Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

Debate no "Le Monde Festival" lembra que uma notícia "incrível" pode ser mesmo falsa

A propósito da proliferação das notícias falsas, Katharine Viner, chefe de redacção do jornal britânico The Guardian, afirmou que “um dos maiores perigos, hoje, é que são mais partilhadas, nas redes sociais, as opiniões do que os factos”. Esta sua reflexão foi feita no Le Monde Festival, realizado em Paris, onde disse também: “Se alguma coisa parece demasiado boa, ou demasiado espantosa, ou demasiado incrível, então provavelmente é-o mesmo, e o melhor é verificarmos outra vez.”

Mas também podemos cair numa armadilha por qualquer coisa que pareça apenas um pouco verdadeira  – explicou.  “Este ano exige que façamos mais fact-checking do que no anterior.”

 

Chefe de redacção em The Guardian há dois anos, Katharine Viner apanhou em cheio, nessas funções, a campanha pelo referendo sobre o Brexit, tendo publicado, em Julho de 2016, um artigo intitulado “How technology disrupted the truth”, do qual falamos noutro local deste site. Foi sobre esse trabalho que desejaram interrogá-la e ouvi-la os participantes no Le Monde Festival, e as suas declarações podem ser escutadas em vídeo, no respectivo site, com tradução legendada em francês.

 

Em comentário ao mesmo artigo, Le Monde publicou na altura uma síntese que punha a questão do jornalismo actual nos seguintes termos: por muito que a Verdade, com um grande V, seja impossível de expor, para descrever um mundo complexo em frases simples, que seriam sempre tingidas de subjectividade, há pelo menos uma série de factos, demonstráveis por A+B, a partir das quais se pode estabelecer um debate contraditório. 

Mas, “para a chefe de redacção de The Guardian, a campanha do Brexit demonstrou que é cada vez menos o caso. Cada um tem a ‘sua’ verdade e a discussão torna-se automaticamente impossível”. 

Citando Katharine Viner:

“Quando um facto começa a parecer-se com aquilo que uma pessoa pensa que é verdadeiro, torna-se muito difícil para alguém estabelecer a diferença entre os factos que são verdadeiros e os ‘factos’ que não são.” (…) 

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


ver mais >
Opinião
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...
Há cerca de um ano, António Barreto  costumava assinar uma assertiva coluna de opinião no Diário de Noticias, entretanto desaparecida como outras, sem deixar rasto. Numa delas,  reconhecia ser “simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão” . E comentava, a propósito,  que  “a vulgaridade é sinal de verdade. A...
Agenda
19
Nov
21
Nov
22
Nov
Westminster Forum Projects
09:00 @ Londres, Reino Unido
23
Nov
#6COBCIBER – VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo
09:00 @ Faculdade de Letras da Universidade do Porto