Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Media

Debate no "Le Monde Festival" lembra que uma notícia "incrível" pode ser mesmo falsa

A propósito da proliferação das notícias falsas, Katharine Viner, chefe de redacção do jornal britânico The Guardian, afirmou que “um dos maiores perigos, hoje, é que são mais partilhadas, nas redes sociais, as opiniões do que os factos”. Esta sua reflexão foi feita no Le Monde Festival, realizado em Paris, onde disse também: “Se alguma coisa parece demasiado boa, ou demasiado espantosa, ou demasiado incrível, então provavelmente é-o mesmo, e o melhor é verificarmos outra vez.”

Mas também podemos cair numa armadilha por qualquer coisa que pareça apenas um pouco verdadeira  – explicou.  “Este ano exige que façamos mais fact-checking do que no anterior.”

 

Chefe de redacção em The Guardian há dois anos, Katharine Viner apanhou em cheio, nessas funções, a campanha pelo referendo sobre o Brexit, tendo publicado, em Julho de 2016, um artigo intitulado “How technology disrupted the truth”, do qual falamos noutro local deste site. Foi sobre esse trabalho que desejaram interrogá-la e ouvi-la os participantes no Le Monde Festival, e as suas declarações podem ser escutadas em vídeo, no respectivo site, com tradução legendada em francês.

 

Em comentário ao mesmo artigo, Le Monde publicou na altura uma síntese que punha a questão do jornalismo actual nos seguintes termos: por muito que a Verdade, com um grande V, seja impossível de expor, para descrever um mundo complexo em frases simples, que seriam sempre tingidas de subjectividade, há pelo menos uma série de factos, demonstráveis por A+B, a partir das quais se pode estabelecer um debate contraditório. 

Mas, “para a chefe de redacção de The Guardian, a campanha do Brexit demonstrou que é cada vez menos o caso. Cada um tem a ‘sua’ verdade e a discussão torna-se automaticamente impossível”. 

Citando Katharine Viner:

“Quando um facto começa a parecer-se com aquilo que uma pessoa pensa que é verdadeiro, torna-se muito difícil para alguém estabelecer a diferença entre os factos que são verdadeiros e os ‘factos’ que não são.” (…) 

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...