Sexta-feira, 24 de Novembro, 2017
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Negócio da compra da TVI concentra receios nos debates em Congresso das Comunicações

A possível aquisição da TVI (Media Capital) pela Altice (por via da PT), o que isso significaria em termos de concentração de media, e a necessidade de manter regras de concorrência justas que permitam a sobrevivência de todos, foram as questões de fundo que suscitaram intervenções mais vivas nos debates do 27º congresso anual da APDC – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações. Carlos Magno, presidente da ERC (cujo parecer sobre a referida aquisição será vinculativo), apelou a “um pacto para salvar a paisagem audiovisual portuguesa e a democracia”. 

No debate que reuniu os dirigentes dos principais grupos de comunicação em Portugal, o presidente executivo da Impresa, Francisco Pedro Balsemão, declarou ver “com grande preocupação esta tentativa de convergência no sector, que pode ser muito nefasta”, afirmando ainda que “tem de haver concorrência leal na distribuição de conteúdos e no investimento publicitário”.  

Segundo o Público, que aqui citamos, Rosa Cullell, administradora delegada da Media Capital, salientou que os grupos de media “vão ter de ser ajudados” pelo Governo e pelos reguladores:  

“Temos de acabar com os blocos de publicidade de 12 minutos, os espectadores não querem mais isso, não querem ser interrompidos  - explicou a responsável da Media Capital, notando que uma das apostas será fazer publicidade dentro dos programas.”  

Por sua vez, Paulo Azevedo, presidente da Sonae, que divide o controlo da Nos com a empresária angolana Isabel dos Santos, esteve, antes do congresso, na ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, onde foi expor “os riscos que vê na operação de compra anunciada pela dona da PT”. À saída, declarou:  

“Infelizmente, tive muitas vezes de lutar contra teias tecidas por ligações entre o poder económico, o poder político e o poder mediático, que não visavam o interesse público, e penso que esta operação configuraria uma situação que se prestaria muito a isso voltar a acontecer de uma forma bastante mais grave.”  

“Estamos a falar em juntar a propriedade do maior grupo de comunicação social com o maior grupo de telecomunicações, e hoje os grupos de telecomunicações são o canal que está entre os consumidores e a comunicação social.” (…) 

Carlos Magno, presidente da ERC – Entidade Reguladora dos Media, comparou o actual estado dos media, em Portugal, a “uma espécie de ensaio do Fellini com orquestra do Titanic: nenhum guionista sabe como terminar este filme". 

“Este sector não está para treinadores de bancada. E há muitos. É preciso um pacto para salvar a paisagem audiovisual portuguesa e a democracia. Já não há prolongamento. O tempo esgotou-se. É o início de uma nova época.” (…) 

“O regulador não está a proteger o público e os canais de televisão não estão a criar alternativas para uma situação que já se percebeu que está a chegar ao fim. Volto à ideia do pacto. É possível salvar isto”  - se os media se aliarem em vez de se atacarem, concluiu.

 

Mais informação no Público, cuja imagem utilizamos, e no Jornal de Negócios

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Jornalistas são mais operários da notícia do que estrelas do "showbiz"... Ver galeria

O jornalismo “é uma profissão de ilustres desconhecidos, gente que em sua maior parte ganha pouco e luta para prestar serviço ao leitor, telespectador, ouvinte ou internauta; jornalistas estão mais para operários da notícia do que para estrelas do showbiz”. E reflexão é de Ronaldo Leges, que se apresenta como praticante do “jornalismo de bairro” e dirige uma crítica aos profissionais que passam essa fronteira para o lado do espectáculo, especialmente na televisão: “Não são poucos aqueles repórteres que com o ego inflamado buscam aparecer mais do que a fonte entrevistada e no fim distribuem seus autógrafos ao redor da multidão.” No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

A morte anunciada da televisão foi manifestamente exagerada... Ver galeria

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site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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