Quinta-feira, 21 de Março, 2019
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Negócio da compra da TVI concentra receios nos debates em Congresso das Comunicações

A possível aquisição da TVI (Media Capital) pela Altice (por via da PT), o que isso significaria em termos de concentração de media, e a necessidade de manter regras de concorrência justas que permitam a sobrevivência de todos, foram as questões de fundo que suscitaram intervenções mais vivas nos debates do 27º congresso anual da APDC – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações. Carlos Magno, presidente da ERC (cujo parecer sobre a referida aquisição será vinculativo), apelou a “um pacto para salvar a paisagem audiovisual portuguesa e a democracia”. 

No debate que reuniu os dirigentes dos principais grupos de comunicação em Portugal, o presidente executivo da Impresa, Francisco Pedro Balsemão, declarou ver “com grande preocupação esta tentativa de convergência no sector, que pode ser muito nefasta”, afirmando ainda que “tem de haver concorrência leal na distribuição de conteúdos e no investimento publicitário”.  

Segundo o Público, que aqui citamos, Rosa Cullell, administradora delegada da Media Capital, salientou que os grupos de media “vão ter de ser ajudados” pelo Governo e pelos reguladores:  

“Temos de acabar com os blocos de publicidade de 12 minutos, os espectadores não querem mais isso, não querem ser interrompidos  - explicou a responsável da Media Capital, notando que uma das apostas será fazer publicidade dentro dos programas.”  

Por sua vez, Paulo Azevedo, presidente da Sonae, que divide o controlo da Nos com a empresária angolana Isabel dos Santos, esteve, antes do congresso, na ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, onde foi expor “os riscos que vê na operação de compra anunciada pela dona da PT”. À saída, declarou:  

“Infelizmente, tive muitas vezes de lutar contra teias tecidas por ligações entre o poder económico, o poder político e o poder mediático, que não visavam o interesse público, e penso que esta operação configuraria uma situação que se prestaria muito a isso voltar a acontecer de uma forma bastante mais grave.”  

“Estamos a falar em juntar a propriedade do maior grupo de comunicação social com o maior grupo de telecomunicações, e hoje os grupos de telecomunicações são o canal que está entre os consumidores e a comunicação social.” (…) 

Carlos Magno, presidente da ERC – Entidade Reguladora dos Media, comparou o actual estado dos media, em Portugal, a “uma espécie de ensaio do Fellini com orquestra do Titanic: nenhum guionista sabe como terminar este filme". 

“Este sector não está para treinadores de bancada. E há muitos. É preciso um pacto para salvar a paisagem audiovisual portuguesa e a democracia. Já não há prolongamento. O tempo esgotou-se. É o início de uma nova época.” (…) 

“O regulador não está a proteger o público e os canais de televisão não estão a criar alternativas para uma situação que já se percebeu que está a chegar ao fim. Volto à ideia do pacto. É possível salvar isto”  - se os media se aliarem em vez de se atacarem, concluiu.

 

Mais informação no Público, cuja imagem utilizamos, e no Jornal de Negócios

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Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

Quando há leitores menos interessados na independência do jornal Ver galeria

Mais de 33 mil leitores do jornal espanhol eldiario.es  são assinantes, o que significa que pagam 60 euros por ano para ler os mesmos textos que são lidos de graça por oito milhões de pessoas por mês, sem pagarem um cêntimo.

“Supõe-se que o fazem por convicção, por apoio a um projecto digital que pertence exclusivamente a jornalistas, sem grandes empresas ou bancos entre os accionistas. Sem um grupo mediático por detrás.” (...) “Supõe-se que o fazem porque, graças a esse dinheiro, existe uma plataforma mediática independente que tem orgulho na sua independência e que aposta em conteúdos de qualidade.”

No entanto, quando eldiário.es publicou uma revelação embaraçosa para uma ministra do Governo do PSOE, houve quem suspendesse a assinatura, acusando o jornal de estar “a fazer o jogo da direita”.

O que remete para a pergunta que faz o título do artigo sobre uma entrevista que Ignacio Escolar, fundador e director do jornal referido, fez ao jornalista Iñaki Gabilondo: “E se os leitores não quiserem media livres?”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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