Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
Fórum

Vigilância electrónica oficial ameaça liberdade de Imprensa na Polónia

Há uma preocupação crescente, entre os jornalistas polacos, sobre a questão de saber se agências do Estado fizeram, ou continuam a fazer, vigilância ilegítima sobre os profissionais dos media. Alguns repórteres estão a adoptar procedimentos de segurança digital, mas a questão não é simples, porque não há acordo social sobre o tema e porque “a profunda polarização política que domina o discurso público”, desde que o partido de extrema-direita Lei e Justiça (PiS) subiu ao poder em Outubro de 2015, fez com que “a maioria dos próprios media tomassem partido, ou como ardentes defensores ou críticos fervorosos do novo governo”. 

O artigo que citamos, publicado no European Journalism Observatory, descreve como, “em resultado desta polarização, e no contexto da sua contínua querela, os dois principais partidos na Polónia continuam a trocar entre si alegações de que o outro lado autorizou a vigilância sobre os jornalistas”. 

“Nestes últimos dois anos, ministros do PiS acusaram publicamente o anterior governo, dirigido pelo partido de centro-direita Plataforma Cívica, que esteve no poder entre 2007 e 2015, de espiar os jornalistas em muitas ocasiões, especialmente no contexto de dois escândalos políticos.” (…) 

“De modo semelhante, quando estiveram no poder, membros do governo da Plataforma Cívica acusaram os seus predecessores do PiS de terem espiado os jornalistas. Alguns momentos desta vigilância foram mais tarde provadas em tribunal.” (…) 

Katarzyna Szymielewicz, presidente da Fundação Panoptykon, que faz campanha contra estas formas de vigilância, explica que a lei polaca não protege ninguém contra uma vigilância ilegal: 

“Nós não temos um regulador independente… e nem temos o direito de saber se estamos sob vigilância, e isso afecta também os jornalistas.” 

A organização a que preside não tem meios para confirmar se os jornalistas estão ou não a ser espiados, mas Szymielewicz “adverte que a simples ameaça de uma vigilância não controlada pode ter um sério efeito repressivo sobre o jornalismo”. 

Wojciech Cie?la, um jornalista de investigação da edição polaca da Newsweek, co-fundador da Fundacja Reporterow (Fundação Repórteres), tomou várias medidas de encriptação para proteger as suas fontes, e descreve-as como “uma forma de higiene ocupacional”. 

Explica que não é tanto por si: “Quando uso essas ferramentas não o faço para minha segurança, faço-o pelos meus interlocutores, as minhas fontes.” (…)  


O artigo na íntegra, no European Journalism Observatory, de onde colhemos a imagem utilizada

Connosco
Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

ver mais >
Opinião
As redes sociais e o passado
Francisco Sarsfield Cabral
O semanário britânico The Economist, geralmente um entusiasta do progresso científico e tecnológico, dedicou a capa e o primeiro editorial de um seu recente número a uma crítica severa às redes sociais. Estas, em vez de contribuírem para o esclarecimento público e o debate racional (como inicialmente se esperava), multiplicam mentiras e falsidades – por exemplo, as milhares de intromissões russas no Facebook e no...
Quem achar que a Amazon é apenas um vendedor de livros ou de discos está enganado, e muito. A Amazon tem estado no último ano a alargar o seu espectro de acção, comprando cadeias de retalhistas, oferecendo novos serviços através de parcerias que estabelece nas mais diversas áreas e, sobretudo, está a começar a utilizar o enorme conhecimento que tem sobre os hábitos dos seus clientes. Poucas empresas da nova economia...
O  estado dos media americanos continua a inspirar apreensão, e desenvolvimentos reportados desde o verão têem acentuado os motivos de preocupação, com poucas  excepções. Os relatórios do Pew Research Center – organização não-partidária com sede em Washington, fundada em 2004, dedicada ao estudo da evolução de sectores como o jornalismo, demografia, política e opinião...
Ao completar 25 anos, a SIC  cresceu, mas não se emancipou nem libertou o seu criador de preocupações. Francisco Pinto Balsemão, com 80 anos feitos, merecia um sossego que não tem, perante a crise que atingiu o Grupo de media que construiu do zero . Balsemão ganhou vários desafios, alguns deles complexos, desde que lançou o Expresso nos idos de 70 do século passado - o seu “navio-almirante”, como gosta de...
Num livro colectivo acabado de publicar, simultaneamente, em treze línguas e em dezenas de países espalhados pelo mundo inteiro, cuja versão francesa se intitula, significativamente, L’âge de la Régression: Pourquoi nous vivons un tournant historique[1], Appadurai disserta sobre o «sentimento de cansaço» que, na sua opinião domina a esfera pública. Sentimento de cansaço relativamente à forma de fazer...
Agenda
27
Nov
10º Congresso Sopcom
09:00 @ Viseu
27
Nov
Formação sobre podcasts
09:00 @ Cenjor,Lisboa
28
Nov
29
Nov
SEO para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa