Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Fórum

Negócio da compra da TVI concentra receios nos debates em Congresso das Comunicações

A possível aquisição da TVI (Media Capital) pela Altice (por via da PT), o que isso significaria em termos de concentração de media, e a necessidade de manter regras de concorrência justas que permitam a sobrevivência de todos, foram as questões de fundo que suscitaram intervenções mais vivas nos debates do 27º congresso anual da APDC – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações. Carlos Magno, presidente da ERC (cujo parecer sobre a referida aquisição será vinculativo), apelou a “um pacto para salvar a paisagem audiovisual portuguesa e a democracia”. 

No debate que reuniu os dirigentes dos principais grupos de comunicação em Portugal, o presidente executivo da Impresa, Francisco Pedro Balsemão, declarou ver “com grande preocupação esta tentativa de convergência no sector, que pode ser muito nefasta”, afirmando ainda que “tem de haver concorrência leal na distribuição de conteúdos e no investimento publicitário”.  

Segundo o Público, que aqui citamos, Rosa Cullell, administradora delegada da Media Capital, salientou que os grupos de media “vão ter de ser ajudados” pelo Governo e pelos reguladores:  

“Temos de acabar com os blocos de publicidade de 12 minutos, os espectadores não querem mais isso, não querem ser interrompidos  - explicou a responsável da Media Capital, notando que uma das apostas será fazer publicidade dentro dos programas.”  

Por sua vez, Paulo Azevedo, presidente da Sonae, que divide o controlo da Nos com a empresária angolana Isabel dos Santos, esteve, antes do congresso, na ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, onde foi expor “os riscos que vê na operação de compra anunciada pela dona da PT”. À saída, declarou:  

“Infelizmente, tive muitas vezes de lutar contra teias tecidas por ligações entre o poder económico, o poder político e o poder mediático, que não visavam o interesse público, e penso que esta operação configuraria uma situação que se prestaria muito a isso voltar a acontecer de uma forma bastante mais grave.”  

“Estamos a falar em juntar a propriedade do maior grupo de comunicação social com o maior grupo de telecomunicações, e hoje os grupos de telecomunicações são o canal que está entre os consumidores e a comunicação social.” (…) 

Carlos Magno, presidente da ERC – Entidade Reguladora dos Media, comparou o actual estado dos media, em Portugal, a “uma espécie de ensaio do Fellini com orquestra do Titanic: nenhum guionista sabe como terminar este filme". 

“Este sector não está para treinadores de bancada. E há muitos. É preciso um pacto para salvar a paisagem audiovisual portuguesa e a democracia. Já não há prolongamento. O tempo esgotou-se. É o início de uma nova época.” (…) 

“O regulador não está a proteger o público e os canais de televisão não estão a criar alternativas para uma situação que já se percebeu que está a chegar ao fim. Volto à ideia do pacto. É possível salvar isto”  - se os media se aliarem em vez de se atacarem, concluiu.

 

Mais informação no Público, cuja imagem utilizamos, e no Jornal de Negócios

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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