Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Fórum

Negócio da compra da TVI concentra receios nos debates em Congresso das Comunicações

A possível aquisição da TVI (Media Capital) pela Altice (por via da PT), o que isso significaria em termos de concentração de media, e a necessidade de manter regras de concorrência justas que permitam a sobrevivência de todos, foram as questões de fundo que suscitaram intervenções mais vivas nos debates do 27º congresso anual da APDC – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações. Carlos Magno, presidente da ERC (cujo parecer sobre a referida aquisição será vinculativo), apelou a “um pacto para salvar a paisagem audiovisual portuguesa e a democracia”. 

No debate que reuniu os dirigentes dos principais grupos de comunicação em Portugal, o presidente executivo da Impresa, Francisco Pedro Balsemão, declarou ver “com grande preocupação esta tentativa de convergência no sector, que pode ser muito nefasta”, afirmando ainda que “tem de haver concorrência leal na distribuição de conteúdos e no investimento publicitário”.  

Segundo o Público, que aqui citamos, Rosa Cullell, administradora delegada da Media Capital, salientou que os grupos de media “vão ter de ser ajudados” pelo Governo e pelos reguladores:  

“Temos de acabar com os blocos de publicidade de 12 minutos, os espectadores não querem mais isso, não querem ser interrompidos  - explicou a responsável da Media Capital, notando que uma das apostas será fazer publicidade dentro dos programas.”  

Por sua vez, Paulo Azevedo, presidente da Sonae, que divide o controlo da Nos com a empresária angolana Isabel dos Santos, esteve, antes do congresso, na ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, onde foi expor “os riscos que vê na operação de compra anunciada pela dona da PT”. À saída, declarou:  

“Infelizmente, tive muitas vezes de lutar contra teias tecidas por ligações entre o poder económico, o poder político e o poder mediático, que não visavam o interesse público, e penso que esta operação configuraria uma situação que se prestaria muito a isso voltar a acontecer de uma forma bastante mais grave.”  

“Estamos a falar em juntar a propriedade do maior grupo de comunicação social com o maior grupo de telecomunicações, e hoje os grupos de telecomunicações são o canal que está entre os consumidores e a comunicação social.” (…) 

Carlos Magno, presidente da ERC – Entidade Reguladora dos Media, comparou o actual estado dos media, em Portugal, a “uma espécie de ensaio do Fellini com orquestra do Titanic: nenhum guionista sabe como terminar este filme". 

“Este sector não está para treinadores de bancada. E há muitos. É preciso um pacto para salvar a paisagem audiovisual portuguesa e a democracia. Já não há prolongamento. O tempo esgotou-se. É o início de uma nova época.” (…) 

“O regulador não está a proteger o público e os canais de televisão não estão a criar alternativas para uma situação que já se percebeu que está a chegar ao fim. Volto à ideia do pacto. É possível salvar isto”  - se os media se aliarem em vez de se atacarem, concluiu.

 

Mais informação no Público, cuja imagem utilizamos, e no Jornal de Negócios

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...