Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
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Vigilância electrónica oficial ameaça liberdade de Imprensa na Polónia

Há uma preocupação crescente, entre os jornalistas polacos, sobre a questão de saber se agências do Estado fizeram, ou continuam a fazer, vigilância ilegítima sobre os profissionais dos media. Alguns repórteres estão a adoptar procedimentos de segurança digital, mas a questão não é simples, porque não há acordo social sobre o tema e porque “a profunda polarização política que domina o discurso público”, desde que o partido de extrema-direita Lei e Justiça (PiS) subiu ao poder em Outubro de 2015, fez com que “a maioria dos próprios media tomassem partido, ou como ardentes defensores ou críticos fervorosos do novo governo”. 

O artigo que citamos, publicado no European Journalism Observatory, descreve como, “em resultado desta polarização, e no contexto da sua contínua querela, os dois principais partidos na Polónia continuam a trocar entre si alegações de que o outro lado autorizou a vigilância sobre os jornalistas”. 

“Nestes últimos dois anos, ministros do PiS acusaram publicamente o anterior governo, dirigido pelo partido de centro-direita Plataforma Cívica, que esteve no poder entre 2007 e 2015, de espiar os jornalistas em muitas ocasiões, especialmente no contexto de dois escândalos políticos.” (…) 

“De modo semelhante, quando estiveram no poder, membros do governo da Plataforma Cívica acusaram os seus predecessores do PiS de terem espiado os jornalistas. Alguns momentos desta vigilância foram mais tarde provadas em tribunal.” (…) 

Katarzyna Szymielewicz, presidente da Fundação Panoptykon, que faz campanha contra estas formas de vigilância, explica que a lei polaca não protege ninguém contra uma vigilância ilegal: 

“Nós não temos um regulador independente… e nem temos o direito de saber se estamos sob vigilância, e isso afecta também os jornalistas.” 

A organização a que preside não tem meios para confirmar se os jornalistas estão ou não a ser espiados, mas Szymielewicz “adverte que a simples ameaça de uma vigilância não controlada pode ter um sério efeito repressivo sobre o jornalismo”. 

Wojciech Cie?la, um jornalista de investigação da edição polaca da Newsweek, co-fundador da Fundacja Reporterow (Fundação Repórteres), tomou várias medidas de encriptação para proteger as suas fontes, e descreve-as como “uma forma de higiene ocupacional”. 

Explica que não é tanto por si: “Quando uso essas ferramentas não o faço para minha segurança, faço-o pelos meus interlocutores, as minhas fontes.” (…)  


O artigo na íntegra, no European Journalism Observatory, de onde colhemos a imagem utilizada

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...