Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

Prémio internacional distingue foto-reportagem da tomada de Mossul

O fotojornalista belga Laurent Van der Stockt, que recebeu o Prémio Visa d’Or News de 2017 pela sua reportagem da batalha de Mossul, esteve presente no Le Monde Festival, em 23 de Setembro, no Théâtre des Bouffes du Nord, em Paris, onde foi entrevistado e falou sobre o trabalho de cobertura de imagem em situações de guerra.

Este prémio, o mais prestigiado do Festival Visa Pour L'Image, realizado em Perpignan, já lhe tinha sido atribuído em 2013 pela reportagem em que testemunhou e expôs um ataque com armas químicas feito pelas forças de Bashar al-Assad. 

Desta vez contempla a qualidade da cobertura de uma batalha longa e muito violenta, em que esteve presente durante os nove meses que durou, integrado num grupo das forças especiais do Iraque. 

O prémio reconhece que a sua proximidade da frente do combate, com ataques suicidas e civis aterrorizados em fuga, conferem ao seu trabalho uma força singular. 

Van der Stock critica a “ideologia perigosa do digital, do virtual”. Esta presença no centro dos conflitos perde-se cada vez mais, segundo afirma, “com os grandes jornais, que mandam cada vez menos pessoas”.

“O trabalho do jornalista é cada vez mais virtual, por detrás de um ecrã. Perde-se um pouco o terreno. Mas o fotógrafo está presente diante das pessoas, tem um contacto visual.”

Sobre o efeito emocional deste contacto, Laurent Van der Stockt declara que o seu escudo é o aparelho fotográfico: “Se eu, nestas situações, pousasse o aparelho, muitas vezes desatava a chorar.”


 

Após cerca de 25 anos de cobertura de conflitos, Van der Stockt conta que “nunca tinha tido acesso a uma operação militar durante tanto tempo” e que o nível de acesso que lhe foi concedido “nunca, ou muito raramente, é atribuído a um correspondente”.

 

A entrevista pode ser vista e escutada neste vídeo do Le Monde Festival, bem como uma série das imagens contempladas pelo prémio e comentadas pelo próprio Laurent Van der Stockt

 

Connosco
Bettany Hughes, Prémio Europeu Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hughes, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

Marçal Grilo abre novo ciclo de jantares-debate em Novembro Ver galeria

O Clube Português de Imprensa, o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário juntam-se, novamente,para promover um novo ciclo de jantares-debate, desta vez subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?

Será orador convidado, no próximo dia 22 de Novembro, Eduardo Marçal Grilo, antigo ministro da Educação e administrador da Fundação Gulbenkian, que tem dedicado à problemática do ensino e às causas da cultura e da ciência o essencial da sua actividade de intelectual, de homem político e enquanto docente.

O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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Opinião
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...
As notícias falsas e a internet
Francisco Sarsfield Cabral
As redes sociais são, hoje, a principal fonte de informação, se não mesmo a única, para imensa gente. O combate às “fake news” tem que ser feito, não pela censura, mas pela consciencialização dos utilizadores da net. Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil graças à utilização maciça das redes sociais. A maioria dos jornais brasileiros de referência não o apoiou, o...
1.Segundo um estudo da Marktest sobre a utilização que os portugueses fazem das redes sociais 65.9% dos inquiridos referem o Facebook, 16.4% indicam o Instagram, 8.3% oWhatsApp, 4% o Youtube e 5.4% outras redes. O estudo sublinha que esta predominância do Facebook não é transversal a toda a população: “Entre os jovens utilizadores de redes sociais, os resultados de 2018 mostram uma inversão das redes visitadas com mais...
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