Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 2018
Media

Prémio internacional distingue foto-reportagem da tomada de Mossul

O fotojornalista belga Laurent Van der Stockt, que recebeu o Prémio Visa d’Or News de 2017 pela sua reportagem da batalha de Mossul, esteve presente no Le Monde Festival, em 23 de Setembro, no Théâtre des Bouffes du Nord, em Paris, onde foi entrevistado e falou sobre o trabalho de cobertura de imagem em situações de guerra.

Este prémio, o mais prestigiado do Festival Visa Pour L'Image, realizado em Perpignan, já lhe tinha sido atribuído em 2013 pela reportagem em que testemunhou e expôs um ataque com armas químicas feito pelas forças de Bashar al-Assad. 

Desta vez contempla a qualidade da cobertura de uma batalha longa e muito violenta, em que esteve presente durante os nove meses que durou, integrado num grupo das forças especiais do Iraque. 

O prémio reconhece que a sua proximidade da frente do combate, com ataques suicidas e civis aterrorizados em fuga, conferem ao seu trabalho uma força singular. 

Van der Stock critica a “ideologia perigosa do digital, do virtual”. Esta presença no centro dos conflitos perde-se cada vez mais, segundo afirma, “com os grandes jornais, que mandam cada vez menos pessoas”.

“O trabalho do jornalista é cada vez mais virtual, por detrás de um ecrã. Perde-se um pouco o terreno. Mas o fotógrafo está presente diante das pessoas, tem um contacto visual.”

Sobre o efeito emocional deste contacto, Laurent Van der Stockt declara que o seu escudo é o aparelho fotográfico: “Se eu, nestas situações, pousasse o aparelho, muitas vezes desatava a chorar.”


 

Após cerca de 25 anos de cobertura de conflitos, Van der Stockt conta que “nunca tinha tido acesso a uma operação militar durante tanto tempo” e que o nível de acesso que lhe foi concedido “nunca, ou muito raramente, é atribuído a um correspondente”.

 

A entrevista pode ser vista e escutada neste vídeo do Le Monde Festival, bem como uma série das imagens contempladas pelo prémio e comentadas pelo próprio Laurent Van der Stockt

 

Connosco
Joana Marques Vidal em Março no novo ciclo de jantares-debate Ver galeria

Magistrada do Ministério Público de carreira desde 1979, Joana Marques Vidal é a próxima oradora-convidada, a 14 de Março,   no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opções”, promovido pelo Clube Português de Imprensa em parceria com o CNC - Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário.

Nomeada Procuradora- Geral da República, em Outubro de 2012  pelo então Presidente Aníbal Cavaco Silva, Joana Marques Vidal foi a primeira mulher a ocupar o cargo em Portugal em 180 anos de magistratura do Ministério Público. O seu mandato, que ficará certamente na história, termina em Outubro, sendo ainda uma incógnita se será ou não reconduzida.   

Com uma personalidade reservada, e intervenções públicas muito espaçadas,  a sua presença neste ciclo representará decerto um importante contributo para o debate em curso sobre a Justiça.

  

 

 

Utilização de "drones" por jornalistas com "regime específico" Ver galeria

A Comissão Nacional de Protecção de Dados divulgou o parecer que lhe fora pedido pelo secretário de Estado das Infraestruturas sobre o novo regime jurídico para a utilização de aeronaves de controlo remoto (drones), recomendando uma reformulação do projecto de decreto-lei já elaborado. No âmbito da sua competência específica, esta Comissão adverte que o novo regime não pode limitar-se a acautelar a segurança e a responsabilidade civil, “deixando de fora” a tutela da privacidade. É também recomendada a criação de um “regime específico” para a captação por jornalistas.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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Opinião
Em 2021, quando terminar o mandato do próximo Conselho de Administração da RTP, como vai ser a televisão? Tudo indica que os canais generalistas continuarão a perder espectadores e que o tempo consagrado por cada pessoa a ver estações de televisão tradicionais continuará a diminuir. Em contrapartida, o visionamento em streaming, da Netflix, Amazon ou de outras plataformas que surjam entretanto continuará a crescer. Há...
O essencial da palestra que o conhecido jurista e comentador político António Lobo Xavier veio proferir, no passado dia 24 de janeiro, no  Grémio Literário pode resumir-se a uma frase que ele disse na parte final da sua intervenção: "não há distribuição sem crescimento". Aconteceu isto na terceira conferência do ciclo "O estado do Estado: Estado, Sociedade, Opcões", uma iniciativa do Clube de Imprensa em...
O novo livro do jornalista americano Howard Kurtz, “Media Madness: Donald Trump, the Press, and the War Over the Truth”, lançado pela editora Regnery em 29 de Janeiro - por coincidência intencional ou não, na véspera do primeiro discurso “State of the Union” de  Trump perante o Congresso, marcado para o dia seguinte - é um marco oportuno e de leitura imprescindível para quem acompanhe, por interesse profissional ou...
“The Post”, o filme de Spielberg sobre a divulgação, em 1971, de documentos confidenciais do Pentágono sobre a guerra do Vietname levou-me a recordar que, nessa altura, como jovem jornalista do “Diário Popular”, sugeri que o jornal publicasse parte dessas revelações. A sugestão foi aceite e, por isso, traduzi e talvez tenha resumido (não me lembro bem) alguns dos artigos que o “Washington Post”...
Os últimos dados auditados pela APCT, no ano findo, estão longe de serem tranquilizadores sobre a boa saúde da Imprensa escrita.  De um modo geral,  os generalistas  continuam  a perder vendas em banca e os raros que escapam a essa erosão fatal não exibem subidas convincentes. Um dos recuos mais evidentes é o do centenário “Diário de  Noticias”,  que já deslizou para uma fasquia...