Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
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Presidente da APM critica a deriva para "o jornalismo espectáculo"

Dirigindo-se aos alunos de um curso de jornalismo, Victoria Prego, presidente da APM - Asociación de la Prensa de Madrid, admite que está hoje “um pouco menos pessimista do que há quatro anos” sobre o futuro da profissão, que considera “um dos cimentos fundamentais de um sistema democrático”. Adverte no entanto que, independentemente das mudanças tecnológicas, as qualidades requeridas a um jornalista continuam as mesmas: “instrumentos intelectuais para compreender a realidade, capacidade de expressão e a máxima honestidade”. 

O balanço que faz a presidente da APM  - com a qual mantemos um acordo de parceria -  procura identificar os pontos fortes e fracos do jornalismo que se pratica em Espanha, admitindo que “também se faz muito mau jornalismo”, tendo o prestígio dos seus profissionais “caído para níveis mínimos”. 

Por um lado, como afirmou, o jornalismo sem adjectivos “foi coberto pelo jornalismo espectáculo”; por outro, caiu-se num jornalismo “propagandista”, ou “publicitário”, em que alguns “se dedicaram a trabalhar ao serviço de um partido político, ou poder empresarial”. 

Segundo Victoria Prego, tem-se praticado “um jornalismo um pouco ‘esborratado’, no qual não se procurou elaborar a informação com o máximo de objectividade e emitir a opinião com o máximo de honestidade”. 

A sua intervenção ocorreu no contexto de um colóquio com os alunos da Universidade Francisco de Vitoria, moderado e apresentado pelo jornalista e docente da UFV Gabriel Sánchez.

O secretário-geral da APM e presidente da Comissão de Formação e Emprego, Alfonso Sánchez, explicou o papel da Associação e o seu valor como aglutinador de jornalistas. 

 

Mais informação no site da APM

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Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

Já se fizeram muitos “diagnósticos” (e alguns “prognósticos”) à televisão. Um dos mais recentes é que estava moribunda. Mas este seu fim anunciado é ele próprio “um mito gasto”. O êxito actual das novas séries é um bom exemplo: seria paradoxal anunciar a morte da televisão “no preciso momento em que as suas produções conquistam uma legitimidade cultural que ela procurou durante meio século”. Vistas as coisas em perspectiva histórica, o “discurso de denúncia” contra a televisão já foi usado “contra o romance em folhetins, a BD, o cinema e a leitura (que, como nota o historiador Roger Chartier, perde o seu estatuto sedicioso sob a ameaça da televisão, para se tornar no final do séc. XX o refúgio da cultura)”. Uma reflexão que continua, a propósito do próximo lançamento, em Paris, do livro Sociologie de la télévision.

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Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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