Terça-feira, 21 de Agosto, 2018
Media

Prémio internacional distingue foto-reportagem da tomada de Mossul

O fotojornalista belga Laurent Van der Stockt, que recebeu o Prémio Visa d’Or News de 2017 pela sua reportagem da batalha de Mossul, esteve presente no Le Monde Festival, em 23 de Setembro, no Théâtre des Bouffes du Nord, em Paris, onde foi entrevistado e falou sobre o trabalho de cobertura de imagem em situações de guerra.

Este prémio, o mais prestigiado do Festival Visa Pour L'Image, realizado em Perpignan, já lhe tinha sido atribuído em 2013 pela reportagem em que testemunhou e expôs um ataque com armas químicas feito pelas forças de Bashar al-Assad. 

Desta vez contempla a qualidade da cobertura de uma batalha longa e muito violenta, em que esteve presente durante os nove meses que durou, integrado num grupo das forças especiais do Iraque. 

O prémio reconhece que a sua proximidade da frente do combate, com ataques suicidas e civis aterrorizados em fuga, conferem ao seu trabalho uma força singular. 

Van der Stock critica a “ideologia perigosa do digital, do virtual”. Esta presença no centro dos conflitos perde-se cada vez mais, segundo afirma, “com os grandes jornais, que mandam cada vez menos pessoas”.

“O trabalho do jornalista é cada vez mais virtual, por detrás de um ecrã. Perde-se um pouco o terreno. Mas o fotógrafo está presente diante das pessoas, tem um contacto visual.”

Sobre o efeito emocional deste contacto, Laurent Van der Stockt declara que o seu escudo é o aparelho fotográfico: “Se eu, nestas situações, pousasse o aparelho, muitas vezes desatava a chorar.”


 

Após cerca de 25 anos de cobertura de conflitos, Van der Stockt conta que “nunca tinha tido acesso a uma operação militar durante tanto tempo” e que o nível de acesso que lhe foi concedido “nunca, ou muito raramente, é atribuído a um correspondente”.

 

A entrevista pode ser vista e escutada neste vídeo do Le Monde Festival, bem como uma série das imagens contempladas pelo prémio e comentadas pelo próprio Laurent Van der Stockt

 

Connosco
A crise de identidade nos jornais de prestígio e a “anarquia digital” Ver galeria

As datas são recentes, mas a história que contam parece comprida, tem capítulos uns atrás dos outros. O efeito da revolução digital sobre o jornal impresso está sempre a ser revisto e avaliado, como nos filmes de ficção científica em que o herói vai ao passado para tentar “corrigir” a História.
“O marco da anarquia digital é 1996, ninguém previu o novo ciclo e ele se inicia para implantar o caos e desorganizar a segurança conservadora, principalmente dos grandes grupos de comunicação.”

A reflexão é do jornalista Luís Sérgio Santos, docente de Desenho Editorial na Universidade Federal do Ceará, e o seu texto multiplica termos como “ameaça”, “abismo”, “conflito”, “incerteza”. Mas trata-se apenas de uma abordagem à “crise de identidade dos jornais de prestígio”  - título que escolheu para este artigo, publicado no Observatório da Imprensa do Brasil.

O perigo de instrumentalizar a Rede para uma "guerra digital" Ver galeria

A relação entre os poderes instituídos e o novo poder das redes sociais passou por diversas fases. Houve um tempo em que alguns governos temeram a voz do povo na Internet, e fenómenos como as Primaveras Árabes, que derrubaram regimes instalados, levaram ao bloqueio destas plataformas. “Mas agora muitos governos descobriram que é mais útil intoxicar nas redes sociais do que proibi-las. E os trolls encarregam-se do resto.”

É esta a reflexão inicial do jornalista e empreendedor no meio digital Miguel Ossorio Vega, que faz uma síntese do ocorrido neste terreno nos últimos anos, chamando a atenção para o que considera serem os maiores perigos da ciberguerra em curso.

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