Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Debate no "Le Monde Festival" lembra que uma notícia "incrível" pode ser mesmo falsa

A propósito da proliferação das notícias falsas, Katharine Viner, chefe de redacção do jornal britânico The Guardian, afirmou que “um dos maiores perigos, hoje, é que são mais partilhadas, nas redes sociais, as opiniões do que os factos”. Esta sua reflexão foi feita no Le Monde Festival, realizado em Paris, onde disse também: “Se alguma coisa parece demasiado boa, ou demasiado espantosa, ou demasiado incrível, então provavelmente é-o mesmo, e o melhor é verificarmos outra vez.”

Mas também podemos cair numa armadilha por qualquer coisa que pareça apenas um pouco verdadeira  – explicou.  “Este ano exige que façamos mais fact-checking do que no anterior.”

 

Chefe de redacção em The Guardian há dois anos, Katharine Viner apanhou em cheio, nessas funções, a campanha pelo referendo sobre o Brexit, tendo publicado, em Julho de 2016, um artigo intitulado “How technology disrupted the truth”, do qual falamos noutro local deste site. Foi sobre esse trabalho que desejaram interrogá-la e ouvi-la os participantes no Le Monde Festival, e as suas declarações podem ser escutadas em vídeo, no respectivo site, com tradução legendada em francês.

 

Em comentário ao mesmo artigo, Le Monde publicou na altura uma síntese que punha a questão do jornalismo actual nos seguintes termos: por muito que a Verdade, com um grande V, seja impossível de expor, para descrever um mundo complexo em frases simples, que seriam sempre tingidas de subjectividade, há pelo menos uma série de factos, demonstráveis por A+B, a partir das quais se pode estabelecer um debate contraditório. 

Mas, “para a chefe de redacção de The Guardian, a campanha do Brexit demonstrou que é cada vez menos o caso. Cada um tem a ‘sua’ verdade e a discussão torna-se automaticamente impossível”. 

Citando Katharine Viner:

“Quando um facto começa a parecer-se com aquilo que uma pessoa pensa que é verdadeiro, torna-se muito difícil para alguém estabelecer a diferença entre os factos que são verdadeiros e os ‘factos’ que não são.” (…) 

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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