Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

“Ebdo”, um original projecto francês de semanário sem publicidade

Um novo e original projecto de imprensa vai nascer em Paris. Será um semanário de 110 páginas, sem publicidade, e tem o lançamento previsto para Janeiro, com um preço de capa à volta dos quatro euros, o seu único suporte regular, se descontarmos um financiamento participativo inicial  na ordem de 150 mil euros, sob a forma de pré-assinatura.

Com o título Ebdo e uma redacção prevista de 40 jornalistas, o novo semanário baseia-se na convicção de que “os leitores do século XXI têm necessidade de um suporte de reflexão regular”, que não seja uma simples réplica de outros magazines, que atravessam, aliás, um período difícil.

Sem enjeitar essa crise que tem vindo a minar e a enfraquecer a imprensa tradicional, os responsáveis do Ebdo estabeleceram diferenças no seu projecto, criando algo mais motivador.

Desde logo, não será um magazine destinado a cobrir a actualidade, mas, sim, um jornal apostado em “armar intelectualmente o leitor, ajudando-o na sua vida quotidiana”. Ebdo será “uma espécie de universidade para todos”, o que permitirá atrair um público mais alargado, como sublinha Thierry Mandon, director geral do projecto.

O semanário será estruturado num formato longo, incluindo páginas de fotos e banda desenhada.

O Ebdo procurará, sobretudo, demarcar-se dos seus concorrentes, afirmando-se numa atitude de independência, no sentido de restabelecer o nível de confiança entre os leitores e o jornalista.

A ausência de publicidade visa contornar qualquer suspeição em relação a esse ideário de independência.

Para evitar que o jornal tenha um rótulo excessivamente parisiense, o recrutamento para a redação será geograficamente repartido.

A versão digital do Ebdo utilizará uma fórmula muito interactiva, com os visitantes em diálogo com redacção, havendo um jornalista designado para articular esse contacto.

Na versão em papel, o projecto propõe-se alcançar os 120 mil exemplares de circulação paga, a maior parte sob a forma de assinatura.

O Ebdo necessitará de um orçamento anual de 15 milhões de euros e espera reunir no seu capital fundador uma dúzia de investidores, com o objectivo de subscreverem cerca de 2 milhões de euros.

 

 

 

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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