizeram, ou continuam a fazer, vigilância ilegítima sobre os profissionais dos media. Alguns repórteres estão a adoptar procedimentos de segurança digital, mas a questão não é simples, porque não há acordo social sobre o tema e porque “a profunda polarização política que domina o discurso público”, desde que o partido de extrema-direita Lei e Justiça (PiS) subiu ao poder em Outubro de 2015, fez com que “a maioria dos próprios media tomassem partido, ou como ardentes defensores ou críticos fervorosos do novo governo”. 

O artigo que citamos, publicado no European Journalism Observatory, descreve como, “em resultado desta polarização, e no contexto da sua contínua querela, os dois principais partidos na Polónia continuam a trocar entre si alegações de que o outro lado autorizou a vigilância sobre os jornalistas”. 

“Nestes últimos dois anos, ministros do PiS acusaram publicamente o anterior governo, dirigido pelo partido de centro-direita Plataforma Cívica, que esteve no poder entre 2007 e 2015, de espiar os jornalistas em muitas ocasiões, especialmente no contexto de dois escândalos políticos.” (…) 

“De modo semelhante, quando estiveram no poder, membros do governo da Plataforma Cívica acusaram os seus predecessores do PiS de terem espiado os jornalistas. Alguns momentos desta vigilância foram mais tarde provadas em tribunal.” (…) 

Katarzyna Szymielewicz, presidente da Fundação Panoptykon, que faz campanha contra estas formas de vigilância, explica que a lei polaca não protege ninguém contra uma vigilância ilegal: 

“Nós não temos um regulador independente… e nem temos o direito de saber se estamos sob vigilância, e isso afecta também os jornalistas.” 

A organização a que preside não tem meios para confirmar se os jornalistas estão ou não a ser espiados, mas Szymielewicz “adverte que a simples ameaça de uma vigilância não controlada pode ter um sério efeito repressivo sobre o jornalismo”. 

Wojciech Cie?la, um jornalista de investigação da edição polaca da Newsweek, co-fundador da Fundacja Reporterow (Fundação Repórteres), tomou várias medidas de encriptação para proteger as suas fontes, e descreve-as como “uma forma de higiene ocupacional”. 

Explica que não é tanto por si: “Quando uso essas ferramentas não o faço para minha segurança, faço-o pelos meus interlocutores, as minhas fontes.” (…)  


O artigo na íntegra, no European Journalism Observatory, de onde colhemos a imagem utilizada

Connosco
A crise de identidade nos jornais de prestígio e a “anarquia digital” Ver galeria

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